Grita-se em Guimarães: «O Vitória ganhou!»
Domingo nasceu calmo em Guimarães, em pleno contraste com a noite que o antecedeu, na qual a festa durou noite dentro… quase até ao amanhecer. A BOLA foi sentir o pulso à cidade berço no dia depois da épica (e inédita) conquista da Taça da Liga, na final que ficará gravada na história como a primeira que decidiu um título entre os rivais do Minho.
Com o troféu já em casa, a cidade respirou fundo depois de uma madrugada longa, intensa e, acima de tudo, carregada de felicidade. Junto ao D. Afonso Henriques, silêncio. Foi no centro, na manhã de ontem, que o nosso jornal se deparou com o ambiente de festa que ainda se fazia sentir. O Vitória, claro está, no epicentro de tudo.
No Largo do Toural, ponto nevrálgico da vida vimaranense, o jogo que eternizou os comandados de Luís Pinto em Leiria foi tema dominante nas conversas de rua. Não se ouviram cânticos nem buzinas, mas não se falava de outro assunto, naturalmente. Pequenos grupos juntaram-se à porta dos cafés, trocaram impressões, reviveram os golos de Samu e Ndoye ou a monstruosa defesa de Charles ao cair do pano. Até a prestação da equipa de arbitragem foi ponto discutido nas ruas de Guimarães.
Ao redor da praça, numa manhã fria e de chuve leve, viram-se mesas ocupadas e muitos jornais abertos. A animação tinha mudado de forma, mas não desaparecido. Pelo chão, sobretudo em zonas de passagem na avenida em frente ao D. Afonso Henriques, permaneciam vestígios claros da celebração, como confettis brancos esquecidos nas ruas.
O orgulho era palpável nas palavras simples. «O Vitória ganhou!», ouviu-se um adepto exclamar ao encontrar um conhecido. A conquista teve um peso histórico, dada a magnitude do duelo com os bracarenses. «É um orgulho muito grande para a nossa cidade conquistar o nosso terceiro troféu da história. Já tínhamos uma Supertaça, uma Taça de Portugal e agora já temos a Taça da Liga», lembrou um sócio vimaranense a A BOLA.
O contexto do dérbi amplificou a conquista e deu um sabor (ainda mais) especial ao título: «Ganhar ao SC Braga na final tem um significado muito especial. Aqui em Guimarães, o dérbi do Minho é o único que importa e ontem foi o mais importante da história, porque estava um troféu em disputa.»
A noite ficou gravada na memória para todos, dos mais novos aos mais velhos, e só teve paralelo, para quem não se recorda da mais antiga conquista da Supertaça de 1988, com a final no Jamor frente ao Benfica, em 2013: «A festa foi enorme e estendeu-se durante a madrugada. É um sentimento inexplicável. Foi o melhor dia da minha vida enquanto sócio do Vitória», confessou outro adepto ao nosso jornal.
Há ainda quem encare a Taça da Liga como ponto de partida para novas conquistas: «O Vitória é um clube que tem de vencer títulos e esta taça pode ser um passo importante nesse sentido.»
Reis da festa animaram a noite
Foi por volta das 3h30 da manhã que a comitiva vitoriana chegou de autocarro a casa, onde foi recebida por uma multidão de adeptos e uma onda de entusiasmo que a cidade não sentia há quase 13 anos, aquando da conquista da prova rainha.
Trabalho e sacrifício! A equipa técnica com a Taça da Liga 🏆 #UnidosPeloVitória pic.twitter.com/orqKdvo7Yd
— Vitória Sport Clube (@VitoriaSC1922) January 11, 2026
Em cima do autocarro, os jogadores e equipa técnica participaram nos cânticos de apoio ao Vitória e agradeceram o apoio dos adeptos ao longo da temporada, deixando ainda um apelo de união para o que resta da temporada.
Rodrigo Abascal, Samu, João Mendes e o capitão Nélson Oliveira foram os reis da festa e certificaram-se que animação não faltou durante a (longa) noite.