Barbero tem uma história curiosa: o nome é na realidade uma alcunha - Foto: Imago
Barbero tem uma história curiosa: o nome é na realidade uma alcunha - Foto: Imago

As tesouras, a alcunha e os golos: a história do 'Barbero de Arouca'

Iván Martínez Gonzálvez cresceu numa família de barbeiros em Roquetas de Mar, herdou o ‘nome de guerra’ e transformou-o numa marca. Leva dois golos em duas jornadas e prepara um corte especial para o campeão

Há um nome no Arouca sublinhado a traço grosso por Francesco Farioli e pela linha defensiva do FC Porto: Iván Barbero. O ponta de lança soma dois golos nas duas primeiras jornadas e foi fundamental nos triunfos da turma de Vasco Seabra sobre o V. Guimarães (1-0), no Castelo, e na goleada imposta ao Moreirense (4-0), no passado domingo. O fio da lâmina de Barbero está afiadíssimo, mas como será o corte frente a um grande — neste caso, o campeão nacional?

A pergunta é feita a um jogador que percebe do ‘métier’, ou não fosse Barbero... uma alcunha, e não o seu verdadeiro nome. Nascido há 27 anos na cidade piscatória de Roquetas de Mar, na costa de Almeria, Iván Martínez Gonzálvez cresceu no meio de tesouras, pentes e conversas, também elas por vezes afiadas e capazes de desanuviar o ambiente. O avançado, que nem era para ser avançado — já lá vamos —, também escapou ao destino que a herança familiar parecia traçar-lhe: ser barbeiro, pois claro.

O bisavô José e o avô José Alfonso eram barbeiros em El Parador, localidade da zona de Roquetas de Mar. O ‘nome de guerra’ passou depois para José Antonio Martínez, pai do jogador, antigo guarda-redes com passagem pela formação e pela equipa principal do Osasuna, onde Barbero — o do Arouca — chegou a sénior, após concluir a formação no Almería. Muito em comum, menos a posição no terreno. Mas... até isso tem uma história.

José Antonio queria jogar como avançado, mas acabou na baliza porque era a posição que ninguém queria ocupar. Já Iván começou por experimentar a baliza, incentivado pelo pai, mas depressa descobriu que queria ter a bola nos pés e atacar. Assim, a família que vinha de barbeiros e que teve um guarda-redes acabou por regressar ao sonho ofensivo através do atual ponta de lança do Arouca.

A alcunha vem de família, da profissão do meu bisavô e depois do meu avô, que se dedicavam à barbearia; por isso, na aldeia ficou a alcunha de Barbero. O meu pai chegou a ser futebolista

«A alcunha vem de família, da profissão do meu bisavô e depois do meu avô, que se dedicavam à barbearia; por isso, na aldeia ficou a alcunha de Barbero. O meu pai chegou a ser futebolista, também ficou com essa alcunha, e eu também a mantive», contou Iván, numa entrevista de abril de 2024 ao DXT Campeón.

Caiu o 'Barberillo'

Ainda mais curioso: no arranque da carreira, Iván era tratado por ‘Barberillo’, por ser o mais novo da família. Com o crescimento e a afirmação no futebol, deixou cair o diminutivo e assumiu Barbero como nome desportivo, que passou a exibir nas camisolas.

Contratado no verão de 2025 ao Deportivo da Corunha, por duas temporadas, o avançado passou a primeira metade de 2025/26 sem marcar na Liga. A resposta surgiu na segunda volta: assinou sete golos em 16 jogos, afirmando-se como peça decisiva na recuperação classificativa da formação arouquense e prolongando essa influência no arranque da presente temporada. Qu

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