O Estádio Dr. Magalhães Pessoa, ex-líbris desportivo do distrito de Leiria, foi bastante afetado pela tempestade 'Kristin'. O recinto está a ser recuperado para que a todos possa voltar a servir - Foto: D. R.
O Estádio Dr. Magalhães Pessoa, ex-líbris desportivo do distrito de Leiria, foi bastante afetado pela tempestade 'Kristin'. O recinto está a ser recuperado para que a todos possa voltar a servir - Foto: D. R.

Leiria a reerguer-se após o Estád(i)o de sítio

A cidade do Lis abanou. Muito. Mas não caiu. Sofreu um (duro) revés. O Castelo, o Rio Lis, o mítico Dr. Magalhães Pessoa continuarão a orgulhar um povo que lutará sempre pelos seus

Declaração de interesses: sou leiriense. Nascido e criado. De alma e coração. Como acontece com, presumo, qualquer cidadão, o apego à (nossa) terra vem do berço. Ouso, por isso, sentir que Leiria é um pouco minha. Mas o eu, o singular, pouco ou nada importa para o caso. O que deve, de facto, ter destaque é o nós, o plural. Nós, os leirienses. Um povo tão rijo quanto solidário. Tão trabalhador quanto fiel. Na saúde e na doença. Porque Leiria é como um casamento: para a vida.

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Serve o preâmbulo para escrever o que me vai na alma sobre uma cidade, um concelho e um distrito absolutamente devastados e que nos últimos dias (não) tem sobrevivido. A tempestade Kristin (quase) tudo levou. A minha primeira palavra é para as famílias das vítimas mortais desta catástrofe. Perder um ente querido, seja em que circunstância for, é sempre aterrador. Ter de lidar com essa dor infindável na sequência de algo que não se controla faz aumentar ainda mais o sentimento de impotência. Paz à alma de quem partiu. Ainda que os nossos, costuma dizer-se, nunca partam. Ficam para sempre nos nossos corações e nas nossas memórias.

O estád(i)o de sítio em que Leiria se encontra é indescritível. Não há palavras — por muito que nós, profissionais da Comunicação Social, possamos tentar fazer uso das nossas competências — suficientemente ilustrativas para relatar o que aconteceu naquelas fatídicas primeiras horas do passado dia 28 de janeiro de 2026. Naquela madrugada, em que a Mãe Natureza colocou Leiria à prova, a cidade respondeu de forma heróica. Metaforicamente falando, a (nossa) linda Leiria abanou, caiu, mas desde logo deu resposta veemente: somos da raça que não se vergará. Contra todos os ventos e marés, cá estaremos para muitos mais séculos de história. O nosso belo território, o nosso maravilhoso e imponente Castelo, e o nosso querido Rio Lis serão eternamente defendidos pelas suas gentes — obrigado, muito obrigado, à infindável onda de solidariedade que (nos) tem chegado: Leiria não mais vos esquecerá. Vamos reerguer-nos. Que ninguém duvide!

Do magistral Estádio Dr. Magalhães Pessoa à mais humilde habitação, passando pelo tecido empresarial, todos temos sofrido. A destruição é absurda. Como se diz em bom português, foi quase tudo pelos ares. Mas enquanto houver um leiriense vivo... haverá sempre Leiria. E mesmo os nativos que estão noutras latitudes do País e/ou do globo, são, estou certo, amantes eternos da nossa linda Leiria. Que é paixão infindável.

A palavra de conforto à qual tento agarrar-me, estendo-a, humildemente, a cada um dos meus conterrâneos. E como não poderia deixar de ser, expresso a minha inteira solidariedade a todas as entidades desportivas do distrito que viram grande parte dos seus espaços (que a tantos servem) devastados pela tempestade. Vão todos voltar ainda mais fortes. Acreditem. Somos Leiria!

Palavra final para todos os autarcas, com especial ênfase para Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria. Muito mais do que um edil: um Senhor (assim mesmo, em maiúsculas). Uma semana já lá vai e o responsável máximo pelo Município tem sido absolutamente inexcedível. E se é um «boneco» (entendedores... entenderão), então somos todos... «bonecos».