Cristiano Ronaldo no banco de suplentes de Portugal - Foto: LUSA/PAULO NOVAIS
Cristiano Ronaldo no banco de suplentes de Portugal - Foto: LUSA/PAULO NOVAIS
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Do 'falem com Carlos Queiroz' à Noruega: polémicas de Ronaldo na Seleção multiplicam-se

23 anos de Quinas ao peito precipitaram inúmeras histórias de encantar... e outras para esquecer. Nem a braçadeira de capitão escapou a momentos mais tensos na equipa lusa

A visita de Portugal à Noruega, no domingo, precipitou novo capítulo na história de polémicas de Cristiano Ronaldo de Quinas ao peito. O capitão da Seleção Nacional foi suplente não utilizado numa partida oficial lusa pela primeira vez desde 15 de junho de 2008, data de duelo diante da Suíça, no Euro 2008.

A passagem a tempo inteiro pelo banco 6.678 dias depois culminou na recolha aos balneários assim que soou o apito final em Oslo. Ronaldo não participou, desta forma, no agradecimento aos adeptos e no festejo do triunfo no relvado.

Este está longe de ser o primeiro momento tenso do avançado de 41 anos em 234 jogos e 23 anos ao serviço da Seleção Nacional. Se a parceria com Luiz Felipe Scolari, entre 2003 e 2008, foi relativamente tranquila, o mesmo não aconteceu com Carlos Queiroz, que comandou a equipa das Quinas entre 2008 e 2010.

A ligeira tensão criada pela ausência de Ronaldo de um duelo particular no Liechtenstein, a 12 de agosto de 2009, devido a gripe, antecedeu o ato principal numa história de altos e baixos, que teve lugar um ano depois, na reta final da participação lusa no Mundial-2010.

Ronaldo e Queiroz durante o Mundial 2010 - Foto: A BOLA

A transmissão televisiva captou o desagrado de Cristiano Ronaldo face a decisões tomadas por Queiroz durante o duelo diante da Espanha, nos oitavos de final da prova, a 29 de junho de 2010. Um golo de David Villa aos 63' ditou a eliminação lusa... e precipitou uma frase do então avançado do Real Madrid que entrou diretamente para a história de Portugal em Mundiais.

Convidado a justificar a eliminação, Ronaldo passou a bola ao então selecionador: «Falem com o Carlos Queiroz.»

O técnico acabou por deixar o comando da equipa das Quinas em setembro de 2010, tendo sido substituído por Paulo Bento. O selecionador nacional entre 2011 e 2014 admitiu, em entrevista à Antena 1, a 11 de maio, que a relação com Ronaldo deteriorou-se ao longo do tempo: «Se me perguntassem se a relação era a mesma do início, não era. Se para manter uma relação tenho de abdicar de princípios... não. As hierarquias devem existir e devem ser respeitadas.»

Foi já com Fernando Santos ao leme que Ronaldo voltou a protagonizar um momento polémico. O capitão da Seleção atirou um microfone da CMTV para um lago, horas antes do duelo decisivo diante da Hungria, na última jornada da fase de grupos do Euro-2016, a 22 de junho, em Lyon.

A conquista do Euro e da Liga das Nações, em 2019, cimentaram a relação entre avançado e selecionador. Mesmo assim, Ronaldo voltou a ficar debaixo de fogo, em 2021, à boleia de dois episódios em que descarregou a frustração na braçadeira de capitão no espaço de três meses.

O primeiro teve lugar a 27 de março, na reta final de um desafio entre Sérvia e Portugal, a contar para a fase de qualificação para o Mundial-2022. Ronaldo atirou a contar em cima do apito final, mas o árbitro da partida considerou que a bola não ultrapassou totalmente a linha de golo.

O momento em que Ronaldo deixa cair a baraçadeira - Foto: imago

O avançado luso não escondeu a indignação e foi mesmo admoestado com um cartão amarelo. Ronaldo saiu de campo inconsolável e, antes de recolher aos balneários, atirou a braçadeira de capitão para o relvado.

A frustração voltaria a falar mais alto a 27 de junho do mesmo ano, no final da derrota da equipa das Quinas diante da Bélgica, nos oitavos de final do Euro-2020. Ronaldo caminhou para o túnel do Estádio Olímpico da Cartuja, em Sevilha, visivelmente irritado, deixou cair a braçadeira e pontapeou-a antes da intervenção de um elemento do staff.

Portugal voltou a disputar uma grande competição um ano e meio depois... e novo momento de polémica com treinadores floresceu. Fernando Santos colocou Cristiano Ronaldo de início diante da Coreia do Sul, comandada po Paulo Bento, na última jornada da fase de grupos do Mundial-2022, já com a qualificação no bolso.

A reação de ROnaldo ao ser substituído - Foto: IMAGO

De olho na fase a eliminar, o então selecionador nacional decidiu, aos 66', substituir o capitão, que não reagiu da melhor forma. Ronaldo assistiu à última meia hora no banco de suplentes e lá permaneceu diante da Suíça, no duelo seguinte.

Gonçalo Ramos saltou para o onze, assinou um hat-trick numa goleada sensacional (6-1) e segurou o lugar na partida seguinte, diante de Marrocos, que marcou a despedida lusa do Mundial (0-1). Ronaldo entrou em campo aos 51', mas não evitou a eliminação no último jogo de Fernando Santos no comando da Seleção.

O treinador admitiu, em entrevista a A BOLA em novembro de 2023, que a relação «fortíssima» que mantinha com Ronaldo sofreu um duro golpe na sequência do duelo diante da Suíça. «É verdade que no dia do jogo, de manhã, quando lhe fui explicar que ele não ia jogar e o porquê de não ir jogar, ele interpretou mal. Se eu percebo a reação dele? Percebo!», explicou.

Roberto Martínez substituiu Fernando Santos no cargo e manteve, ao longo de dois anos, uma relação próxima e tranquila com o avançado. Os holofotes da polémica regressaram a Ronaldo, ainda assim, após o capitão ter recebido ordem de expulsão por ter agredido um adversário durante o duelo na Irlanda (0-2), a 13 de novembro de 2025, que podia ter selado o apuramento luso para o Mundial 2026.

Tal acontceu na jornada seguinte, diante da Arménia (9-1)... sem a presença de Ronaldo no Estádio do Dragão.

A prestação do avançado, já quarentão, no Mundial-2026 voltou a motivar críticas, mas tudo parecia navegar para bom porto após a contratação de Jorge Jesus, com quem trabalhou na última temporada. Ronaldo poderá, ainda assim, voltar ao onze luso já na Dinamarca, na próxima quinta-feira.

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