Carlos Vicens. treinador do SC Braga - Foto: Imago
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SC Braga: faça-se outubro

'Ecos da Pedreira' é o espaço de opinião em A BOLA de Diogo Costa, médico interno de Psiquiatria e associado do SC Braga

Decorria o dia 28 de setembro de 2025 quando, pelas 20 horas, terminava o SC Braga-Nacional a contar para a sétima jornada do campeonato. O resultado final era de 0-1 e a contestação à equipa, e treinador, era visível e audível. Eram apenas nove os pontos acumulados, de possíveis 21, com a equipa a distar já oito pontos do terceiro classificado. Avizinhava-se uma difícil entrada em outubro, com visitas a Glasgow e a Alvalade, antes de uma paragem de seleções, que muitos perspetivavam como fatalmente decisiva nos destinos de Carlos Vicens.

E a resposta dificilmente poderia ter sido mais contundente, com uma meritória, e histórica, vitória em Glasgow, à qual se associou um empate em Alvalade que, futebolísticamente falando, foi injusto para os de Braga. A equipa dava sinais de mudança, dominou e superiorizou-se em dois terrenos difíceis e o rumo parecia estar a mudar. Daí em diante, o mês de outubro foi construído apenas com vitórias, nas várias competições disputadas, e foi, definitivamente, um momento de mudança.

Hoje, dia 29 de setembro, estamos em período de pausa de seleções. Na tabela, o SC Braga conta 11 pontos em 18 possíveis e dista, neste momento, quatro pontos do terceiro lugar, com um jogo por realizar. Curiosamente, os próximos compromissos, à entrada no mês de outubro, são contra o Sporting, para o campeonato, e em Copenhaga, também para as competições europeias.

Se há um ano as críticas eram consequência da desconfiança em torno do nome de Vicens, e da já relevante distância pontual aos lugares cimeiros, hoje a contestação deve-se, principalmente, à diminuição da qualidade exibicional. Ao longo da temporada anterior, a equipa foi melhorando significativamente à medida que o tempo foi passando e esperava-se que, agora, não fosse necessário tanto tempo para que tal acontecesse. Mas exibições como a dos Açores (num relvado lastimável e impraticável, diga-se) e segundas partes como a da derrota frente ao Estrela não são indicativas disso mesmo.

Desta última jornada, frente ao Santa Clara, fica ainda no ar a noção de uma incapacitante falta de condicionamento e disponibilidade física dos jogadores, quando comparando com a época anterior. Houve mudanças no corpo técnico que podem explicar isso mesmo, com a saída do preparador físico Antonio Gómez para o Arsenal, mas urge um maior investimento nessa vertente do jogo, cada vez mais diferenciadora.

Conforme escrevi anteriormente, os lugares cimeiros da tabela, que são os desejados, ainda são perfeitamente alcançáveis. Para tal, a equipa terá de mostrar mais consistentemente uma outra cara, que já se foi vendo a espaços na presente época. O próximo desafio, frente ao Sporting, é o tipo de jogos em que Carlos Vicens mais se superou e um dos melhores sinais de mudança do clube, sempre com exibições competentes e capazes. Que esta não seja a exceção para que a dita aproximação seja possível. Para tal, faça-se outubro novamente.

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