Pedro Malheiro mudou-se para o Al Wasl no último verão - Foto: Pedro Malheiro/Instagram
Pedro Malheiro mudou-se para o Al Wasl no último verão - Foto: Pedro Malheiro/Instagram

Pedro Malheiro e a tensão no Médio Oriente: «Já não ouvimos quase nada... »

Lateral representa o Al Wasl, dos Emirados Árabes Unidos, equipa treinada por Rui Vitória

O futebolista português Pedro Malheiro, que atua no Al Wasl, no Dubai, descreve um ambiente de aparente normalidade, apesar da tensão militar no Médio Oriente. O lateral-direito, de 25 anos, garante que seguirá as indicações da embaixada caso a sua segurança esteja em risco.

A escalada de tensão no Médio Oriente, marcada pela troca de ofensivas militares entre o Irão, Israel e os Estados Unidos, está a ser vivida com apreensão nos Emirados Árabes Unidos (EAU), onde já se registaram mortes e feridos. Apesar do encerramento de escolas, da suspensão de transportes e do fecho do espaço aéreo, o futebol continua em andamento.

Pedro Malheiro, antigo jogador do Boavista, relatou que, embora a situação pareça tranquila no Dubai, a incerteza permanece. «A realidade é que as pessoas estão a fazer uma vida normal. Eu saio para ir ao supermercado e volto para casa», explicou, à Renascença, acrescentando que se veem pessoas nas ruas e crianças a brincar.

No entanto, o som de caças durante a noite e as explosões ouvidas dias antes são um lembrete constante do conflito. «Domingo assustou-me um bocadinho, houve três explosões mais fortes, foi quando cancelámos o treino. Na terça-feira já não ouvimos quase nada, além de uns caças à noite», contou o jogador.

A preocupação aumenta com as notícias de Abu Dhabi, a apenas 50 minutos de distância, onde um amigo lhe relatou ter ouvido «muitas explosões». Esta proximidade gera inquietação, pois «50 minutos para um míssil... é tudo perto, na verdade», refletiu.

Apesar do cenário, o Al Wasl, clube treinado pelo português Rui Vitória, mantém a sua rotina. Os treinos continuam e o próximo jogo do campeonato está agendado para o dia 7. O clube transmite uma mensagem de tranquilidade, mas Malheiro está ciente de que «isto de um dia para o outro pode mudar tudo».

O futebolista já se inscreveu no registo do consulado e mantém-se em contacto com a equipa técnica, embora esta tenha relatado dificuldades em contactar a embaixada há alguns dias. Malheiro é claro quanto ao seu futuro imediato: «A partir do momento em que a embaixada me disser que tenho de sair porque não estou em segurança, é o que vou fazer».

Um jogador expressou a sua preocupação com a situação vivida no Médio Oriente, admitindo que o cenário o deixa «sempre um bocadinho em alerta».

Apesar de, para já, tudo parecer «tranquilo», o atleta não esconde o receio. «O que me faz pensar é que estamos aqui no meio, no Médio Oriente, e a qualquer momento as coisas podem descambar», afirmou, sublinhando a imprevisibilidade da situação: «Isto ninguém adivinha. As coisas podem correr mal aqui».

O jogador revelou ainda ter falado com o treinador Rui Vitória, que lhe transmitiu uma imagem de normalidade. «Ele foi à beira da praia e disse que havia pessoas com toalhas estendidas. Estão a fazer a vida normal», contou. Segundo o atleta, o governo local também transmite uma mensagem de segurança à população.

Contudo, a apreensão persiste. «Não deixamos de estar sempre a pensar. É complicado. Espero que as coisas corram pelo melhor e normalizem», concluiu.