Paulo Jorge Pereira, treinador da Seleção nacional de andebol, no Mundial de 2025.
Paulo Jorge Pereira, treinador da Seleção nacional de andebol, no Mundial de 2025.

«Portugal está muito mais competitivo, já todos olham para nós de outra maneira»

Paulo Jorge Pereira, selecionador português, abordou as expectativas demasiado altas das pessoas para o Europeu-2026, isto depois de um grande Mundial-2025

O selecionador Paulo Jorge Pereira defende que é a «pressão positiva» que vai comandar a vida de Portugal no Europeu-2026 de andebol, em que os lusos têm de ser criativos e destemidos. Rumo à nona presença em fases finais, a quarta seguida, contando como melhor resultado o sexto lugar alcançado em 2020, a seleção portuguesa quer dar continuidade ao crescimento verificado nos últimos anos, segundo o selecionador.

«Costuma-se dizer que o sonho comanda a vida, mas, no nosso caso, é a pressão que comanda a vida. Nós gostamos dessa pressão, porque é positiva, não é uma pressão negativa. E eles [jogadores], enquanto continuarem a ser criativos, é sinal que não têm medo de falhar. Enquanto continuarmos nesta linha, vamos continuar a poder crescer», afirmou Paulo Jorge Pereira, durante o estágio de preparação em Rio Maior, salientando que é «um caminho que ainda não foi feito».

Com a «catana» na mão «cortando algumas árvores», o técnico, de 60 anos, ambiciona ver os seus atletas «manter o mesmo rendimento, ou, pelo menos, parecido àquele conseguido no último Mundial», que redundou num quarto lugar, algo que «já seria excecional». Contudo, quanto mais se sobe, «mais se aproxima o céu do inferno», de acordo com Paulo Jorge Pereira. «Toda a gente já tem a expectativa de que agora vamos ser campeões da Europa. Nós, há meia dúzia de anos, não nos apurávamos e agora já queremos ser campeões? Isto é um processo lento e também temos de meter na cabeça que algum dia podemos não conseguir uma qualificação», alertou.

Considerando que «já todos olham para Portugal com respeito», a ideia passa por preservar a «conquista» e continuar a ser competitivo. «Agora, Portugal está muito mais competitivo, todos olham para Portugal de outra maneira. Já me cumprimentam, porque havia treinadores que não me cumprimentavam. Hoje em dia, toda a gente cumprimenta toda a gente. Há mais respeito por Portugal e esta é a conquista que nós vamos tendo ao longo do tempo e vamos tratar de preservar», enalteceu.

Sobre o modelo de jogo que os heróis do mar vão apresentar na 17.ª edição do Europeu, o também treinador dos romenos do Dínamo de Bucareste foi perentório: «Não vai haver muitas mudanças». «Há algum detalhe que se possa incluir, que já se trabalhou bem nos jogos que fizemos contra o Egito. De resto, continuamos com este modelo de jogo muito sólido em termos ofensivos, baseado muito na relação da primeira linha com os pivôs e no um contra um dos senhores costinhas [Martim e Francisco Costa]. Se conseguirem parar-nos, estão a fazer um excelente trabalho, porque nós somos do melhor que há no mundo em termos ofensivos», declarou.

Com ausências de peso, como é o caso de Pedro Portela, por opção, e Miguel Martins, porque «fisicamente ainda não está pronto para jogar», o técnico explicou que «alguns atletas começam a fechar o seu ciclo de cooperação ou de compromisso com a seleção», mas preferiu enaltecer a forma como «os putos mais novos começam a chegar».

O primeiro oponente de Portugal no Grupo B é a Roménia, em 16 de janeiro, na cidade dinamarquesa de Herning, onde Paulo Pereira vai reencontrar vários atletas que orienta no Dínamo de Bucareste. «Teoricamente, tem de ser vitória para Portugal. Eles também podem ter a vantagem de conhecerem o treinador e saberem como é que eu penso e tudo o que nós fazemos. A Roménia é a Roménia e Portugal é Portugal. Independentemente desses detalhes, que também podem contar em algum momento, nós temos de ganhar à Roménia», apontou.

Após o confronto com os romenos, seguem-se os duelos com a Macedónia do Norte, dois dias depois, e a Dinamarca, anfitriã e tetracampeã campeã mundial, no dia 18, com todos os jogos a serem disputados em Herning. A fase final da 17.ª edição do Campeonato da Europa de andebol vai ser disputada na Dinamarca (Herning), na Noruega (Oslo) e na Suécia (Kristianstad e Malmö), entre 15 de janeiro e 1 de fevereiro.