Jan Bednarek aponta pecado da Polónia: «Há falta de comunicação»
A entrada em falso da Polónia na Liga das Nações — fruto de um empate sem golos diante da Bósnia e Herzegovina e de um desaire por 3-1 frente à Suécia — deixou a equipa no terceiro lugar do grupo, com apenas um ponto em dois encontros. O registo aprofunda um ano civil de 2026 discreto, no qual a seleção polaca conquistou apenas um triunfo em seis partidas, obtido frente à Albânia nas meias-finais do play-off de qualificação para o Mundial, antes de cair diante dos suecos.
No rescaldo da partida com a Suécia, Jan Bednarek surgiu na zona mista para fazer a radiografia ao momento da formação orientada por Jan Urban, que trocou o esquema de quatro defesas utilizado na ronda inaugural por um sistema com três centrais.
«Joga-se de forma completamente diferente com três ou quatro defesas e creio que todos temos essa noção. O selecionador toma as decisões e nós somos profissionais, temos de lidar com isso a este nível. Parece-me fundamental ter o adversário pela frente quando jogamos com uma linha subida. São aspetos que, após análise e reflexão, se conseguem corrigir com relativa facilidade», sustentou o defesa-central do FC Porto.
Para o internacional polaco, a falta de entrosamento defensivo ditou o desfecho: «Faltou comunicação. Se o Tymek Puchacz tivesse gritado ao Kiwi [Kiwior] que vinha alguém nas costas, teríamos resolvido a situação. Falta esse entrosamento, há jogadores novos, mudanças, e temos de atingir o nível máximo com maior rapidez.»
O jogador abordou ainda as dificuldades sentidas na finalização e no controlo dos lances de bola parada, setor no qual a Suécia capitalizou dois golos através do trabalho de Andreas Georgson, técnico que Bednarek bem conhece dos tempos no Southampton.
«Encontrámos bem os espaços entre linhas, foi difícil para a Suécia travar a nossa construção na primeira parte. Faltou um pouco de eficácia e mais tranquilidade no passe da ala para o centro. Chegamos à grande área e falta-nos agressividade. Gyokeres teve um cruzamento e transformou-o em golo. Mais uma vez, são os pequenos detalhes, as pequenas coisas em que a Suécia foi superior», avaliou o central.
A propósito das bolas paradas adversárias, Bednarek recordou a passagem pelo futebol inglês: «Sim, ele é, por assim dizer, um fanático pelas bolas paradas e, quando trabalhávamos com ele, dizia que 25% dos golos no futebol atual surgem através de esquemas táticos. Penso que eles têm noção disso. Temos de tirar ilações. Parece-me que, defendendo à zona, podemos destacar alguns jogadores para marcação direta, de modo a bloquear as movimentações deles. São pequenas coisas, pequenos detalhes, mas que podem ajudar os jogadores que estão na zona a ganhar balanço e atacar a bola. Somos perfeitamente capazes de corrigir isto e evoluir enquanto equipa.»
Olhando para o futuro imediato, a Polónia volta a entrar em campo na sexta-feira, às 19h45, frente à Roménia, no PGE Narodowy. Um duelo crucial que o defesa prefere desdramatizar em termos de pressão.
«Não vale a pena criar uma pressão desmedida dizendo que é o jogo de todas as decisões. É um jogo que vale três pontos e é nisso que temos de focar-nos. Queremos juntar o melhor dos dois jogos: contra a Bósnia estivemos muito bem a nível defensivo, e com a Suécia criámos ocasiões e construímos jogo. O segredo passa por reunir tudo isso e fazer uma partida completa. Espero que este terceiro jogo nos seja favorável e possamos dar muitas alegrias aos nossos adeptos», rematou.