Rafa no regresso ao Benfica - Foto: Miguel Nunes
Rafa no regresso ao Benfica - Foto: Miguel Nunes

O dia em que Rafa fabricou a própria braçadeira de capitão no Alverca

Extremo do Benfica pode defrontar pela primeira vez o clube que onde foi formado. Paulo Robles, antigo treinador da águia nos ribatejanos, recorda evolução de jogador «humilde», que «captava todas as atenções» e que é «mais-valia» para os encarnados

A contratação de Rafa Silva na reta final do mercado de inverno alargou as opções de José Mourinho para o último terço do Benfica. O avançado de 32 anos, ainda assim, não deixou marca nos primeiros 45 minutos no regresso às águias -18' diante do Estrela da Amadora (4-0), na 19.ª jornada e 27' em Tondela (0-0), na ronda seguinte.

Segue-se o Alverca, clube que Rafa representou durante a maioria do percurso formativo, entre 2004 e 2011. Paulo Robles, antigo treinador do internacional luso nas camadas jovens ribatejanas, apela, em declarações a A BOLA, à paciência dos adeptos: «Temos de ter calma. Um jogador que não compete com os companheiros de equipa há dois/três meses, tem sempre impedimentos que requerem algum tempo.»

Paulo Robles, treinador e comentador A BOLA TV

A falta de ritmo competitivo, ainda assim, não apaga as valências de um atleta que «joga em quatro posições» e «atrai as marcações dos adversários». O técnico da ADR Porto Alto considera que «o Benfica fica a ganhar» com a contratação de Rafa, «que não vai fugir muito do corredor central», de acordo com as indicações dadas nos primeiros minutos somados no regresso às águias.

Rafa poderá ser uma «mais-valia» a jogar nas costas de Pavlidis, mas a utilização como «avançado móvel» não é descartada por Paulo Robles, «contra equipas que empurrem o Benfica para o setor mais recuado». «Se Rafa estivesse bem poderia ser uma das estratégias a aplicar diante do Real Madrid, no Bernabéu na segunda mão do play-off da Champions», frisou.

O «excelente homem» que «captava as atenções de todos» em Alverca

Paulo Robles não poupou elogios ao «excelente homem» que «captava as atenções de todos» em Alverca. «Conseguia encher a bancada central do antigo estádio do Alverca em jogos de juniores, algo que não era muito normal», recordou, recuando até à temporada 2010/2011.

O miúdo «muito pacato, humilde, fiável e que correspondia sempre» protagonizou um episódio caricato, relembrado com carinho pelo antigo treinador. «Ele não era jogador de arranjar conflitos nem confusões. Havia um clima de bom humor. Ele não era um dos capitães de equipa, o clube já tinha dinâmicas e eu próprio também», começou por contar Paulo Robles.

Rafa bem presente nas instalações do Alverca - Foto: A BOLA

Rafa, ainda assim, desejava envergar a braçadeira de capitão do Alverca e reagiu com... criatividade: «Como tínhamos uma boa relação e ele gostava de afirmar uma posição perante o grupo, a dada altura rasgou uma das camisolas de treino e apareceu nas escadarias de acesso ao relvado com o braço ligado com ela.»

O então jovem jogador sem posição definida cumprimentou o treinador «com o sorriso maroto que ainda tem», guiado pelo objetivo de ser capitão. Paulo Robles revelou que Rafa «acreditava muito que podia ser profissional», mas a ausência das «oportunidades certas nos clubes certos» provocaram dúvidas dissipadas por Alverca e Feirense, que o contratou em 2011.

O extremo puro em Alverca começou a pisar terrenos mais interiores em Braga, dois anos depois: «A transição para sénior foi difícil. Penso que foi com o professor Jesualdo Ferreira que começou a melhorar o seu potencial enquanto finalizador.» Os 94 golos somados em 328 jogos de águia ao peito comprovam a evolução de Rafa, que, pela primeira vez na carreira, pode defrontar a equipa que o formou.

O Benfica defronta o Alverca a partir das 20h30 de domingo, à procura do regresso às vitórias na Liga, após o empate em Tondela.