Treinadores e capitãs do Torreense e Valadares Gaia antes da final da Taça da Liga - Foto: FPF
Treinadores e capitãs do Torreense e Valadares Gaia antes da final da Taça da Liga - Foto: FPF

Torreense e Valadares Gaia de acordo: «Chegar à final já é um grande feito, mas...»

Treinadores Gonçalo Nunes e Zé Nando destacaram a presença no derradeiro jogo da Taça da Liga, após eliminarem Benfica e Sporting, respetivamente, mas com o objetivo de conquistar o troféu

Pela primeira vez na história, vai-se disputar a final de uma competição do futebol feminino português sem a presença dos ditos grandes, Benfica, Sporting ou SC Braga. Torreense e Valadares Gaia garantiram a presença no derradeiro jogo da Taça da Liga ao eliminarem as águias e os leões, respetivamente, em março, e encontram-se para discutir o troféu este sábado, às 19h, em Viseu, no Estádio Municipal do Fontelo.

Na véspera, realizou-se a habitual conferência de imprensa, mas de forma conjunta. Ambos os treinadores e capitãs, Gonçalo Nunes e Carolina Correia (Torreense), e Zé Nando e Erin Seppi (Valadares Gaia), marcaram presença num momento de enorme fair-play, mas afirmaram que o seu desejo é regressar a casa com o título.

Gonçalo Nunes, que conquistou já uma Taça de Portugal e uma Supertaça de Portugal frente ao Benfica, espera adicionar mais um troféu ao museu. «Não saíremos os dois felizes, isso é certo. Ainda assim, chegar aqui já é um sinal claro de qualidade. O resultado da final não deve desvalorizar a equipa que não vencer, tendo em conta o percurso que ambas fizeram. Para nós, esta final representa muito. Levar a Taça connosco seria um sentimento de justiça por tudo aquilo que vivemos. Ainda assim, não será o resultado desta final a marcar negativamente uma época que tem sido de excelência. Vamos trabalhar para sermos felizes», garantiu.

O técnico do Torreense já tem experiências em finais, o que pode ser muito importante. «Numa final, o rigor é sempre determinante. Sabemos que errar menos pode ser um fator decisivo e ambas as equipas terão isso bem presente. É fundamental manter o foco para evitar erros e, ao mesmo tempo, tentar provocar o erro no adversário. São projetos muito estáveis, com um conhecimento mútuo bastante aprofundado. Acima de tudo, é importante perceber os diferentes momentos do jogo. Não acredito que haja um domínio claro e contínuo. Numa final, é essencial saber lidar com o contexto, tanto no plano emocional como no plano estratégico», apontou, desvalorizando o que aconteceu na liga e elogiando o adversário.

«O campeonato é uma realidade diferente. Temos um histórico negativo frente a este adversário esta época, por isso estamos mais do que avisados. Sabemos das dificuldades que vamos encontrar. São equipas fáceis de caracterizar, mas muito difíceis de anular em jogo. O coletivo é muito forte, é uma equipa muito concentrada, letal e competitiva», afirmou. «São projetos que têm revelado estabilidade e consistência. De certa forma, mantêm-se semelhantes ao que foram na época passada, com objetivos e lutas idênticas. O grande mérito está no facto de nem sempre a realidade económica ditar quem vence. O sucesso passa muito pela planificação e pelo alinhamento em torno de um objetivo comum. Mais do que ter muitos recursos, é fundamental saber otimizá-los, mesmo em contextos adversos. O lado relacional também é muito importante e tem existido uma forte união e a capacidade de separar o lado profissional das relações pessoais. Uma boa organização, aliada a uma visão clara e aos recursos certos, aumenta a probabilidade de sucesso», atirou, passando a palavra.

«Significaria muito. Por trás desta taça está muito trabalho», começou por dizer Zé Nando. «É importante para enriquecer o currículo, mas gostava de valorizar sobretudo o projeto, as jogadoras e toda a família que nos rodeia. Há muito suor e muitas lágrimas em todo este percurso. Levantar a taça seria um prémio justo por tudo aquilo que temos vivido. Ainda assim, chegar aqui já é um grande feito», afirmou, trazendo Lionel Messi ao barulho.

«São duas equipas com uma ideia de jogo bem definida e princípios claros. Não há grandes surpresas. As características das jogadoras podem fazer a diferença, sobretudo se alguém estiver num dia inspirado. O Gonçalo [Nunes] conhece bem a nossa equipa, assim como nós conhecemos o Torreense. Numa final, não faz sentido mudar tudo. Chegámos até aqui com esta identidade e é assim que vamos disputar o jogo. Gostava que todas as jogadoras se transcendessem. O estado emocional pode ser um fator decisivo. A diferença pode estar aí. É fácil estudar estas equipas, mas difícil contrariá-las. Toda a gente sabe o que o Messi faz, mas a verdade é que ele acaba quase sempre por marcar», atirou.

O treinador do Valadares Gaia aproveitou também para falar do projeto do clube. «Sabemos que o futebol, seja masculino ou feminino, está num crescimento muito acelerado e reunimos pessoas competentes. O presidente e a direção têm feito um grande esforço para profissionalizar os departamentos. A partir daí, houve um alinhamento total entre todos. Muito do trabalho é invisível, mas acaba por aparecer. Reforçámos áreas como o scouting, o departamento médico e a profissionalização das jogadoras. Começámos a dar mais estrutura à equipa e os resultados começaram a surgir. Com bom alinhamento, planeamento antecipado e um scouting eficaz, os frutos aparecem. Somos um clube de dimensão mais pequena, mas trabalhamos como um grande. Há três anos decidimos dar esse salto e os resultados estão à vista. Trabalhamos para que as jogadoras se sintam profissionais e valorizadas», explicou, elogiando também o oponente.

«São duas equipas muito equilibradas, que estão a fazer uma excelente época e chegam muito motivadas. Temos andado na luta pelo 3.º e 4.º lugar. São duas equipas com identidade muito própria, fáceis de estudar, mas difíceis de contrariar. É uma final inédita, entre duas excelentes equipas, que vão dignificar o futebol feminino. Os jogos do campeonato nada têm a ver com uma final. Fomos regulares ao longo da época, mas uma final é uma final. No campeonato há margem para recuperar, aqui não. As jogadoras vão estar totalmente concentradas. O Torreense já mostrou ser uma equipa competente e estamos a preparar-nos para isso. É uma equipa muito organizada e, por isso mesmo, difícil de contrariar», concluiu.