Volta a Portugal: Alexis Guerin vence 'à Pogacar' na Torre
Foi uma subida à Torre ao melhor estilo de Tadej Pogacar. Alexis Guerin atacou a 15 quilómetros da meta, desapareceu da vista dos adversários e só voltou a ser encontrado no ponto mais alto de Portugal continental já de camisola amarela de líder da Volta.
O francês da Anicolor-Campicarn assinou uma exibição de enorme autoridade na quarta etapa da prova, chegando isolado à meta com 1.44 minutos de vantagem sobre Artem Nych, companheiro de equipa e vencedor das duas últimas edições da prova, completando o domínio do conjunto português. Os primeiros verdadeiros adversários já acumularam um atraso no limiar dos dois minutos.
A Anicolor tinha feito tudo bem: controlou a fuga, endureceu o ritmo na subida e lançou o homem que estava destinado a decidir a etapa.
Nos 154,6 quilómetros desde Figueiró dos Vinhos até ao Alto da Torre, a corrida começou a ser desenhada muito antes de a estrada começar a apontar para o céu. Onze corredores saltaram para a frente nos primeiros 35 quilómetros e entre eles estava Rui Oliveira, o camisola amarela. Uma imagem pouco habitual para quem tinha a liderança da Volta, mas reveladora de que o português da UAE Emirates parecia já ter os olhos postos noutra batalha: a camisola dos pontos.
A fuga ganhou espaço, mas nunca verdadeiramente liberdade. A Anicolor, equipa de Artem Nych, vencedor das duas últimas edições da Volta, assumiu desde cedo o controlo da perseguição. A vantagem dos fugitivos raramente passou dos três minutos e, à medida que a estrada se aproximava da Covilhã, a sentença começava a escrever-se.
Efapel e Euskatel-Euskadi ajudaram a acelerar a marcha. A diferença caiu para menos de dois minutos à entrada da subida para a Torre. Ainda havia muita gente no grupo principal - cerca de três dezenas de corredores -, mas a Serra da Estrela encarregar-se-ia de fazer a seleção.
Primeiro foi a Credibom-LA Alumínios a colocar homens na frente. Depois, a UAE Emirates tomou conta das operações, impondo um ritmo suficientemente forte para reduzir a fuga, mas sem ainda provocar a explosão que todos esperavam. A Torre aproximava-se e, com ela, o momento de verdade.
Essa hora chegou a 17 quilómetros do alto. Louis Ferreira entrou em cena pela Anicolor e fez aquilo que as grandes equipas fazem nos dias em que acreditam ter a corrida nas mãos: acelerou, eliminou adversários e deixou o grupo principal reduzido a pouco mais de uma dezena de unidades. Tiago Antunes e David Peña (Efapel) e Txomin Juaristi (Euskatel) foram algumas das principais vítimas da mudança de ritmo.
E então apareceu Guerin. O francês, de 34 anos, lançou o ataque a 15 km da meta e, em poucos metros, transformou uma corrida ainda relativamente compacta numa perseguição. Abriu cerca de 50 segundos quase de imediato. Não foi um daqueles ataques para testar os adversários. Foi um ataque para ganhar a etapa - à Pogacar.
Adrià Pericas tentou responder pela UAE Emirates. Atrás do espanhol ficaram Artem Nych, Jokin Murguialday, José Neves e Pedro Silva. Mas Guerin pedalava cada vez mais à frente.
Depois das Penhas da Saúde, a falta de entendimento entre os perseguidores jogava a favor do francês e da Anicolor, com Nych, naturalmente, sem razão para colocar em causa a vantagem do companheiro de equipa. Os restantes tentavam, de forma intermitente, enquanto Guerin subia a ritmo certo. A vantagem passou os 1.30 minutos e a vitória ficou mais perto.
A dois quilómetros da meta, Nych tratou de garantir que a festa da Anicolor seria completa. Atacou no grupo perseguidor e deixou para trás Pericas, enquanto Pedro Silva, José Neves e Jokin Murguialday tentavam ainda discutir os restantes lugares do pódio.
Atrás do duo Anicolor, que dominou a etapa, cortou a meta o português Pedro Silva (Feira dos Sofás-Boavista), a 1.56 minutos do vencedor, na terceira posição. O espanhol Jokin Murguialday (Euskatel) e José Neves (GI Group Simoldes) fecharam o top-5, ambos a 1.58 minutos.
Na classificação geral, Alexis Guerin passa a ser o líder, com 1.26 minutos sobre Artem Nych, em vésperas de mais uma importante etapa, o contrarrelógio Anadia-Águeda (17,4 km).