«Depois de ganhar a Taça, Cristiano desligou a TV: ‘Não se celebra nada até ganharmos a Champions!’»
A mentalidade vencedora de Cristiano Ronaldo foi um dos pilares da conquista da Décima Champions pelo Real Madrid. David Chorro, na altura preparador físico da equipa, revelou ao As um episódio marcante que ilustra bem o foco do astro português. «Quando ganhámos a Taça ao Barcelona no Mestalla, no dia seguinte a celebração estava a dar na televisão. Estavam todos relaxados, até que entrou o Cristiano. Desligou-a e disse: 'Até que se ganhe a Champions, não se celebra nada'», recordou Chorro. A profecia cumpriu-se e a equipa acabou por festejar no Estádio da Luz.
Para o preparador, esta atitude «explica a sua mentalidade e o porquê de ter chegado onde chegou». Acrescentou ainda que «se ficas no sucesso que acabaste de alcançar, ficas por aí e acabou», sublinhando que jogadores como Cristiano «desfrutam do processo e isso é uma aprendizagem.»
«Ele era fundamental no balneário. Tinha um papel importante em termos de hábitos. Chegava sempre mais cedo e cumpria com tudo o que tinha de ser feito. Até fazia trabalho extra no ginásio depois do treino. No aspecto físico, como eu disse, era muito constante. Ia ao ginásio antes e depois dos treinos e cuidava muito desse aspecto, embora a mídia sempre falasse mais do Cristiano nesse sentido. Para os mais jovens, ver isso todos os dias era uma referência clara do que significa ser profissional num clube como o Real Madrid», elogiou.
Chorro, que teve a sua primeira experiência profissional no Real Madrid aos 23 anos, era responsável por «quantificar a carga de treino através de GPS». Nesta função, um jogador destacava-se claramente: Ángel Di María. «Quando vias os dados do Di María, dizias: ‘Vai-lhe dar alguma coisa!’», afirmou, explicando que o argentino, MVP da final em Lisboa, «vivia em alta intensidade», mas que o seu corpo estava adaptado a esse nível de exigência.
Apesar de já se saber que «Cristiano ou Sergio Ramos eram bestas físicas», o preparador físico confessou que foi outro jogador que mais o surpreendeu. «Fiquei muito surpreendido com o Varane. Tem uma capacidade de aceleração e de rotação mais habitual em jogadores como Messi, Iniesta...», descreveu, elogiando a coordenação do defesa francês em espaços curtos.
Viver a conquista da Décima Champions por dentro foi «um presente da vida», um momento único para quem tinha celebrado as conquistas anteriores como adepto. A preparação para uma final desta magnitude é diferente de qualquer outro jogo, não tanto a nível fisiológico, mas sobretudo emocional. Na véspera da final da Champions, Chorro recorda a tranquilidade de Iker Casillas. «Lembro-me de falar com o Iker Casillas antes da final e perguntar-lhe: 'Que tal, Iker?'. E ele dizia-me: 'Tranquilo, já vivi muitas destas'. E era assim, mas se perguntasse a outro jogador que estava na sua primeira final, pois não dizia isso [risos].»