Dennis Rodman (IMAGO)
Dennis Rodman (IMAGO)

Dennis Rodman tinha uma pistola nas mãos, mas foi ajudado pelos... Pearl Jam

Por trás da aparência excêntrica, do cabelo pintado e das unhas arranjadas, o lendário basquetebolista Dennis Rodman sempre escondeu uma profunda luta interna, caos e dor. Numa recente conversa com Joe Buck, o famoso atleta revelou como a música da banda Pearl Jam lhe ajudou a salvar a vida num dos momentos mais difíceis

A crise instalou-se em 1992. Depois de Chuck Daly, o treinador dos Detroit Pistons que Rodman via como uma figura paterna, ter deixado a equipa, o seu mundo desmoronou-se. Ao mesmo tempo, passava por um divórcio difícil com a sua esposa, Annie Bakes, enquanto os meios de comunicação social o criticavam incessantemente.

«Tudo estava a desmoronar-se. Fechei-me em casa durante 45 dias. Não queria falar com ninguém», recorda Rodman.

A ajuda dos Pearl Jam

Uma noite, estava sentado na sua carrinha, em frente ao pavilhão dos Pistons, com uma pistola carregada, enquanto a música Black dos Pearl Jam, que fora lançada no ano anterior, tocava no rádio.

A polícia encontrou-o horas mais tarde a dormir no veículo, com a música ainda a tocar. Rodman explicou que a sua intenção não era «matar o Dennis», mas sim libertar-se do que se tinha tornado – um homem quebrado e perdido que não sabia a que lugar pertencia. «Eu só queria mudar a minha vida», disse a antiga figura da NBA.

A transformação

Pouco depois, foi trocado para os San Antonio Spurs, onde a sua transformação começou. Começou a mudar a sua aparência, a pintar o cabelo e a usar roupas provocadoras, saias e maquilhagem. Essa reviravolta, segundo ele, marcou o seu novo começo.

«Comecei a matar o meu antigo eu e a viver como alguém novo», explicou.

Hoje, aos 63 anos, Rodman fala abertamente sobre os demónios com os quais ainda luta, mas também sobre a gratidão por ter sobrevivido a momentos difíceis: «As pessoas apostavam que eu morreria antes dos 40. E aqui estou eu, ainda vivo. Veem-me como um tipo selvagem e louco, mas sei que fiz muitas coisas boas neste planeta. Só que ninguém quer ver isso.»

Rodman 'apaga' LeBron

O norte-americano também falou sobre quem é o melhor basquetebolista de todos os tempos e mantém a firme convicção de que é o seu antigo colega de equipa. Rodman e Michael Jordan jogaram juntos nos Chicago Bulls durante três anos, durante os quais conquistaram três anéis de campeão e ficaram na memória como parte da melhor equipa da história do basquetebol.

«Já viram Michael Jordan a simular faltas? É tudo o que tenho a dizer. Basquetebol não é sobre quanto tempo se joga, mas sim sobre quão alto o seu jogo atinge quando é mais necessário. Longevidade não é grandeza, o auge é grandeza. Mike é grandeza e ninguém o vai tocar. LeBron usou o número 23 por quase 20 anos e não aprendeu o que isso significa. Apenas os seus fãs, ao vê-lo perder em finais, o tornam maior do que ganhar seis campeonatos. De onde eu venho, isso chama-se delírio, não legado. Sempre que as coisas ficam difíceis, LeBron faz as malas, chama estrelas e forma uma nova super-equipa. Mike não foi para outra equipa, não se escondeu, não chorou. Jordan apanhava pancada de Detroit, Boston e ficava mais forte. LeBron apanha uma pancada e procura a câmara mais próxima. Se me disserem que LeBron é melhor, então não estão a ver basquetebol, estão a ver os resumos», atirou.

Dennis Rodman ficou na memória como um dos maiores excêntricos da história do basquetebol. Jogou em Detroit, Dallas, San Antonio, Chicago, Los Angeles, e conquistou cinco anéis e dois prémios de Melhor Defensor do Ano. É um dos melhores jogadores de sempre nos ressaltos e, desde 2011, membro do Hall of Fame da NBA.