Quando Iúri Leitão acelera, o país também vai
Quando Iúri Leitão acelera, não é apenas a corrida que reage, é todo um país que percebe que está a assistir a algo maior. O vianense voltou a fazer história para o ciclismo e o desporto português. Na Turquia, nos Campeonatos da Europa de pista, sagrou-se campeão de omnium.
Sexto título continental da carreira e o primeiro ouro de sempre de Portugal em Europeus numa disciplina olímpica. E num daqueles momentos grandes no velódromo a que já nos habituou. Aos 27 anos, Iúri já não pede licença: é gigante da pista.
Quatro vezes campeão europeu de scratch (2020, 2022, 2024 e 2025), campeão da Europa de corrida por pontos em 2025, corredor da Caja Rural no ciclismo de estrada, equipa ProTeam, Iúri juntou agora o ouro europeu de omnium à prata olímpica conquistada em Paris-2024, ao título mundial de 2023 e àquela que é, inevitavelmente, a joia da coroa: o ouro olímpico de madison, ao lado de Rui Oliveira, também nos Jogos de Paris. Um currículo que já não cabe numa simples enumeração.
Este primeiro título europeu no omnium é a 10.ª medalha pessoal em Campeonatos da Europa. Pelo caminho, já somou duas pratas e dois bronzes, um no omnium, em 2020, como se o destino tivesse ficado ali em suspenso, à espera do momento certo para se cumprir.
Iúri tem o que não pode faltar aos melhores pistards (termo para ciclista de pista). Frio, metódico, inteligente. Observa, calcula, lê a corrida e os adversários como quem resolve um problema complexo. Ataca apenas quando sabe que é para ganhar. E quando acelera, quase nunca há resposta. Rápido, poderoso, decidido. Um matador. Curiosamente, tudo isto contrasta com o homem fora da bicicleta: simpático, acessível, sempre sorridente, de conversa fácil.
Mais do que uma medalha, este título foi uma afirmação. De talento, de trabalho e de um atleta que continua a empurrar o ciclismo português para territórios inexpugnados. E fá-lo com toda a naturalidade, como se fosse apenas mais uma volta lançada rumo à história.