Apesar da vitória do Sporting, Luis Suárez acabou o jogo com o V. Guimarães cabisbaixo, num jogo em que foi assobiado pelos adeptos do Sporting em Alvalade - Foto: Miguel Nunes
Apesar da vitória do Sporting, Luis Suárez acabou o jogo com o V. Guimarães cabisbaixo, num jogo em que foi assobiado pelos adeptos do Sporting em Alvalade - Foto: Miguel Nunes

Quando a vitória sabe a derrota: o que se passa com este Sporting?

Entre o luxo das semanas limpas e um ataque fulgurante, o Sporting voltou a tremer. O apagão contra o Guimarães e o caso Luis Suárez expõem fragilidades inesperadas

A pré-época tranquila e o mercado adiantado prometiam um arranque em velocidade de cruzeiro. Sem o desgaste da Europa ou da Supertaça, o Sporting dispõe daquilo que qualquer treinador deseja: semanas limpas para trabalhar. Enquanto a concorrência se desgasta, os leões assentam praça num conforto quase idílico — quase ao nível dos luxuosos puffs do novo Lion’s Corner.

Contudo, dentro do relvado, a realidade teima em desmentir a teoria. E, frente ao Vitória de Guimarães, a equipa de Rui Borges ofereceu uma amostra grátis do seu melhor e do seu pior.

Na primeira parte, assistiu-se a um futebol avassalador, empurrado por um ataque alucinante que é, sem margem para dúvidas, o mais vertiginoso do futebol português neste instante. Mas ao 3-0 seguiu-se o vazio. Foram 59 minutos sem um único remate à baliza adversária.

Um apagão incompreensível que abriu portas a dois golos vimaranenses e deixou o fantasma da Amadora a pairar novamente sobre Alvalade. Quando se fala em cansaço com este calendário, a explicação soa a curta.

O problema parece estrutural. A linha recuada evidencia um desequilíbrio alarmante. Gonçalo Inácio, apesar de ter crescido à sombra da liderança de Coates, continua a não demonstrar perfil de comandante, contagiando a insegurança à baliza, onde também Rui Silva mostra algum nervosismo.

Mais à frente, a dupla Altimira-Doumbia exibe indiscutível qualidade técnica, mas ainda se mostra verde e alheia ao peso da exigência leonina.

Para adensar a desconfiança, o caso Luis Suárez promete fazer correr tinta. Aos 28 anos, no auge da maturidade, o avançado colombiano sabe que esta é a última janela para garantir o contrato milionário da sua vida — ansiedade agravada pelo falhanço na ligação à candidatura derrotada no Fenerbahçe há alguns meses.

No jogo desta sexta-feira com o V. Guimarães, voltou a entrar para acrescentar... zero e, aqui e ali, foi alvo de audível coro de assobios. Perante o momento de Ioannidis, resta esperar que Suárez tenha a hombridade de respeitar a entidade empregadora e os adeptos.

No meio da revolução de balneário operada este verão por Frederico Varandas, subsiste uma questão delicada: será saudável manter referências como Pedro Gonçalves e Daniel Bragança a treinar com o grupo, de mala na mão e sem jogar? A primeira vitória chegou, mas a névoa sobre Alvalade recusa-se a desaparecer.

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