Volta a Portugal: Johansen, o dinamarquês imbatível no crono, Guerin segura amarela
«Estou mesmo muito contente por ter conseguido esta vitória. Era este o meu objetivo para a Volta a Portugal. Depois da vitória no prólogo, também queria ganhar uma etapa e hoje provei que sou igualmente capaz de o conseguir em contrarrelógios mais longos. Era um percurso exigente, não sabia bem o que esperar e como deveria arriscar, mas acabou por ser uma bela vitória», declarou Julius Johansen (UAE Team Emirates) à RTP.
Tal como acontecera no prólogo em Lisboa (6,5 km), o dinamarquês voltou a ser o mais rápido em contrarrelógio ao necessitar de apenas 21.13,55m para cumprir os 17,4 km que ligaram Anadia — com o Velódromo de Sangalhos a ser o palco da partida — a Águeda. Tiago Antunes (Efapel), a 30,13s do vencedor, e Axel van der Tuuk (Euskaltel-Euskadi), a 35,55s, ocuparam os restantes lugares do pódio.
«Há dois anos [pela Anicolor-Sabugal], fiquei no segundo lugar no prólogo e no contrarrelógio da Volta. É sempre necessário tomar algumas decisões em relação ao equipamento e todos os pormenores contam. Depois depende da performance, e hoje estive bastante bem. Geri algumas subidas, noutras fui a fundo. Ainda consegui fazer um pouco melhor, mas estou bastante satisfeito com a minha prestação e com esta dupla vitória», referiu ainda Johansen, de 26 anos, que é 64.º da geral (+26.29m). Quanto aos próximos objetivos, o nórdico sabe bem qual é a missão: «Vamos trabalhar muito para o Adrià Pericas vencer a Volta a Portugal. Teremos agora um dia de descanso para preparar a última semana».
Com 39,07s de atraso, o vencedor da Volta a Portugal nas duas últimas edições, Artem Nych (Anicolor/Campincarn), esteve entre os primeiros, como se esperava, ao alcançar o quarto tempo da tirada, mas não o suficiente para o russo destronar do topo da classificação geral o francês e colega de equipa Alexis Guerin (Anicolor/Campincarn), que completou a distância a 53,33s (8.º).
Guerin (16.39,31h) segurou a liderança da corrida com 1.09m de vantagem face a Nych — na véspera ficara com 1.26m — e 1.51m sobre Tiago Antunes. Seguem-se na classificação José Fernandes (Gi Group Holding, +2.03m), Adrià Pericas (UAE Team Emirates, +2.24m) e Emanuel Duarte (Credibom, +2.26m).
«Fiz um bom crono. Perdi algum tempo numa curva, mas estou contente com o meu tempo. Dei o meu melhor. O Artem é melhor do que eu no contrarrelógio, assim como o Johansen», reconheceu Alexis Guerin, de 34 anos, que espera conseguir manter a vantagem nos próximos dias após o descanso desta terça-feira, com o pelotão a regressar à estrada na quarta-feira, para a 6.ª etapa, que ligará o Europarque, em Santa Maria da Feira, ao Peso da Régua, num total de 132,6 km.
«No ano passado, fiquei em segundo, atrás do Artem. Agora estou em primeiro. Estou muito contente. Entendo-me muito bem com ele. Temos uma equipa em que não somos só colegas, mas também amigos. Todos os corredores sabem porque estão na Volta. Eu e o Artem queremos ganhar, mas também estamos preparados para trabalhar para o outro, quando é necessário. O Tiago Antunes está a 1.52m. É muito, mas pode ser pouco. Temos cinco etapas. É importante ter cuidado. A Volta vai terminar no Porto. Não terminou ontem», vai contando, recordando a brilhante vitória na Torre, no domingo, que o deixou na liderança.
«Temos só um objetivo: a amarela. Nas próximas etapas, se um corredor com uma diferença de 15 minutos ganhar, não é problema para nós. Uma equipa que queira vencer a etapa vai para a fuga ou vai tentar anular a fuga. Todas as tiradas são importantes. Podemos perder a Volta em qualquer etapa. É importante ter cuidado, atenção, concentração, dormir bem e comer bem».
O contrarrelógio provocou, no entanto, alterações significativas na geral, com os especialistas em subidas a tarem desempenhos contrastantes. José Neves (GI Group Holding-Simoldes-UDO) conseguiu defender-se num terreno que não lhe é favorável, terminando em 9.º (+59s).
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