Quercus contesta Volta a Portugal no Gerês e pede suspensão da etapa
A associação ambientalista Quercus manifestou-se esta terça-feira contra a autorização concedida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para a passagem da Volta a Portugal em bicicleta pela Mata de Albergaria, no Gerês. Em comunicado, a organização alerta que a decisão cria «um grave precedente» e que as medidas impostas não são suficientes para anular os impactos ambientais.
Apesar de o ICNF ter anunciado «fortes medidas de proteção da biodiversidade» para a etapa de quinta-feira, como a interdição ao público, a limitação de veículos de apoio e a exclusão de meios aéreos e sonoros, a Quercus considera que estas restrições não resolvem a questão central. O problema, defendem, é «a realização de uma competição desportiva de dimensão nacional, acompanhada por uma extensa comitiva e por toda a logística inerente ao evento, na área ecologicamente mais sensível do único Parque Nacional português».
A associação sublinha que a Mata de Albergaria, que integra áreas de proteção parcial tipo I e é ladeada por zonas de proteção total, «não é lugar» para a prova. «Se há área natural em Portugal que precisa, e merece, beneficiar de máxima proteção é esta Mata, um dos últimos redutos do nosso bosque original», argumentam os ambientalistas, que pedem a alteração do percurso.
A Quercus levanta ainda dúvidas sobre a compatibilidade da autorização com o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) e defende que a pressão turística e automóvel já existente deveria levar a uma redução do trânsito, em vez de justificar novos eventos de grande dimensão.
A decisão, segundo a associação, poderá «abrir as portas de áreas sensíveis a eventos similares».
Reconhecendo a importância da Volta a Portugal, a Quercus apela, no entanto, ao ICNF e à organização da prova para que retirem a passagem pela Mata de Albergaria desta e de futuras edições. A associação solicita também que a fundamentação técnica e jurídica que sustentou a autorização seja tornada pública para uma avaliação transparente.
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