Miguel Nogueira dirigiu o jogo com independência e, como foi sublinhado por especialistas, realizou uma arbitragem equilibrada e tecnicamente correta — Foto: CATARINA MORAIS/KAPTA+
Miguel Nogueira dirigiu o jogo com independência e, como foi sublinhado por especialistas, realizou uma arbitragem equilibrada e tecnicamente correta — Foto: CATARINA MORAIS/KAPTA+
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Seguimos em (na) frente

Pretender transformar que a vitória contundente do FC Porto sobre o Benfica assentou unicamente em imprecisões de arbitragem é uma reflexão desfasada e empobrecida. #minuto92 é um rubrica de opinião quinzenal da autoria de Ricardo Gonçalves Cerqueira, jurista, gestor de empresas e sócio do FC Porto

Sete vitórias em sete jornadas. 21 pontos somados, 18 golos marcados e apenas três sofridos. Um arranque de campeonato que distingue a intervenção de Francesco Farioli numa equipa profundamente ligada ao espírito do portismo e que percebe que o bom começo de pouco valerá se a concentração e o compromisso não se mantiverem constantes ao longo de toda a época.

O treinador mantém a atitude e o discurso de quem, com humildade e pragmatismo, sabe que o trajeto está ainda no ponto de partida e o que há de vir será de extrema exigência competitiva. Os jogadores respondem com sentido de responsabilidade, disciplina e confiança na metodologia técnico-tática. A união que os (e que nos) conduziu ao título na época passada não se esgotou nos retratos da festa nos Aliados.

Os níveis de concentração, a determinação com que encaram cada jogo, a intensidade que colocam ao longo dos noventa minutos e a forma como a equipa reage, em campo, às dificuldades, são elucidativos. Aqui, cada jogador conhece e assume plenamente o seu papel no grupo de trabalho — todos por todos. Sem vedetismos ou individualidades.

Ainda há muito campeonato pela frente, inúmeras dificuldades e nenhuma razão para facilitar. Sete vitórias são sete importantes passos dados. Não são, nem podem ser, uma autorização para festejos antecipados. Isso não existe na linguagem do FC Porto.

A vitória no clássico teve um significado que ultrapassou o resultado. Foi uma resposta claríssima a semanas de desconsiderações, suspeições e tentativas de desvalorização do clube e do grupo de trabalho. Perante uma sucessão de comentários e insinuações que, demasiadas vezes, se sobrepuseram à análise crítica independente dos factos, a equipa manteve-se impávida e serena e respondeu onde se impunha: no terreno de jogo.

Fê-lo com consistência defensiva, marca identitária deste novo tempo, com personalidade e uma crença inabalável de que a vitória ficaria no Dragão.

Foram três golos categóricos e plenos de intencionalidade. Gabri Veiga, Froholdt e Inbeom Hwang concretizaram. André Silva assistiu com mestria em duas ocasiões.

Pretender transformar, como algumas personagens se esforçam por fazer crer, que a vitória contundente do FC Porto assentou unicamente em imprecisões de arbitragem é, para dizer o mínimo, uma reflexão desfasada e empobrecida.

O episódio em torno de Gabri Veiga, com a defesa de uma expulsão quando o jogador já não se encontrava em campo, é um exemplo revelador do nível depauperado a que pode chegar o debate. Quando os factos são elementos secundários, a credibilidade da análise e do analista fica inapelavelmente desacreditada.

É por estas e por muitas outras razões que o FC Porto defende, há pelo menos dois anos, uma verdadeira modernização tecnológica do setor da arbitragem. Mais câmaras disponíveis nos estádios, melhor enquadramento dos ângulos de captação, maior definição dos equipamentos e a adoção de tecnologia de fora de jogo e de linha de golo semiautomática. Não se trata de beneficiar ninguém.

Trata-se, isso sim, de promover a melhoria das condições para que as decisões sejam baseadas em informação precisa e, dessa forma, contribuir para a diminuição de erros e incoerências. Transparência e profissionalização!

A receita para o clássico foi dada, amplamente difundida e disseminada durante dias. O país futebolístico, alertavam alguns, que se preparasse para celebrar a vitória do «Super Benfica», o «Benfica diabólico», em pleno Estádio do Dragão. Nada mais havia a esperar. A inevitabilidade avançava a todo o gás, A1 acima, e o atropelamento seria sentido dentro das quatro linhas. A equipa azul e branca que se contentasse em sobreviver, prevendo-se ainda assim um amasso considerável, restando-lhe, portanto, lamber as feridas à posteriori.

Acontece que o provérbio repetiu-se. Convencidos, saíram da Luz para comprar lã e voltaram tosquiados.

Miguel Nogueira, juiz da partida, não se quis associar ao guião pré-estabelecido. Foi árbitro, e não protagonista de qualquer narrativa. Dirigiu o jogo com independência e, como foi sublinhado por diversos especialistas da área onde se incluem vários ex-árbitros, realizou uma arbitragem equilibrada e tecnicamente correta.

Perante o talento de jogadores como Diogo Costa, Froholdt, Pepê, William Gomes, Gabri Veiga e a têmpera competitiva de Bednarek, Kiwior, Rosario, Alberto Costa, Samu, André Silva — protagonistas numa equipa com ambição de vencer — continuam, ainda assim, a surgir teorias que ensaiam explicações extradesportivas para o sucesso, polvilhadas de novas tentativas de desvalorização. Mesmo diante da evidência há sempre alguém que a renega. Faz parte da vida!

No FC Porto, as teorias que menosprezam o mérito desportivo são usadas como combustível para alimentar a máquina de campeão.

Aos sócios, adeptos e estrutura dirigente compete prosseguir o que sempre nos distinguiu: manter os pés bem assentes na terra, trabalhar de forma discreta e consistente, corrigir e ajustar o que for necessário e permanecer unidos quando o caminho apertar.

Identificamos um lote de jogadores que acredita no que está a construir, um treinador capaz e exigente, talento para desenvolver e uma massa associativa que nunca abandona a sua equipa. Vivemos, neste FC Porto, uma cultura de exigência que não permite acomodação.

Celebrar 133 anos é compreender que a História do FC Porto se constrói na continuidade. Nas vitórias, no brio, no profissionalismo, no caráter.

Que a ambição e a cultura desportiva nos conduzam a mais vitórias a que se somarão mais conquistas. E que continuemos a responder, como fizemos ao longo das últimas décadas, dentro do campo. Porque é aí que o FC Porto fala sempre mais alto.

Sinal Mais: Vasco Vilaça

Vasco Vilaça sagrou-se campeão do mundo de triatlo, depois de em 2021 ter sido vice-campeão. Aos 26 anos, o 5.º classificado nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, junta o nome ao de Vanessa Fernandes, que em 2007 também se sagrou campeã do mundo.

Parabéns!

Sinal Mais: Jorge Jesus

Para lá de todos os méritos técnico-táticos que lhe são amplamente (reconhecidos, o novo selecionador nacional tem contribuído para a reaproximação da equipa nacional e o público português. Depois de uma época marcada por algum cinzentismo, Jorge Jesus começa a devolver o entusiasmo que, em circunstâncias normais, deve envolver a equipa das quinas.

Bem- vindo, mister JJ.

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