Vive dias felizes, mas admite: «O meu sonho de criança é jogar no FC Porto»
Laura Luís abriu o livro em entrevista a A BOLA, na antecâmara da final da Taça da Liga entre o Valadares Gaia e o Torreense. Os seis golos em 22 jogos ao serviço das comandadas de Zé Nando adiam o final da carreira e podem reabrir a porta do sonho azul e branco.
— Já pensa no fim da carreira? No ano passado levantou a possibilidade de pendurar as botas já esta época...
— No ano passado estava disposta a isso. Neste momento, pela forma como me sinto fisicamente, com as lesões ultrapassadas e mentalmente mais forte, quero jogar pelo menos mais dois anos. É ano a ano e vamos pensando.
— É formada em Gestão Desportiva, mas também tem o curso UEFA B de treino desportivo. Que caminho é que é mais provável seguir no futuro?
— Adoro a parte da gestão. Só que estou mesmo com o bichinho de ser treinadora. Não principal, mas adjunta. Não consigo decidir neste momento, as duas motivam-me. Uma coisa é certa: tenho o objetivo de ser adjunta num campeonato sénior. Gosto mais da competitividade, do profissionalismo.
— Já admitiu publicamente o carinho que sente pelo FC Porto. Ainda pensa em representar o clube?
— Se este ano viesse uma proposta não podia esquecer o Valadares, é muito difícil. O meu sonho de criança é jogar no FC Porto e não posso escondê-lo. É sem dúvida o clube que ainda gostava de representar, nem que fosse um ano. No entanto, tenho um outro clube no meu coração que é o SC Braga. Acabar uma carreira no SC Braga é também algo que eu ambiciono. Em 2024 tive o convite do FC Porto, mas era para a terceira divisão e tinha dado a minha palavra ao Albergaria. Foi um risco, mas a minha palavra conta.
— Foi internacional portuguesa em 53 ocasiões, mas a última foi em 2019. Sente que o ciclo terminou cedo demais?
— Tinha pelo menos mais um ou dois anos pela frente. Foram opções. Fiz o luto da seleção, sofri imenso porque entrava em todos os jogos, mesmo que fossem 5 ou 10 minutos. Depois saí e não voltei. Custou-me bastante, demorei dois ou três anos para conseguir fazer o luto. Depois recentemente no Martímo [2023/24] houve um estágio com 30 atletas e sou pré-convocada. Mas estava mal do pé, tinha um toque. Acabei por não ser convocada, mas isso voltou a abrir uma página que não queria, já tinha aceitado que não fazia parte. Estava a fazer uma boa época e criei esperança que poderia ir àquele estágio. Consegui gerir mais facilmente. É algo que sonhamos até ao final da carreira, mas não é o objetivo principal, não quero ter essa ansiedade outra vez. Já tenho 33 anos e sei que é muito difícil.
— Nos últimos dois anos várias internacionais portuguesas deram o salto para o estrangeiro. Esta tendência reflete o crescimento do futebol feminino?
— O campeonato português está mais competitivo, os clubes dão mais condições, pagam melhor. Acho que saem pela experiência noutros países e por estarem algo acomodadas aqui depois de tantos anos. Ainda joguei com praticamente quase todas. Uma das mágoas que tenho é de nunca ter jogado com a Kika [Nazareth] na Seleção porque é muito o meu estilo de jogo.