Seleção feminina do Irão na Austrália para a Taça Asiática
Seleção feminina do Irão na Austrália para a Taça Asiática - Foto: IMAGO

Jogadoras iranianas recusam cantar hino nacional em jogo da Taça da Ásia

Irão perdeu com a Coreia do Sul, dias após o ataque militar conjunto dos EUA e de Israel

As futebolistas da seleção feminina do Irão permaneceram em silêncio durante o hino nacional do seu país, antes do jogo contra a Coreia do Sul para a Taça da Ásia, que decorreu na passada segunda-feira. O ato de protesto surge dias após um ataque militar conjunto dos EUA e de Israel contra o Irão.

No Estádio Cbus Super, na Gold Coast, Austrália, as jogadoras iranianas mantiveram-se alinhadas e em silêncio enquanto o hino Mehr-e Khavaran era tocado. Imagens do momento mostraram a selecionadora, Marziyeh Jafari, a sorrir na linha lateral.

Antes do encontro, que o Irão perdeu por 0-3, Jafari recusou-se a comentar os ataques militares ou a morte do Líder Supremo do país, o Aiatolá Ali Khamenei, afirmando que a equipa precisava de se concentrar no torneio. Nas bancadas, um pequeno grupo de adeptos iranianos entoou cânticos e exibiu bandeiras vermelhas, brancas e verdes, incluindo a bandeira pré-revolução islâmica.

A Coreia do Sul garantiu a vitória com golos de Choe Yu-ri, Kim Hye-ri e Ko Yoo-jin. Após o apito final, a selecionadora iraniana considerou a partida de estreia, contra as vice-campeãs de 2022, como um desafio difícil. «No geral, foi um bom jogo. A Coreia do Sul jogou muito bem e, em última análise, dou-lhes os parabéns», declarou Jafari. «Mas espero que, daqui para a frente, consigamos recuperar no próximo jogo.»

O calendário não se afigura mais fácil para a equipa iraniana, que terá apenas dois dias de descanso antes de defrontar a anfitriã Austrália no mesmo estádio. A avançada australiana Amy Sayer expressou solidariedade para com a seleção do Irão, afirmando que as jogadoras merecem simpatia e respeito por continuarem a competir no torneio apesar das circunstâncias.

«O nosso coração está com elas e com as suas famílias, é uma situação difícil e é muito corajoso da parte delas estarem aqui e jogarem», afirmou Sayer. «Elas fizeram uma exibição muito forte [contra a Coreia do Sul], mesmo com o clima político existente e as dificuldades que possam estar a atravessar.»

A jogadora australiana acrescentou ainda: «Estamos entusiasmadas e ansiosas pelo jogo de quinta-feira... o melhor que podemos fazer para contribuir é dar-lhes o melhor jogo de futebol possível e mostrar-lhes respeito em campo.»