Ceferin 'ataca' Infantino: clubes europeus querem substituir a FIFA
A tensão entre o futebol europeu e a FIFA subiu esta terça-feira de tom. Aleksander Ceferin lançou um ataque particularmente duro a Gianni Infantino, numa intervenção na Assembleia Geral dos European Football Clubs (EFC), em Copenhaga, enquanto Nasser Al-Khelaifi anunciou a intenção de criar um novo organismo mundial para representar os clubes.
O presidente da UEFA recorreu a uma conhecida história de Hans Christian Andersen para criticar a liderança de Infantino e o projeto FIFA Forward Enterprise, entretanto abandonado, que previa a entrada de investidores privados nos direitos comerciais da FIFA. «Há quase 200 anos, escreveu [Hans Christian Andersen] A Roupa Nova do Imperador. Todos conhecemos a história. Um imperador é convencido de que veste roupas magníficas, que apenas os tolos ou incapazes não conseguem ver», começou por dizer.
«A corte acompanha-o até que uma criança simplesmente diz em voz alta aquilo que todos conseguem ver. O imperador está nu.»
As críticas do dirigente esloveno estão relacionadas, em grande parte, com a gestão dos direitos comerciais da FIFA e com questões de transparência.
«Imaginem um dos vossos principais executivos a negociar secretamente um dos vossos maiores patrimónios, sem que o conselho, os jogadores e os adeptos saibam. Quando descobrissem, o que faria o vosso conselho?», questionou.
Ceferin foi ainda mais longe: «Quantas vezes isso teria de acontecer nos vossos clubes antes de o conselho dizer basta? É hora de dizer basta. Nenhuma política ou quantidade de poder dá a ninguém o direito de vender o futebol.»
A declaração surge depois da forte oposição ao projeto da FIFA para vender uma participação nos seus direitos comerciais a investidores privados. A proposta acabou por ser retirada, mas deixou ainda mais expostas as divergências entre a FIFA e várias entidades do futebol europeu.
«É a hora de criar os Clubes de Futebol do Mundo»
No mesmo encontro, Nasser Al-Khelaifi, presidente da EFC e do PSG, anunciou uma nova iniciativa: a criação dos Clubes de Futebol do Mundo, um organismo que pretende representar clubes de todo o planeta em conjunto com as seis confederações continentais.
«É por isso que agora é a hora de criar os Clubes de Futebol do Mundo. Porque todos os clubes do mundo merecem ser representados, ter voz e uma melhor oportunidade de ter sucesso», defendeu Al-Khelaifi.
«É realmente triste ver a situação hoje. Em vez de melhorar o nosso jogo, estamos a desperdiçar o nosso tempo a lidar com problemas e questões. O futebol funciona quando nos ouvimos uns aos outros. Quando somos transparentes entre nós. Mas, acima de tudo, quando somos honestos», afirmou.
O EFC representa atualmente mais de 900 clubes e tem vindo a reforçar a sua influência junto das instituições do futebol europeu. A proposta de criar uma estrutura de dimensão mundial poderá agora abrir uma nova frente na disputa pelo poder e pela representação dos clubes.