Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus no 'Portugal Football Summit' (ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA)
Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus no 'Portugal Football Summit' (ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA)
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Ronaldo forçou Proença a marcar 'Summit' na Escandinávia

A única coisa que surpreende, na polémica resultante da não utilização de Cristiano Ronaldo na Noruega, é que o primeiro arrufo entre o capitão e o novo selecionador tenha surgido tão cedo

«Nunca falei para tanta gente ao mesmo tempo», dizia Cristiano Ronaldo há uma semana, na invulgar conferência de imprensa inserida no Portugal Football Summit. Nesse dia, o capitão da Seleção garantiu que Jorge Jesus, sentado a seu lado, era «a escolha perfeita» para selecionador e podia contar com ele para o que fosse preciso. «Para jogar, sair, entrar ou não jogar», especificou Cristiano, disposto a ajudar tanto dentro do campo, como fora dele, «por ser o capitão, conhecer muitas dinâmicas da Seleção e poder ajudar o grupo».

Bastaram quatro dias para que a postura de Cristiano entrasse em contradição com o discurso. Suplente não utilizado na Noruega, Ronaldo recolheu aos balneários logo após o apito final. Não foi aos críticos que virou costas, mas sim aos colegas, que mereciam um cumprimento no relvado, e aos adeptos, que fizeram o esforço de marcar presença em Oslo.

Ninguém diz que Cristiano já não é digno da braçadeira. Os erros acontecem ao melhor, mas não pode reclamar direitos e esquecer deveres. É um exemplo, e quanto maior a exposição, maior o impacto de tudo aquilo que faz. Foi o próprio, não a comunicação social, a criar um caso logo ao segundo jogo da campanha.

Dentro do esforço incómodo para não valorizar o sucedido, Jesus não renunciou — pelo menos publicamente — à sua liderança. Assumiu uma decisão técnica e reconheceu que tinha apresentado ao avançado o cenário de jogar 30 minutos na segunda parte, mas que tinha mudado de ideias devido ao desenrolar do jogo.

Ironicamente, foi o tratamento diferenciado que Cristiano Ronaldo fez por merecer — mas que jamais deve ser privilegiado — a dar origem a esta situação altamente desconfortável.

Terão sido várias as conversas entre Ronaldo e Jesus. Antes do jogo, antes da convocatória, talvez até antes da própria contratação do técnico, que teve direito a estágio com o capitão no Al Nassr. Esses bastidores ajudariam a entender o compromisso, mas não justificam que Ronaldo vire costas a colegas e adeptos.

A única surpresa neste arrufo é ter surgido tão cedo. Selecionador e capitão conversaram entretanto, mas Pedro Proença já se tinha feito ao caminho — depois de evitar os jornalistas, uma vez mais — para uma Summit na Escandinávia.

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