Fotis Ioannidis, um golo e duas assistências (MIGUEL NUNES)
Fotis Ioannidis, um golo e duas assistências (MIGUEL NUNES)

Fantasma da Reboleira ainda apareceu em Alvalade (crónica)

Sporting chegou ao 3-0 e começou a cair, tal como acontecera após o 2-0 frente ao Estrela. Fruto também das mudanças introduzidas por Tiago Margarido para o arranque da segunda parte.

Estranho ou talvez não, porque vem na sequência do que acontecera na Reboleira. O Sporting entrou bem, muito bem, aliás; teve jogadas brilhantes, golos muito bonitos, mas, de repente, tal como na jornada 1, caiu e sofreu dois golos, voltando a demonstrar demasiados equívocos defensivos. O Vitória, com uma segunda parte de muito bom nível, fruto das mexidas de Tiago Margarido, fez reaparecer em Alvalade o fantasma da Reboleira.

O futebol leonino chegou a parecer, por vezes, um pequeno flute de champanhe. Quem tem jogadores da classe de Geny Catamo, Flávio Gonçalves, Zalazar e Fotis Ioannidis arrisca-se a embebedar os seus adeptos com goles de champanhe. A primeira parte do Sporting, sobretudo em termos individuais, foi deliciosa. Houve pelo meio algumas tentativas de criar perigo por parte do V. Guimarães, mas, meus caros, quando a bola chegava aos mais virtuosos leões era um recital de bem jogar futebol.

Começou bem cedo, logo ao minuto 9, quando Ioannidis se transformou num bulldozer e, após receber um passe profundo de Catamo, aguentou a carga de um adversário, ganhou dois ou três ressaltos de uma assentada e, quando levantou a cabeça, viu Flávio Gonçalves confortavelmente sozinho em frente à baliza. Meteu-lhe a bola e o pé direito do menino nascido em Mantes-la-Jolie fez o resto: 1-0.

O V. Guimarães não se foi abaixo. Manteve a cabeça erguida e, quando tinha a bola, partia para cima da defesa leonina. Porém, pouco depois do minuto 20, chegou champanhe do melhor. Talvez Moet & Chandon. Flávio Gonçalves viu o que poucos estavam a ver e colocou a bola por cima da defesa vimaranense e no peito de Geny Catamo. Até aqui, apenas vinho do bom. Porém, quando o moçambicano recebeu no peito e deu um toque com o ombro, João Mendes surgiu-lhe na frente. Ambos estavam em cima da linha de fundo. Geny picou-lhe a bola por cima e transformou o bom vinho em champanhe de primeira. Depois, serenamente, colocou a bola em Ioannidis, que rodou sobre Rivas e disparou de pé esquerdo: 2-0.

Era o 2-0 da Reboleira. O 2-0 na sequência do qual, acreditariam os mais supersticiosos, o Sporting começou a cair em casa do Estrela. Era preciso, na perspetiva vimaranense, adiar o terceiro golo leonino e, na perspetiva verde e branca, era urgente chegar ao 3-0 ainda antes do intervalo. E ele chegou talvez por quem menos se esperava. Ioannidis atrasou a bola para a entrada da área e aí apareceu Altimira. Pensava-se que talvez o espanhol fosse abrir na direita, mas o ex-Bétis aventurou-se a rematar de cerca de 25 metros e a bola entrou: 3-0 ao minuto 41.

Estava afastado o fantasma do 2-0. E logo de seguida, a fechar o primeiro tempo, entrou em campo a mão de ferro de Rui Silva, segurando a bola encostadinha ao poste direito.

Ao intervalo, Tiago Margarido mudou três: Miguel Maga por Tony Strata, Beni Mukeni por Miguel Nogueira e Oumar Camara por Lohann Doucet. Mudou e ganhou. O Vitória cresceu, começou a ter mais bola para jogar e a andar mais perto da área do Sporting. Os leões, por força da maior clarividência vimaranense, encolheram-se, talvez por acharem que, com três golos de vantagem, o jogo estava controlado. Não estava.

Pouco depois do minuto 65, quando Luis Suárez e Luis Guilherme se preparavam para entrar, o Vitória marcou o primeiro, com Samu a entrar como quis pela defesa leonina e, já na área, a rematar de pé esquerdo: 3-1. Suores frios em Alvalade, crença maior entre os vimaranenses.

E dois minutos mais tarde (!), Zalazar perdeu a bola na projeção esquerda da sua grande área, Strata ficou com a bola e enviou-a para perto da marca de penálti. Aí, o gigante Alioune Ndoye superou Eduardo Quaresma e Gonçalo Inácio e, de cabeça, fez o 3-2. Era o fantasma da Reboleira a reaparecer em grande em Alvalade! Não se sabe o que teve mais peso na transformação das duas equipas: se algo mental, físico ou estratégico.

Rui Borges troca Ioannidis por Jesse Derry quando os assobios para a equipa leonina estavam a aumentar, por causa de tanta perda de bola e por quase nada atacar. A verdade é que, com três golos de vantagem, estava em cima da mesa a repetição do mesmo que, com dois de diferença, acontecera em casa do Estrela da Amadora. O Vitória, claro, mantinha a crença de que poderia chegar ao terceiro.

Porém, o desgaste de tamanha intensidade em busca de reduzir a diferença e, mais tarde, em busca do golo do empate acabaria por fazer mossa no Vitória. E as entradas de Luis Guilherme e Jesse Derry começaram, por fim, a fazer algum efeito — não a aproximar o Sporting dos períodos de futebol-champanhe de alguns momentos do primeiro tempo, mas a pôr gelo na impetuosidade do Vitória. E, por fim, o fantasma da Reboleira foi-se embora…

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