Reportagem A BOLA com a adepta mais resiliente... e não é portuguesa

A canadiana caçadora de estrelas que mudou de vida por amor à Seleção

Mélanie Gagnon viaja pelo mundo e ‘persegue’ os hotéis onde ficam Ronaldo, Vitinha, Bruno Fernandes e companhia para colecionar abraços e fotografias com os seus maiores ídolos no futebol

DALLAS — Há quem escolha os hotéis de férias pela proximidade da praia, pela qualidade do pequeno-almoço ou pela tranquilidade do ambiente. Mélanie Gagnon, natural da província do Quebeque, no Canadá, tem um critério radicalmente diferente e muito mais focado: ela escolhe os hotéis onde a Seleção Nacional de Portugal decide montar o seu quartel-general.

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Esta adepta canadiana, que atualmente reside e trabalha no Luxemburgo, transformou a admiração pela equipa das quinas numa autêntica missão de vida. Segue o rasto da comitiva lusa por todos os continentes, quebrando barreiras linguísticas e geográficas para estar perto dos seus heróis.

A reportagem de A BOLA encontrou Mélanie precisamente num cenário que lhe é familiar, mas que agora serve de palco ao grande torneio mundial: as ruas de Toronto, antes de se mudar de armas e bagagens para Dallas. Trajada a rigor, vestindo com orgulho a camisola vermelha número sete, o seu rosto ilumina-se ao partilhar o álbum digital de recordações que carrega no telemóvel.

Mélanie, a canadiana que vive no Luxemburgo e se apaixonou por Portugal

«Eu sigo a Seleção portuguesa para todo o lado. Tento sempre ficar alojada nos mesmos hotéis que eles para conseguir cumprir este meu grande sonho de conhecer cada um dos jogadores», confessa Mélanie com um entusiasmo contagiante.

O plano estratégico de Mélanie exige uma logística militar e um investimento considerável, mas o resultado final está à vista de todos. A lista de astros do futebol mundial com quem já partilhou momentos, sorrisos e conversas rápidas nos corredores e átrios dos hotéis de luxo é simplesmente invejável.

As fotografias documentam encontros marcantes com as principais referências do futebol português. O capitão Cristiano Ronaldo, o experiente Pepe, o criativo Bernardo Silva ou o médio Bruno Fernandes são apenas alguns dos nomes que já pararam para aceder aos pedidos desta canadiana persistente.

«Eles são extremamente simpáticos e generosos com os adeptos. Quando percebem o esforço que faço para estar ali, do Luxemburgo até ao Canadá, dedicam-me sempre um momento», explica, orgulhosa do respeito mútuo que foi construindo com a comitiva.

A distância geográfica entre o Quebeque e Lisboa nunca foi um obstáculo para Mélanie. Pelo contrário, a mudança para a Europa central, devido à sua fixação no Luxemburgo — um país com uma forte e vibrante comunidade de emigrantes portugueses —, só veio encurtar os caminhos e intensificar a ligação afetiva com as cores nacionais.

Nas bancadas, Mélanie personifica a globalização do futebol português e o impacto cultural que vai muito além das fronteiras físicas do país Ibérico. Não é preciso ter sangue luso nas veias para sentir a mística que envolve a equipa de todos nós.

Com Portugal já em Dallas para disputar o crucial encontro dos oitavos de final diante da Espanha, o plano de viagem desta canadiana já está traçado. As malas voltam a fechar-se, os bilhetes de avião estão assegurados e, acima de tudo, a reserva no próximo hotel da Seleção já está confirmada.

Para Mélanie Gagnon, o Mundial de 2026 não é apenas uma sucessão de jogos de futebol de noventa minutos. É uma caça ao tesouro contínua, onde cada nova fotografia e cada autógrafo são troféus valiosos que justificam cada quilómetro percorrido nas estradas do mundo.

Se o caminho de Portugal rumo à grande final de Nova Jérsia promete ser longo e sinuoso, a Seleção sabe que, em cada paragem, no átrio de cada hotel, haverá sempre o sorriso cúmplice e o apoio incondicional de uma canadiana que adotou Portugal no coração.

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