O presidente da assembleia geral da Liga portuguesa de futebol, Mário Costa, apresentou, por fim, ao final da tarde desta quarta-feira, a demissão do cargo, após as notícias que o dão como suspeito de estar envolvido no tráfico de seres humanos, na sequência de uma investigação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) à BSports Academy, uma empresa de recrutamento de jovens futebolistas sedeada em Riba d’Ave, concelho de Famalicão.

A investigação foi tornada pública nesta segunda-feira, mas Mário Costa esperou quase 72 horas para se demitir, como devia, do posto de presidente da AG da Liga e futebol, e só o fez, pelos vistos, porque o presidente da Liga, Pedro Proença, convocou para ontem uma conversa de emergência sobre o assunto.

Mário Costa está constituído arguido no processo desencadeado pelo SEF. A sua residência foi alvo de buscas, como é normal neste tipo de investigações. Nada disso o transforma em culpado. Nada. Mas, tal como à mulher de César, nunca basta ser-se sério, é preciso parecê-lo, e nesse sentido Mário Costa devia ter apresentado o pedido de demissão logo que se soube da investigação e logo que foram conhecidos os primeiros e preocupantes sinais de suspeita sobre tráfico humano, que dão conta, por exemplo, de o SEF ter resgatado um total de 114 jovens da BSports Academy.

Ninguém pode saber, de momento, se o processo provará ou não qualquer ilícito criminal. Mas uma instituição com o impacto social da Liga Portuguesa de Futebol Profissional não pode ver o seu nome envolvido, ainda que indiretamente, numa investigação com fortes suspeitas só porque o principal arguido é o presidente da assembleia geral.

Mário Costa demorou a pedir a demissão. Pior: deixou que fique a imagem de ter sido forçado a isso. Não é bom para a Liga nem para a defesa do próprio Mário Costa.