«Portugal está muito mais competitivo, já todos olham para nós de outra maneira»
O selecionador Paulo Jorge Pereira defende que é a «pressão positiva» que vai comandar a vida de Portugal no Europeu-2026 de andebol, em que os lusos têm de ser criativos e destemidos. Rumo à nona presença em fases finais, a quarta seguida, contando como melhor resultado o sexto lugar alcançado em 2020, a seleção portuguesa quer dar continuidade ao crescimento verificado nos últimos anos, segundo o selecionador.
«Costuma-se dizer que o sonho comanda a vida, mas, no nosso caso, é a pressão que comanda a vida. Nós gostamos dessa pressão, porque é positiva, não é uma pressão negativa. E eles [jogadores], enquanto continuarem a ser criativos, é sinal que não têm medo de falhar. Enquanto continuarmos nesta linha, vamos continuar a poder crescer», afirmou Paulo Jorge Pereira, durante o estágio de preparação em Rio Maior, salientando que é «um caminho que ainda não foi feito».
Com a «catana» na mão «cortando algumas árvores», o técnico, de 60 anos, ambiciona ver os seus atletas «manter o mesmo rendimento, ou, pelo menos, parecido àquele conseguido no último Mundial», que redundou num quarto lugar, algo que «já seria excecional». Contudo, quanto mais se sobe, «mais se aproxima o céu do inferno», de acordo com Paulo Jorge Pereira. «Toda a gente já tem a expectativa de que agora vamos ser campeões da Europa. Nós, há meia dúzia de anos, não nos apurávamos e agora já queremos ser campeões? Isto é um processo lento e também temos de meter na cabeça que algum dia podemos não conseguir uma qualificação», alertou.
Considerando que «já todos olham para Portugal com respeito», a ideia passa por preservar a «conquista» e continuar a ser competitivo. «Agora, Portugal está muito mais competitivo, todos olham para Portugal de outra maneira. Já me cumprimentam, porque havia treinadores que não me cumprimentavam. Hoje em dia, toda a gente cumprimenta toda a gente. Há mais respeito por Portugal e esta é a conquista que nós vamos tendo ao longo do tempo e vamos tratar de preservar», enalteceu.
Sobre o modelo de jogo que os heróis do mar vão apresentar na 17.ª edição do Europeu, o também treinador dos romenos do Dínamo de Bucareste foi perentório: «Não vai haver muitas mudanças». «Há algum detalhe que se possa incluir, que já se trabalhou bem nos jogos que fizemos contra o Egito. De resto, continuamos com este modelo de jogo muito sólido em termos ofensivos, baseado muito na relação da primeira linha com os pivôs e no um contra um dos senhores costinhas [Martim e Francisco Costa]. Se conseguirem parar-nos, estão a fazer um excelente trabalho, porque nós somos do melhor que há no mundo em termos ofensivos», declarou.
Com ausências de peso, como é o caso de Pedro Portela, por opção, e Miguel Martins, porque «fisicamente ainda não está pronto para jogar», o técnico explicou que «alguns atletas começam a fechar o seu ciclo de cooperação ou de compromisso com a seleção», mas preferiu enaltecer a forma como «os putos mais novos começam a chegar».
O primeiro oponente de Portugal no Grupo B é a Roménia, em 16 de janeiro, na cidade dinamarquesa de Herning, onde Paulo Pereira vai reencontrar vários atletas que orienta no Dínamo de Bucareste. «Teoricamente, tem de ser vitória para Portugal. Eles também podem ter a vantagem de conhecerem o treinador e saberem como é que eu penso e tudo o que nós fazemos. A Roménia é a Roménia e Portugal é Portugal. Independentemente desses detalhes, que também podem contar em algum momento, nós temos de ganhar à Roménia», apontou.
Após o confronto com os romenos, seguem-se os duelos com a Macedónia do Norte, dois dias depois, e a Dinamarca, anfitriã e tetracampeã campeã mundial, no dia 18, com todos os jogos a serem disputados em Herning. A fase final da 17.ª edição do Campeonato da Europa de andebol vai ser disputada na Dinamarca (Herning), na Noruega (Oslo) e na Suécia (Kristianstad e Malmö), entre 15 de janeiro e 1 de fevereiro.