Treinador do Benfica acerca dos problemas físicos dos jogadores

Lesões colocam Benfica em alerta

Barrenechea arrisca paragem de semanas e essa é apenas uma das nove dores de cabeça de Mourinho. Caso de risco de Aursnes complica

O Benfica entra no novo ano com preocupação acrescida no capítulo das lesões, depois de o médio Enzo Barrenechea se ter lesionado no treino da véspera do jogo com o Estoril e de o defesa-central António Silva, que seria titular no desafio de sábado frente aos canarinhos (3-1), ter sentido um problema muscular durante o aquecimento. O cenário fica mais nebuloso porque o médio Aursnes está com sobrecarga competitiva e, tal como clarificou Mourinho, na conferência de imprensa depois da vitória com o Estoril, corre risco de lesão; e joga com essa contingência há algum tempo.

Olhando para o calendário de janeiro, e para as poucas soluções no plantel, pelo menos no que diz respeito ao equilíbrio de qualidade, o alarme nos encarnados tem justificação. Na quarta-feira as águias jogam em Leiria com o SC Braga a meia-final da Taça da Liga e caso se qualifiquem a final, no sábado, frente a Sporting ou V. Guimarães. Depois, no dia 14, quarta-feira, a equipa dos encarnados desloca-se ao Dragão para defrontar o FC Porto nos quartos de final da Taça de Portugal. Até final do mês, há ainda duelos com Rio Ave e Estrela da Amadora (Liga) e Juventus e Real Madrid (Liga dos Campeões).

O boletim clínico do plantel tem nesta altura nove jogadores, a maioria com problemas traumáticos. O caso que mais preocupa nesta altura é o de Barrenchea — o médio argentino tem uma subluxação traumática do ombro direito e arrisca parar várias semanas, dependendo da resposta do jogador a tratamento e treinos e da avaliação e caminho que os médicos do clube decidirem. Ou seja: para defrontar o SC Braga, Barrenechea estará indisponível e para o FC Porto representa dúvida séria.

Manu Silva é o substituto natural de Barrenechea, foi titular no jogo mais recente, com o Estoril, mas também o médio português ainda está à procura da melhor forma depois de recuperar uma lesão grave no joelho esquerdo.

Aursnes para gerir com pinças
Fredrik Aursnes, polivalente médio norueguês de 30 anos, é outro motivo de apreensão no plantel do Benfica. Apesar de não estar lesionado, está com sobrecarga competitiva que aumenta muito a possibilidade de lesão. Aursnes está e vai continuar a ser gerido para que José Mourinho não perca um jogador tão importante em fase decisiva da época. Aursnes foi suplente utilizado frente ao Estoril, no sábado, entrou em campo aos 77 minutos, e Mourinho confessou ter «rezado a todos os santos» para que o médio não tivesse problemas. «Aursnes tem um problema que se arrasta há algum tempo e a acumulação de jogos não ajuda [...] neste momento é um jogador de risco», admitiu o treinador, na conferência de imprensa depois do desafio. Aursnes esteve em todos os 32 jogos do Benfica esta época, foi titular em 30 e só não completou os 90 minutos em nove. O norueguês, além de jogar em várias posições, já contribuiu, em 2025/26, com quatro golos e seis assistências.

Depois, o lateral-direito Alexander Bah está parado desde fevereiro do ano passado e recupera de cirurgia ao ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo; o extremo Dodi Lukebakio foi operado a fratura do tornozelo esquerdo e só regressa em fevereiro ou março; o extremo Bruma fez uma cirurgia por rotura completa do tendão de Aquiles esquerdo; e os médios Nuno Félix (cirurgia do ligamento cruzado anterior do joelho direito) e João Veloso (luxação anterior do ombro direito) e o defesa-central Joshua Wynder (rotura parcial da fáscia plantar do pé esquerdo), todos jogadores da formação mas a trabalhar em contexto de plantel principal, estão também fora das opções para José Mourinho.

A estas lesões traumáticas somam-se as musculares — o central António Silva, com edema de contusão muscular na coxa direita, e o guarda-redes Samuel Soares, com lesão muscular na coxa direita.

José Mourinho já admitiu o óbvio, que o Benfica não tem plantel suficientemente bom para rodar com qualidade os jogadores, pelo que este cenário de lesões, sobretudo traumáticas, em consequência de choques e pancadas em jogos e treinos, representa, realmente, um grande motivo de preocupação em fase decisiva da temporada.