Um clássico decisivo (não, não é o de hoje, é o outro)
São sete pontos irrecuperáveis a dez jornadas do fim? Ao ritmo a que o líder tem perdido pontos, são — sete são precisamente os pontos perdidos pelo FC Porto em todo o campeonato, mas em 24 jornadas, não em dez. Já ao ritmo a que o líder tem jogado, nem por isso — sete pontos parecem distância anulável, porque os últimos jogos do FC Porto, exceção talvez para o último de todos, um 3-1 ao Arouca, em casa, onde já se viu um dragão mais perto do que já foi esta época, mostram um líder de pés de barro.
E por isso, sim, o Benfica continua a ser candidato ao título. A exibição de ontem em Barcelos não foi brilhante, e a vitória foi sofrida, mas atente-se às circunstâncias: da ressaca da eliminação da Champions ao cansaço do jogo de Madrid, embora com quatro dias de descanso, até ao facto de pela frente estar o quinto classificado da Liga (quarto até há bem pouco tempo) e grande revelação da temporada, a vitória das águias acabou por ser competente, mesmo considerando que o Gil podia bem ter chegado ao empate (o Benfica também podia ter marcado mais, valha a verdade).
As contas do Benfica na Liga têm de passar, claro, por vitória no clássico da próxima jornada. Se ganhar, fica a quatro pontos do FC Porto a nove jornadas do fim — e aí o cenário de ultrapassagem já parece bem mais possível, certo? Se o não fizer, acabou a corrida ao título. Mesmo com um empate no próximo domingo, o Benfica ficaria a sete pontos do FC Porto mas a apenas nove jornadas do fim, e com Mourinho a deixar de ter hipótese de roubar (mais) pontos ao rival no confronto direto. Muitas contas serão feitas até final da época, mas há uma que me parece evidente: se não ganhar o clássico da Luz, o Benfica não será campeão.
E o Sporting? As águias estão três pontos atrás, por isso nem têm de pensar em contas em relação ao grande rival — como ainda vão a Alvalade, se ganharem os jogos todos acabam à frente dos leões (ficariam em vantagem no confronto direto). Mas sim, Rui Borges pode acabar a próxima jornada a um ponto da liderança — desde que vença no sábado em Braga, o que não será nada fácil...
E pelo meio, hoje, temos um clássico na Taça de Portugal. Primeira mão das meias-finais. A segunda ainda não está marcada, mas será em princípio a 22 de abril. Com todo o respeito por Rui Borges, que lembrou ontem que as duas mãos garantem aos clubes pequenos a certeza de receberem um grande se o sorteio os juntar, prefiro as meias a uma só mão, como aconteceu até 2007/2008 e voltará a acontecer a partir da próxima época. Esta coisa de esperar mais um mês e meio para resolver uma eliminatória não faz qualquer sentido...