O Arouca está imparável neste arranque de campeonato: dois jogos, duas vitórias - Foto: JOSÉ COELHO/LUSA
O Arouca está imparável neste arranque de campeonato: dois jogos, duas vitórias - Foto: JOSÉ COELHO/LUSA

Um (Marac)ás traiçoeiro guiou o caminho do lobo (crónica)

Capitão dos cónegos está longe de ser o culpado pela derrota da equipa, mas foi o seu autogolo a dar o mote para o triunfo arouquense. Quando uma matilha vê rastilho de traição, já se sabe que não há retorno

Poderá o feitiço de um ás virar-se contra o feiticeiro? De facto, sim, e não é só nos jogos de cartas.

Maracás foi a única novidade no onze dos minhotos, em relação ao encontro da primeira jornada diante do SC Braga (2-2). A expetativa quanto ao regresso do capitão (que rendeu Kevyn) era alta, depois de ter estado afastado da jornada inaugural devido a um castigo relativo à época passada.

Contudo, para grande azar — não só do próprio jogador, como da equipa — foi o central a abrir o marcador com um autogolo… Orest Lebedenko cruzou rasteiro pela esquerda, Iván Barbero não chegou, mas nem precisou... Foi Maracás a empurrar para dentro da baliza. André Ferreira ainda tentou evitar, mas nada pôde fazer, após ser traído pelo defesa.

Cheirou a aleivosia? Então claro que os traiçoeiros supremos da Serra da Freita apareceram ainda com mais força. Sem dó nem piedade, os lobos foram para cima dos cónegos que não resistiram à força (e fome insaciável) desta matilha.

O segundo golo chegou à meia hora de jogo. Depois de tanta carambola (em que o tento esteve sempre à vista), na área minhota, após um pontapé de canto estudado, Jose Fontán conseguiu mesmo meter o esférico dentro da baliza.

Depois (36’), Djouahra também quis fazer golo (e bem merecia), mas falhou o alvo, após um remate de fora de área. O extremo não marcou, mas serviu a seguir. Em cima do intervalo, o tecnicista fez um cruzamento de trivela delicioso, pela esquerda, e Iván Barbero, que estava à boca da baliza, só teve de cabecear para o 3-0.

Não há receio em dizê-lo: como se percebe, o Arouca massacrava o Moreirense. Os comandados de Vasco Seabra resolveram o que tinham para resolver na primeira parte e na etapa complementar bastou gerir. Ainda assim, os arouquenses ainda conseguiram chegar a novo tento, já para lá do minuto 90. Djouahra aproveitou um mau passe de Michael Dacosta, recuperou a bola atrás do meio-campo, correu a alta velocidade até à área e serviu com grande precisão Dylan Nandín, que fechou a contagem.

Resultado exagerado? Não. Tendo em conta as oportunidades criadas pelos lobos e a passividade dos cónegos, até podiam ter sido mais — facto reconhecido por Vasco Botelho da Costa no final da partida.

O Arouca é líder do campeonato, com duas vitórias, cinco golos marcados e zero sofridos.

Melhor em campo: Djouahra

Já começam a faltar palavras para descrever este... craque! Semana após semana (sim, já no ano passado era assim), mostra que é a estrela da companhia e até que está talhado para outros voos. No final do encontro, Vasco Seabra afirmou que o jogador, «às vezes, precisa de carinho, porque leva muito nas orelhas» do próprio, mas pelo que faz em campo nunca se consegue perceber porquê...

As notas dos jogadores do Arouca: De Arruabarrena (5); Tiago Esgaio (6), Javi Sánchez (5), Jose Fontán (6) e Orest Lebedenko (6); Espen van Ee (6) e Taichi Fukui (7); Alfonso Trezza (5), Lee Hyunju (6) e Djouahra (8); Barbero (6); Dylan Nandín (6), Gozálbez (5), Brian Mansilla (5), Pedro Santos (5) e Mateo Flores (5)

A figura do Moreirense: João Veloso

Tal como já tinha feito no encontro frente ao SC Braga (2-2), em que saltou do banco para dar o empate aos cónegos, o médio-ofensivo foi lançado logo ao intervalo com a esperança de que pudesse mexer com o jogo. O centrocampista tem uma boa chegada à área e aos 61’ ameaçou o golo com um remate de cabeça, após cruzamento pela direita. A bola saiu ao lado, mas não por muito.

Vasco Seabra, treinador do Arouca

É uma entrada fantástica na Liga. Em Guimarães não tivemos tanta qualidade na frente, mas hoje [ontem] sim. Fizemos uma primeira parte fantástica, com muita intensidade e ritmo. É continuar a trabalhar, porque ainda temos muito para fazer.

Vasco Botelho da Costa

O treinador do Arouca foi melhor do que eu. Preparou melhor o jogo e sobrepôs-se. Há muitos bons treinadores na nossa Liga. Os jogadores do Arouca eram rápidos, os nossos lentos e até podíamos ter sofrido mais golos. Temos de crescer.

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