Dores de crescimento, assobios a Suárez e queda na segunda parte: tudo o que disse Rui Borges
- Peço uma análise ao jogo e uma reação à estreia a marcar de Flávio Gonçalves.
- É a naturalidade da qualidade dele, mérito dele de estar a crescer como tem de crescer. Em relação ao jogo, uma grande primeira parte em que não deixámos o Vitória acreditar que poderia tirar pontos e uma segunda parte em que deixámos acreditar. Fomos perdendo energia, capacidade de pressão, muito passivos. São dores que vamos ter de crescimento, algumas mudanças, muitos jovens, perceber o que é o ADN do Sporting. Temos de melhorar individualmente e coletivamente. Depois o 3-1 gerou alguma desconfiança e o adversário começou a acreditar. Segundo golo numa perda de bola, problema mais individual. Tirando isso foram bolas longas, primeiras e segundos bolas, faltou energia aí. Estamos demasiado passivos, não o podemos ser.
- O que aconteceu da primeira parte para a segunda?
- Acaba por ser dores das mudanças que tivemos, dos jogadores que temos. Uma primeira parte bastante exigente, uma segunda em que perdemos muita energia. Não dá para mudar 10 jogadores, às vezes era bom [risos]. São dores que vamos ter, temos de perceber de que forma podemos melhorar isso ou minimizar esses momentos. Acredito que isso passe também pela primeira jornada, o importante é perceber que ganhámos e amanhã veremos o que temos de fazer melhor para continuar a crescer como equipa.
- Muito se fala desta desconfiança, não é a melhor forma de começar a época. Como se gere isto e com Luis Suárez a ser assobiado?
Não é a melhor forma de começar pelo empate da primeira jornada, hoje ganhámos. Por mais difícil ou não, ganhámos. Não percebo aí a parte difícil de começar. Dores vamos ter muitas, não vai ser tudo um mar de rosas. Vamos ter de crescer enquanto equipa e isso passa por nós equipa técnica e depois jogadores. Em relação à desconfiança dos adeptos, acredito que tenha sido um pouco da primeira jornada. A equipa nova que temos precisa de energia positiva de fora para dentro, porque é importante e ajuda a crescer. Esse apoio que deram a primeira parte, que seja contínuo nos 95 minutos. Claro como nós temos de ser consistentes nos 95'. Assobios? Adeptos acreditam em tudo o que lêm e acaba por ser algo em relação a isso, porque o Suárez fez uma grande época, deu-nos muito e vai continuar a dar muito ao Sporting.
- Sporting fez uma pré-época exímia, o que aconteceu?
- Não aconteceu nada, simplesmente não são comparáveis os jogos de pré-época para os de exigência de campeonato. Tão simples quanto isso. Passaram boas energias, índices, sensações e continuam a passar, mas a exigência do jogo é diferente, os adversários proporcionam coisas diferentes. Jogar com pressão, sem pressão é totalmente diferente para uma equipa que é nova. Muitos jovens, contextos diferentes. Vai-nos obrigar a crescer rapidmente, poque a grandeza do clube obriga-nos a isso. Joga contra 11 jogadores do outro lado que também têm mérito e qualidade.
- Considera que há condições para Luis Suárez continuar a jogar no Sporting?
- Já respondi a isso, para mim é um não assunto, vocês é que estão a criar um assunto que não o é. Ele não está nas melhores condições para jogar 90 minutos, é um grande jogador, fez uma grande época e vai continuar a ajudar o Sporting.
- Acha que quando o Doumbia pode crescer no meio-campo?
- É natural que haja falta desse crescimento, estou-me a rir porque se o meto à esquerda é porque o Doumbia é médio e vice-versa, o futebol é engraçado. Se faço substituições aos 60', se não fizer é porque tenho de o fazer, o futebol é fantástico nesse sentido. O Doumbia dá-nos coisas numa posição e noutras, tem de crescer, tem. Jogava num sistema diferente, exigência diferente. Cabe-nos a nós fazê-lo crescer. Fez um bom jogo, muito competitivo, como 8. O Zalazar também caiu bastante em termos físicos e deixámos de ser tão pressionantes.
- É mérito do adversário a segunda parte?
- Não é só, já disso isso. Têm o seu mérito, refrescaram a direita, deram mobilidade aos médios, fomos perdendo aqui ou ali as referências. E essas dúvidas levou-nos a não ser tão pressionantes num bloco mais alto, acredito eu por falta de energia e não vontade. É natural que a equipa vá perdendo essa energia, a primeira parte foi bastante exigente e o outro lado tem mérito. Mudaram algumas nuances e tentaram entrar no jogo. Sabíamos, o 3-2 foi uma perda de bola nossa. Foi a equipa que fez mais cruzamentos na primeira jornada até pela referência na área que marcou golo hoje. Depois a desconfiança leva-nos a perder um pouco essa energia, mas temos de crescer rapidamente.
- Rui Silva mostrou dificuldades com a bola nos pés, vai ao mercado por outro guarda-redes e como está Vagiannidis?
- Estamos felizes com o plantel que temos, a única coisa que pode entrar é um lateral-esquerdo por causa da saída de Mangas. Ainda não perguntei a gravidade da lesão, nem qualquer era. Espero que não seja nada de grave