Rui Pedro Braz com Jorge Jesus no Benfica (foto: A BOLA)
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Braz: «Jesus é o homem certo no lugar certo»

Antigo diretor desportivo do Benfica elogia o agora selecionador, com quem trabalhou nas águias

Depois da saída atribulada do Al Ahli, Rui Pedro Braz esteve à conversa com A BOLA, naquela que é a primeira entrevista concedida em cinco anos. Nesta segunda parte da entrevista fala dos quatro anos em que foi diretor desportivo do Benfica, mas também da escolha de Jorge Jesus, com quem trabalhou nas águias, como novo selecionador.

- Agora tem mais tempo para acompanhar a Liga. Viu o Clássico? O FC Porto vai lançado para a revalidação do título?

- É muito cedo. A história recente já nos mostrou que 5 pontos na Liga Portuguesa não têm grande significado, principalmente quando o FC Porto ainda não jogou com o Sporting e ainda não se deslocou à Luz. São apenas 7 jornadas, não é nada. Acho que tanto o Benfica como o Sporting ainda têm uma palavra a dizer. Não faz sentido nenhum começar a criar a ideia de que o FC Porto já é campeão. Seria um erro começarem a embandeirar em arco, um erro que não estou a ver o Presidente André Villas-Boas cometer. Acho que vai ser uma liga muito interessante, há um desequilíbrio maior entre os três grandes e os restantes, mas Benfica e Sporting estão muito dentro da luta do título. 5 pontos à sétima jornada pode parecer muito significativo, mas não é nada.

- Já elogiou Jorge Jesus nesta conversa. É a escolha indicada para a Seleção?

- Claramente. Não há palavras para descrever a qualidade do mister Jesus. Tenho muita pena de nos termos cruzado num período tão conturbado no Benfica. Como eu disse, houve aquele terramoto três semanas depois da minha chegada, com a saída do Presidente Vieira. O clube não tinha capacidade financeira para reforços de peso. Não sei se as pessoas se recordam: contratámos o João Mário praticamente a custo zero; trouxemos o Radonjić por empréstimo; o Valentino Lázaro por empréstimo; o Meïté numa operação de 6 milhões; o Gil Dias numa operação também muito pequena, 1 milhão e meio de euros. A única contratação de alguma dimensão foi o Yaremchuk, que chegou por 17 milhões e que depois foi vendido por valor idêntico ao Club Brugge. Tenho pena de não termos conseguido fazer melhor nesse ano para ajudar o mister Jesus a ter sucesso, pois é um treinador absolutamente extraordinário, um homem que vê coisas que mais ninguém vê, que trabalha de uma forma muito própria, e vai conseguir transportar os seus ensinamentos e a sua visão para a Seleção. Eu não queria usar uma expressão do mister Jesus e dizer que a Seleção vai jogar o dobro, não sei se isso vai acontecer ou não, mas tenho a certeza de que é o homem certo no lugar certo.

- E ainda faz sentido Cristiano na Seleção?

- Vai fazer sentido enquanto ele sentir que faz sentido e enquanto o mister Jesus sentir que faz sentido. Não nos compete a nós, adeptos, tomar essa decisão. O mister Jesus está lá para tomar essa decisão, o Cristiano conhece o seu corpo melhor do que ninguém. Ele continua a marcar, ainda agora marcou vários golos extraordinários neste arranque de temporada do Al Nassr. Acho que vamos continuar a ver o Cristiano Ronaldo em grande forma na Seleção, caso ele o entenda e caso o mister Jesus o entenda.

- Para fechar: o Rui está disponível para voltar a trabalhar a curto prazo? Quais são os planos? 

- Neste momento estou a descansar um pouco, a aproveitar a família. Foram muitos anos seguidos sem férias, sem fins de semana. É óbvio que o telefone já começou a tocar, mas não me quero precipitar, não quero avançar para um projeto só para não estar parado. Por vezes é importante parar um pouco, respirar, olhar à nossa volta, sentir o contexto, para depois tomar as melhores decisões. Não há qualquer pressão, quando chegar o projeto certo eu saberei. Depois de trabalhar na Arábia Saudita já nada me assusta, para ser sincero. Quem ganha naquele contexto, está preparado para ganhar em qualquer parte do Mundo. Há realidades muito interessantes. A Europa, como é evidente, continua a ser o centro nevrálgico do futebol mundial, mas a América do Sul está muito interessante; a MLS é uma competição muito engraçada; a Rússia pode ser um local muito apelativo para trabalhar, caso as coisas se desenrolem para o melhor desfecho no que concerne ao conflito bélico, como todos desejamos. O mundo é muito grande e a linguagem do futebol é universal. O projeto certo pode aparecer de qualquer quadrante.

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Da primeira parte da entrevista:

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