Bernardo Pires analisa desaire no dérbi: «Ficámos emocionalmente feridos»
O treinador do Sporting, Bernardo Pires, destacou o peso que o início do derradeiro período teve no rumo da partida na Luz, frente ao eterno rival Benfica, numa fase em que o equilíbrio dominava as operações: «Inevitavelmente, quando a vantagem passa de três ou quatro pontos para dez, num jogo a este nível e que estava a ser disputado posse de bola a posse de bola, criar essa almofada no início do último quarto pode fazer a diferença. Hoje fez a diferença para o Benfica, mas se nós tivéssemos tido a mesma almofada emocional poderia ter gerado o mesmo para a nossa equipa.»
Além do fosso pontual, o técnico enumerou os fatores táticos e psicológicos que pesaram no desfecho: «Há dois pontos a ter em consideração. O primeiro, inevitavelmente, é o distanciamento [conseguido pelo Benfica] e a gestão emocional a seguir a esse momento, porque somos pessoas e perante a adversidade e a frustração precisámos de alguns momentos para nos recompor. A seguir, em termos mais táticos e estratégicos, a questão das faltas e o atingir do bónus rapidamente faz com que a nossa defesa fique mais permeável. Acaba por ser uma dupla-penalização: ficar emocionalmente feridos num jogo que estava a ser disputado posse de bola a posse de bola e, depois, alguma impotência visto que não podíamos subir de forma tão agressiva a defesa.»
Apesar do resultado negativo, Bernardo Pires sublinhou a margem de crescimento de um plantel e de uma equipa técnica em fase de integração: «Acredito que sim, porque o grupo é novo e nós [equipa técnica] somos também novos na estrutura. Uma entrada num clube desta dimensão requer muito mais do que treinar a equipa durante a semana e representá-lo ao fim-de-semana. Requer aprendizagem de processos, de estrutura e neste momento toda a secção está em reconstrução, o que vai levar o seu tempo.»
«Foram dois fins-de-semana em que demonstrámos quão preparados estamos, que estamos quase lá e, depois, fruto da fadiga e da gestão das emoções acabámos por prevaricar nos momentos finais. Com o tempo, isso poderá ser diluído e o grupo terá condições para fechar o jogo de forma mais adulta e capaz», rematou o treinador.