Cristiano Ronaldo arrisca suspensão de seis meses por abandonar estágio da Seleção
O capitão da Seleção Nacional, Cristiano Ronaldo, enfrenta a possibilidade de uma suspensão que pode variar entre um e seis meses, além de uma sanção financeira, na sequência do abandono do estágio de preparação da equipa das quinas, informação confirmada pelo avançado do Al Nassr, de 41 anos, e pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
De acordo com o Regulamento Disciplinar da FPF, a infração acarreta consequências disciplinares imediatas e severas: «O jogador que, regularmente convocado, abandone ou não compareça injustificadamente a treino, jogo ou atividade das seleções nacionais ou relacionada com a representação desportiva da FPF ou de Portugal, é sancionado com suspensão de um a seis meses e, acessoriamente e se for jogador profissional, com multa entre 5 e 10 UC [entre cerca de 500 e 1.000 euros, sendo 102 euros por unidade de conta]».
O número dois do artigo 160.º do referido regulamento estipula ainda que «a ausência ou o abandono determina a suspensão preventiva automática do jogador nos termos previsto no presente regulamento».
O desfecho surge após dias de visível tensão. Titular no triunfo por 1-0 diante do País de Gales na ronda inaugural do Grupo A4 da Liga das Nações, o antigo avançado de Sporting, Manchester United, Real Madrid e Juventus não saiu do banco de suplentes na vitória seguinte por 2-1 frente à Noruega, em Oslo. No final desse encontro, Ronaldo recolheu aos balneários ostensivamente insatisfeito, sem acompanhar o grupo nos agradecimentos aos adeptos portugueses.
Na terça-feira, o avançado limitou a sua atividade ao ginásio da unidade hoteleira onde a comitiva se encontrava instalada, não trabalhando no relvado apesar de ter marcado presença no recinto do treino. A gravidade da situação motivou inclusive a deslocação do presidente da FPF, Pedro Proença, a Copenhaga, cancelando a ida prevista a Ponta Delgada para acompanhar os sub-21 diante de Gibraltar. A saída definitiva do estádio consumou-se após a conferência de imprensa de Jorge Jesus.
Perante os jornalistas, o selecionador nacional, de 72 anos, limitou as respostas sobre o tema a apenas duas intervenções, procurando desvalorizar o cenário antes do treino de adaptação: «O Ronaldo não se recusou a treinar. Isso era impossível. Hoje vai treinar.»
Jorge Jesus confirmou, na mesma ocasião, a escolha de Gonçalo Ramos para o onze titular diante da Dinamarca e vincou a sua posição de liderança no balneário: «Em princípio, é o Gonçalo Ramos que vai jogar. O Ronaldo não sei se entrar ou não. Não sei o que vai acontecer amanhã [quinta-feira] no jogo. Se eu precisar, ele entra, se eu não precisar, ele não entra. O estatuto não dá direito para que os jogadores sejam diferenciados dos outros. O estatuto é o respeito pela carreira deles. Coloco sempre a questão, o plano que traçar com o jogador, mas quem decide sou eu. Eles sabem disso. Quem trabalhou comigo, eles sabem, toda a gente sabe, até os presidentes sabem. No clube manda o presidente, na equipa mando eu. Com os jogadores é igual.»
Recordista absoluto pela seleção portuguesa com 234 internacionalizações e 146 golos, Ronaldo capitaneou Portugal na conquista do Campeonato da Europa de 2016 e nas edições de 2019 e 2025 da Liga das Nações. A equipa lusa, que defende o título e lidera o Grupo A4 com seis pontos, defronta esta quinta-feira a Dinamarca, em Copenhaga, a partir das 19h45 de Lisboa (20h45 locais), com arbitragem do ucraniano Mykola Balakin, seguindo-se o duelo de domingo frente à Noruega.