CR7: o elefante continua na sala
A cara de quem ganha nunca é igual à cara de quem perde. Esta é uma — entre várias e mais ricas do que achamos — das máximas de futebolês que aprendemos quando entramos neste mundo. Podemos reservar para mais tarde outros exemplos.
Jorge Jesus tem absoluta razão quando afirma que só as vitórias alimentam os bons momentos de um treinador e de uma equipa.
Felizmente para Jesus, mas sobretudo para Portugal, a Seleção venceu com categoria na Dinamarca e está no bom caminho para os quartos de final da Liga das Nações, que já conquistou duas vezes, com os mal-amados Fernando Santos e Roberto Martínez.
Vinte e quatro horas, contas por alto, depois de o maior símbolo de sempre do futebol português ter abandonado o estágio da Seleção, uma boa exibição e três pontos bastaram para que essa parecesse uma nota de rodapé. Não é, e não vai ser. E as ondas que vão também voltam, quem sabe coisas sobre o mar percebe esta dinâmica.
É relativamente fácil limitar perguntas nas conferências de imprensa, até porque tudo sucede em direto e sem tempo para grandes desvios. Ainda assim, Jesus quis responder a uma questão técnico-tática colocada fora da ordem de trabalhos e, se não tivesse sido impedido, ia responder à segunda, por acaso a mais interessante, sobre a obra de arte que foi o quarto golo.
Percebe-se que para Jesus e a FPF (em parte) o mais importante sejam os jogos, o de ontem e o de domingo. Afinal isto anda tudo a reboque de resultados.
Mas os portugueses sabem o que lhes interessa discutir nesta altura. E isso não é, seguramente, a prestação técnico-tática da Seleção.
Evidentemente ficamos, de forma geral, satisfeitos pelas três vitórias em três jogos. E vamos gostar de estar na fase das decisões da Liga das Nações se essa presença se confirmar. Mas precisamos, todos, de explicações para a saída de Cristiano Ronaldo do estágio, para aquilo que parece ter sido um adeus definitivo à Seleção do — repito — maior e mais impactante símbolo de sempre de Portugal. Sim, escrevi Portugal e foi de propósito.
Uma vitória por 4-2 na Dinamarca não é feito de menorizar, e a exibição foi suficientemente boa e segura para descansarmos quanto à parte desportiva.
Não finjam, porém, que o elefante saiu da sala. Não foi por ter ganho ontem que a Seleção conquistou o interesse das pessoas nestes dias. É pena, mas é assim.
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