Cristiano Ronaldo e Pedro Proenca, Presidente da FPF, na Cidade do Futebol, em Oeiras. FOTO: Miguel Nunes/A BOLA
Cristiano Ronaldo e Pedro Proenca, Presidente da FPF, na Cidade do Futebol, em Oeiras. FOTO: Miguel Nunes/A BOLA
Adicione A BOLA às suas preferências do Google

Proença, Ronaldo (e Jesus): os bastidores, após o Dragão

Não é só o presidente da Federação que se tem de preocupar com a dimensão da imagem de Cristiano Ronaldo

A o assumir a presidência da Federação, Proença herdou o peso da despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção. Mas aquilo que podia ser mais uma exaltação de um líder, com todo o aparato que Ronaldo merece e que Proença potenciaria, passou a dor de cabeça gigantesca, com repercussões relevantes. Porém, não pode ser apenas preocupação do líder da FPF. O jogador e os seus conselheiros também o devem pensar.

Ninguém tem dúvidas do peso da imagem de Cristiano Ronaldo. Vivemos num mundo em que a atenção é dominada pelas individualidades e não pelas instituições. O que constitui um problema para a federação, neste caso. Trocando aquela ideia para a nossa realidade, Cristiano Ronaldo tem uma mediatização exponencialmente maior que a federação portuguesa, impacta mais pessoas, gera mais dinheiro.

O afastamento definitivo do capitão em tom de litígio significa, na prática, uma desvalorização imediata da FPF. Ela aconteceria sempre, uma vez que Ronaldo deixaria de jogar a certa altura? Aconteceria, mas não com o negativismo de um conflito associado e que impacta junto do adepto comum.

A afeição do adepto, sobretudo o estrangeiro, pode muito bem continuar sem Ronaldo em campo, mas é preciso que as partes trabalhem nela, porque neste momento, ainda a quente, não se vislumbra um futuro longínquo em que o adepto de Ronaldo compre a 7 da Seleção com o nome do português; talvez prefira uma do Real Madrid ou do Al Nassr. Mas Cristiano Ronaldo também se deve questionar como deve sair de tudo isto. Se é esta a imagem final que pretende, com um país que o idolatrou — e, estou em crer, ainda o faz — a dividir-se ou, na maioria, a reprovar o abandono prematuro da equipa.

No fundo, como é que Ronaldo quer mesmo ser recordado para lá da sua extraordinária e inigualável carreira desportiva?A diplomacia tem de entrar em jogo. Permitir que o capítulo final da maior lenda do futebol nacional seja escrito num ambiente de guerrilha aberta seria um erro devastador. É preciso que os estrategas assumam as negociações e se, por um lado, Proença tem a autoridade e responsabilidade inerentes ao cargo de presidente, do outro lado, o de Ronaldo, terá a experiência do antigo CEO da federação, Tiago Craveiro, conselheiro estratégico da CR7 SA, alguém que conhecerá tão bem como o atual líder os limites e os custos para a FPF desta crise. Ambos sabem, também, isto: Jesus nunca aceitará ser desautorizado.

Portugal joga domingo no Dragão, e depois joga-se nos bastidores.

A iniciar sessão com Google...