Quem é o outro Mora genial que aos 16 anos aspira a três Mundiais em nove meses?
Rodrigo Mora continua a ser motivo de discussão em Portugal pela diminuta utilização ao serviço do FC Porto, mas há um outro, ainda mais novo, que mobiliza enorme interesse do outro lado do Atlântico. Gilberto Rafael Mora Zambrano, nascido a 14 de outubro de 2008 em Tuxtla Gutiérrez, no México, é um dos nomes que mais rapidamente se afirmaram no futebol do país azteca. Com apenas 16 anos, o médio ofensivo do Club Tijuana poderá entrar para a história ao participar, em menos de um ano, em três competições mundiais organizadas pela FIFA, algo inédito no futebol moderno.
Gilberto Mora começou a reclamar atenção ainda nas camadas jovens do Tijuana, clube onde se formou e pelo qual se estreou na Liga MX em agosto de 2024. Nessa ocasião, entrou aos 72 minutos e assinou uma assistência. Duas semanas depois, assinou o primeiro golo no campeonato, tornando-se o jogador mais jovem a marcar na história do escalão principal. O impacto imediato levou-o aos AA. Em janeiro de 2025, o selecionador Jaime Lozano chamou-o para um encontro particular frente ao Internacional de Porto Alegre, o que o tornou no mais jovem internacional da história dos aztecas. Poucos meses mais tarde, participou na Gold Cup de 2025, competição que o México venceu, consolidando o estatuto do jovem como uma das maiores promessas da América do Norte.
O caso de Gilberto Mora volta agora a ganhar destaque devido ao calendário internacional. O México garantiu presença no Mundial Sub-20, que já decorre no Chile, e no Mundial Sub-17, que terá lugar no Qatar entre novembro e dezembro. Mora tem sido uma das figuras na América do Sul, com três golos e uma assistência em três encontros realizados — e ainda 10 passes decisivos e 9 dribles em 13 bem sucedidos —, e todos os olhos estarão em cima de si em Valparaíso, na partida dos oitavos de final desta terça-feira diante da seleção local.
Pela idade, Mora está elegível para os sub-17 e, de acordo com a imprensa mexicana, é intenção da federação que integre também a equipa nacional mais jovem, dada a sua influência técnica e maturidade competitiva. A isto soma-se a possibilidade, ainda remota mas não descartada, de vir a ser incluído na lista para o Mundial de 2026, do qual o México será um dos anfitriões. Se tal acontecer, Mora seria o primeiro jogador a participar em três Copas do Mundo — Sub-20, Sub-17 e sénior — num espaço de aproximadamente nove meses.
Apesar do entusiasmo, a presença do jovem nas três frentes dependerá das opções dos selecionadores e da sua própria condição física. A federação mexicana tem procurado gerir com prudência a ascensão do jogador, que ainda divide o tempo entre as competições de formação e o plantel principal do Tijuana. Em qualquer caso, a trajetória precoce já o colocou no radar dos grandes clubes europeus, com meios espanhóis a apontarem o Real Madrid como o destino preferido do médio, e os ingleses a reclamar que também o Manchester United anda atento.
A confirmar-se o cenário de tripla presença em Mundiais, Gilberto Mora tornar-se-ia num símbolo de uma nova geração de futebolistas mexicanos, capazes de romper fronteiras etárias e projetar o país num patamar competitivo sem precedentes. Por agora, o adolescente que estreou-se profissionalmente há pouco mais de um ano continua a acumular recordes e a desafiar a cronologia do futebol moderno.