Cascais, o líder distrital com estrutura profissional dos Países Baixos
No futebol distrital da capital está a formar-se um caso sério de mediatismo: o Cascais lidera, sem derrotas, a 2.ª Divisão da AF Lisboa e gera a atenção de milhares de adeptos espalhados pelo mundo, planeando chegar aos mais altos patamares do panorama nacional assente na gestão profissional de uma SAD com sede nos Países Baixos, presidida pelo neerlandês David Dwinger, e explicada ao pormenor pelo seu CEO, Gonçalo Ramos de Moura.
«O David, como presidente do Conselho de Administração, desenvolveu um organigrama em que eu venho logo a seguir em termos de responsabilidade e sou, como mais vezes a malta chama aqui, o presidente português. Sou a pessoa que faz a ligação entre Lisboa, neste caso entre Cascais, e Amesterdão», assim se autodefine, numa total sinergia luso-neerlandesa com o acionista maioritário da SAD, David Dwinger, que o CEO do Cascais acredita que seja para prolongar e até reforçar.
«Não posso estar em todos os momentos de decisão, o David também não está aqui presencialmente todos os dias apesar de vir cá com muita frequência, mas a decisão tem que ser dos intervenientes, queremos garantir que eles saibam qual é o propósito final e depois tomam as decisões sempre com essa north star no foco da sua própria decisão. Como em todas as empresas não estamos sempre de acordo, mas compreendemo-nos um ao outro, compreendo muito bem o que consigo acrescentar ao processo e ele também compreende muito bem o que pode acrescentar. A minha idade e experiência são totalmente diferentes da idade e experiência do David, o que não significa que seja melhor ou pior, mas que se complementam e, portanto essa ligação é óbvia e tem de existir», vincou.
O projeto, assinala Gonçalo Ramos de Moura, é sólido, bem liderado e com uma mensagem partilhada por todos aqueles que o compõem. «Quando me perguntam onde quero investir e organizar recursos financeiros, sempre disse: pessoas. É o meu trabalho e do David, o nosso administrador principal e acionista maioritário, em conjunto, definir o propósito, a visão do projeto e quem são as pessoas. Por isso, houve uma flexibilidade muito grande em confiar e quem eventualmente já cá estava ou quem acabou por entrar para tomar as decisões sobre quem queremos trazer a bordo», revela.
«Existe um processo de onboard muito qualificado e preparado para que quem chega possam saber o que vêm fazer e não haja dúvidas nenhumas do que está a ser pedido. Digo muitas vezes a brincar que se amanhã tiver um jornalista fora das instalações pode falar com o Gonçalo, com um jogador dos sub-19 ou um treinador da equipa principal, vamos todos dizer coisas diferentes mas a mensagem core tem de ser a mesma, isso não pode falhar», rematou, orgulhoso da estrutura profissional… no amador que está a construir.
Uma hierarquia bem definida
Depois de apresentar o topo da pirâmide, Gonçalo Ramos de Moura deu a conhecer toda a estrutura que o acompanha. «Há um diretor desportivo, Nuno Oliveira, mais focado na área desportiva e de performance e por baixo dele há a parte administrativa, com dois team managers que temos presentes, dois treinadores principais, um da equipa principal e um da equipa de sub-19 e toda uma estrutura, em termos de departamentos. Ao dia de hoje já temos o departamento de performance, que tem o head of performance, o departamento médico, psicólogo e nutricionista além dos fisioterapeutas que fazem parte desse departamento».
«Tudo está otimizado para estarmos o mais próximos possível da profissionalização mesmo estando ainda num contexto amador. Quando assumi esta posição de diretor-geral, para mim foi muito clara a comunicação - isto não é só um grupo de amigos que se junta três ou quatro vezes por semana para jogar a bola, é completamente distinto. Temos acionistas a quem responder, um conjunto de fãs cada vez maior, felizmente não só nacional mas também já internacional, isto é uma empresa e gere-se de uma forma sempre controlada, pragmática, assertiva e portanto não pode haver diferenças», explicou.
«Investidor? Relação perfeitamente saudável, tranquila e de muita confiança»
Nuno Oliveira sabe o que é escalar divisões: foi o treinador que, entre 2018 e 2021, conduziu o Belenenses da última divisão até ao Campeonato de Portugal. Hoje, procura fazer o mesmo percurso no Cascais, como diretor desportivo, e conta mais sobre esta sociedade multiclubes que utilizou esta porta para entrar em Portugal.
«O nosso grupo investidor é o Estrella Football Group, que já tem outros clubes na Europa e está no processo de adquirir mais alguns, com uma relação perfeitamente saudável connosco, tranquila e de muita confiança», enaltece, com satisfação o dirigente de 38 anos que reconhece a cobrança que lhe é feita por quem investe numa postura construtiva para continuar a crescer.
«Obviamente, cometemos os nossos erros - porque também os cometemos - e somos cobrados por isso no sentido positivo, nunca no sentido de mandar abaixo, tal como o que nos passam, nessa cobrança, crescimento e mudança de perspetiva, nós passamos para os treinadores e estes para os jogadores», explica.
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