Jesus no Portugal-País de Gales - Foto: Miguel Nunes
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«Nem Ronaldo brinca com Jesus»: ingleses ‘descobrem’ JJ

Desentendimento entre o capitão e o selecionador de Portugal deu a conhecer o treinador de 72 anos ao mundo, desde a passagem pelo Benfica ao impacto no Brasil

O caso bem conhecido em torno de Cristiano Ronaldo e da Seleção de Portugal ganhou proporções internacionais, colocando também o nome de Jorge Jesus nas bocas do mundo. Assim, os ingleses do The Athletic foram descobrir o percurso do selecionador nacional e chegaram a uma conclusão: «Ninguém, nem mesmo Cristiano Ronaldo, brinca com Jorge Jesus.»

É esse o destaque do artigo, que apresenta o percurso do treinador. «Caso o atual selecionador de Portugal venha a ser recordado sobretudo como o homem que colocou um ponto final no percurso internacional do avançado de 41 anos, será uma visão redutora tanto dos acontecimentos recentes como do seu vasto currículo desportivo.»

Jesus é descrito pelos ingleses como sendo «exigente, meticuloso na tática e convicto dos seus princípios» e, sobretudo, como alguém que «mantém uma liderança assente numa autoridade inegociável».

«Vão jogar o dobro»

A famosa frase proferida por JJ na apresentação enquanto treinador do Benfica, em 2009, também é destacada. «Os jogadores vão jogar o dobro do que jogaram na época passada. E talvez até melhor do que isso», escreve-se, antes de destacar outra história relevante.

«A autoridade ficou demonstrada logo no primeiro dia de trabalho na Luz, num treino sob sol intenso em que retirou a geleira com água habitual, repreendendo severamente os atletas que tentaram deslocar-se aos balneários e deixando claro que só ele determinava os tempos e as regras da equipa. O impacto traduziu-se em títulos imediatos: conquistou o campeonato na época de estreia, quebrando um jejum de cinco anos, e até 2015 acumulou três Ligas, uma Taça de Portugal e cinco Taças da Liga.»

Impacto no Brasil 

«Não é exagero dizer que o Brasil se apaixonou por Jesus», destaca depois o The Athletic, acerca da passagem de JJ pelo Flamengo, onde se sagrou campeão nacional e sul-americano: «As suas táticas — ousadas, intensas, modernas — deram origem a alguns dos melhores momentos de futebol que o país viu nos últimos anos. Os seus jogadores também o idolatravam, percebendo rapidamente que a sua obsessão pelos detalhes e pelo domínio dos treinos era algo de novo no futebol brasileiro.»

Confrontos com jogadores

As palavras de Jorge Jesus para Carlos Martins em 2012/13 - «Se eu o quisesse escolher, tê-lo-ia escolhido» — e sobre Islam Slimani, já no Sporting, em 2016 — «O que Slimani diz vale zero porque quem manda sou eu» — também são recordadas para destacar que o treinador apresentou-se na Seleção igual a si mesmo.

«Se a Federação Portuguesa de Futebol estava a contratar Jesus, o vencedor em série, ou Jesus, o visionário, sabia que também estava a contratar este Jesus. Na sua primeira conferência de imprensa, em julho, ele afirmou que “não terá medo de enfrentar ninguém”, uma frase que, na altura, suscitou alguma surpresa e que agora soa incrivelmente carregada de significado», enaltece o prestigiado órgão inglês.

«Ou Ronaldo cede, ou Jesus sai»

Concluindo, o The Athletic analisa assim o caso entre Ronaldo e Jesus: «Se Jesus é culpado de alguma coisa, é apenas de se manter fiel aos seus princípios — e de defender o seu direito de o fazer em público.»

«Ainda poderá ser possível algum tipo de aproximação», continua, «No entanto, será Ronaldo quem terá de ceder. Ou isso, ou Jesus acabará por sair. Para ele, não há meio-termo. Seria uma traição a tudo aquilo que ele acredita.»

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