José Mourinho falou com o jogador brasileiro após este marcar um golaço

Expulso com a verdade e nariz torcido a Vinícius — tudo o que disse Mourinho depois do Benfica-Real Madrid

Treinador das águias foi expulso e falha segunda mão do 'play-off' da Champions, dia 25, em Madrid

— Que análise faz deste jogo? 
— Foi uma primeira parte que teve duas partes: uma até ao golo e outra depois do golo. Até ao golo foi um bom jogo, o Benfica entrou bem, muito forte, mas progressivamente, com a qualidade que tem, o Real Madrid foi começando a virar o jogo e acabou a ser mais forte no final da primeira parte. Na segunda parte tentámos fazer a mesma coisa, entrar forte, a competir olhos nos olhos, mas o Vinícius faz um golo do outro mundo. E depois acabou o jogo.

— Sobre o que se passou, o que lhe disse Prestianni
— Quero ser mais equilibrado e independente do que foi o Álvaro [Arbeloa]. O Vini diz uma coisa, falei com o Prestianni, que disse outra coisa. Neste mundo do futebol, com o que se passa dentro do campo tento ser sempre um pouco mais equilibrado; e não quero com isto dizer que Vinícius é um mentiroso e o Prestianni um rapaz incrível. Álvaro optou por uma perspetiva diferente, Kylian [Mbappé] também, eu não quero entrar por aí. O que digo é que acontece em tantos estádios sempre com o mesmo, alguma coisa não está bem. Marcas um golo do outro mundo, por que celebras assim? Por que não celebras como Di Stefano, Pelé, Eusébio celebravam? Mas foram 50 e tal minutos de um bom jogo, o Benfica jogou no seu limite e disse aos jogadores que estou orgulhoso de jogar assim contra o Real Madrid. Fizemos um grande jogo, mas depois o Real mostrou que é uma grande equipa, grandes jogadores.

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Como explica a sua expulsão? 
— Disse ao árbitro que sabia que ele sabia que eu sabia que Huijsen, Carreras, Tchouámeni estavam amarelados e não podiam ver cartão. Quando o Carreras simulou, não levou cartão amarelo, quando Tchouámeni fez falta, também não. Ele quis não apenas jogar este jogo, mas também o próximo, e eu disse-lhe isso. E ele expulsou-se, mas sabe que disse a verdade.

Que falou com Arbeloa no relvado, no episódio com Vinícius?
 — Falei com ele antes de entender que existia um pormenor, na altura para lhe dizer que fizeram um golo do outro mundo e o Vinícius estava a fazer de tonto a festejar num canto; mas depois apercebemo-nos que o problema era maior, que o Vinícius parece que não queria continuar a jogar.

Que espera do segundo jogo? Não estará no banco... 
— Não estar no banco não terá grande impacto, porque o treinador joga mais na preparação do jogo. O facto de não poder comunicar com a equipa e assistentes, não ir antes e durante o jogo ao balneário... tenho de confiar nos jogadores e nos assistentes. Obviamente que é negativo. Ainda por cima trata-se de um jogo difícil, a perder por um a zero e contra uma equipa fantástica, mas é o que é. A única coisa positiva que vejo é que não vou à Imprensa antes e depois do jogo, porque estou expulso. De resto, gosto do jogo e é a minha tarefa tratar os meus e neste jogo só poderei ajudá-los até o jogo começar. Para mim é uma frustração. Uma coisa é ser expulso por estupidezes, outra é ser expulso por dizer a verdade.

Papel de Arda Guller foi fundamental para o Real Madrid assumir o domínio do jogo?
 — Mas nós é que assumimos o domínio. O Courtois fez uma defesa fantástica a um remate do Aursnes. O Benfica entrou muito forte e era essa a intenção, mas sabíamos da qualidade dos jogadores contra quem jogávamos. Neste espaço de tempo, entre o jogo da fase de liga e este, a equipa do Real organizou-se de outra maneira, e nós adaptámo-nos, jogámos olhos nos olhos.

Agora, sim, será preciso um milagre para eliminar o Real Madrid
—  Não. Será necessário jogar muito bem durante todo o jogo e ter a sorte que precisas nestes jogos.