Quando Lito Vidigal tramou o FC Porto com golo recorde, no mítico jogo da 'fífia' de Maicon
É verdade que o histórico ainda é curto, mas o que já existe diz que o FC Porto é imponente em embates caseiros com o Arouca.
Dragões e lobos já se defrontaram dez vezes em jogos oficiais no reduto do portista: nove na Liga e um na Taça de Portugal. A primeira partida foi em 2014, com os anfitriões a saírem vencedores (4-1), com um bis de Ricardo Quaresma, um tento de Carlos Eduardo e outro de Jackson Martínez. Rui Sampaio marcou para os forasteiros.
Desde essa receção na edição 2013/14 do campeonato, os portistas contam sete vitórias, um empate e uma derrota. Deste registo, salta à vista o único triunfo arouquense no Estádio do Dragão, a interromper a tal imponência azul e branca sobre os amarelos. Aconteceu a 7 de fevereiro de 2016 e Lito Vidigal era o treinador dos lobos.
Em conversa com o nosso jornal, a recordar esse encontro memorável, o técnico de 57 anos começa por generalizar e lembrar a temporada «histórica» levada a cabo pela sua equipa, que terminou em quinto lugar: «Foi uma época histórica, em que, na altura, alcançámos o melhor registo do clube no campeonato e no ano seguinte tivemos a oportunidade de competir na Liga Europa.»
O timoneiro conta que a equipa encarava todos os duelos com a mesma ambição — vencer — e, detalhando, explica foi esse o segredo para o brilharete na Invicta: «A mentalidade que incuto nas minhas equipas é de que todos os jogos são para ganhar, independentemente do adversário. Com uma boa estratégia, há sempre possibilidade. Claro que pode ser menor contra equipas com mais qualidade, mas é sempre possível. Foi essa a mensagem que passei aos jogadores.»
«O plano tático não mudou muito em relação àquilo que vínhamos fazendo. Jogámos da mesma forma e mantivemos a nossa ideia», especifica, constatando que foi essa identidade que levou a equipa ao quinto lugar, com 54 pontos, ficando só atrás de SC Braga (quarto), FC Porto (terceiro), Sporting (segundo) e Benfica (primeiro).
Golo em tempo recorde
Lito Vidigal evoca também o tento de Walter González que pôs os arouquenses em vantagem logo aos… dez segundos. É, até hoje, o remate certeiro mais rápido de sempre naquele recinto: «Fizemos golo na saída de bola, num lance trabalhado, não foi por acaso e isso favoreceu-nos. Depois, o FC Porto empatou [por Aboubakar, aos 14’], mas fomos atrás e conseguimos fazer o 2-1 já na segunda parte.»
Voltaria a ser Walter González, aos 66’, a fazer abanar as redes portistas defendidas — à data — por Iker Casillas. «O Walter tinha chegado há pouco tempo e tinha-lhe dito que poderia surpreender, porque ninguém conhecia a sua forma de jogar e rapidez. Foi o que aconteceu», salienta.
«De qualquer forma, essa não foi a única vez que ganhei no Dragão», lembra o timoneiro, que foi lá vencer com o Marítimo em 2019/20 também numa… terceira jornada, como aquela que está aí à porta e porá FC Porto e Arouca frente a frente quando forem 20h30 de domingo.
«A Liga começou agora e alguns candidatos ao título já perderam pontos. O FC Porto vai querer adiantar-se ou manter as diferenças. Por isso, será um jogo mais difícil para o Arouca», antevê Lito Vidigal, que, neste momento, está «de férias [risos]». «Não tenho recebido propostas interessantes que justifiquem voltar a treinar», comenta.
O erro de Maicon que o Dragão não perdoou
Mais do que a vitória do Arouca, esse encontro ficou marcado pela despedida (sem ninguém o prever) inglória de Maicon do Estádio do Dragão. O tribunal das Antas não perdoou o central (e capitão!), culpabilizando-o pelo segundo golo dos lobos.
O brasileiro fazia o jogo número 190 (e último…) pelos azuis e brancos quando, ao minuto 66’, tentou fazer um túnel a Walter González em zona proibida. O avançado paraguaio recuperou a bola e, perto da baliza, bastou chegar-se alguns metros à frente para disparar para o 2-1.
Os adeptos logo fizeram sentir o desagrado e não pouparam nos assobios ao seu central, que estava na sétima época de FC Porto. O jogador ter-se-á lesionado na coxa esquerda nesse lance e deu o alerta de imediato, ficando no chão enquanto os adversários festejavam e os companheiros… reprovavam aquela abordagem.
O experiente defesa foi substituído logo a seguir, continuando a ser muito vaiado. Era o fim de linha no emblema portuense.
Maicon acabou por transferir-se para o São Paulo naquele mês de fevereiro. Em junho do mesmo ano, quebrou o silêncio e revelou numa entrevista que havia entrado para aquele fatídico inapto fisicamente: «Disse que não queria jogar porque tinha dores de uma lesão que tinha tido. Mas disseram-me que não, que no jogo me ia sentir melhor.»
«Tive a infelicidade de tentar driblar um adversário e nesse exato momento senti um espasmo, uma contratura na coxa, que me travou. Se soubessem toda a história, acredito que aquelas 50 mil pessoas que me vaiaram estariam a aplaudir-me», acrescentou, com lamento.