Brilha na Ásia, mas admite: «O sonho era jogar no Sporting»
Miguel Oliveira está a viver uma das melhores fases da carreira no DPMM, do Brunei, onde se tem destacado. A milhares de quilómetros de Portugal, o extremo formado no Sporting não perde, porém, o vínculo às origens: continua a acompanhar o futebol português e, em especial, o clube onde cresceu como jogador e pessoa, recordando com orgulho os anos de formação em Alcochete.
- Passaste pela formação do Sporting. O que te lembras desses tempos?
- O Sporting foi a minha vida durante muitos anos. Entrei com 8 anos. O meu pai vinha do Alentejo praticamente todos os dias para me levar aos treinos. Houve muito esforço e sacrifício da minha família para eu seguir este caminho. Aos 13 anos mudei-me para a Academia em Alcochete. Foi duro estar longe da minha família tão novo e ter de crescer rápido, mas aprendi muito. O Sporting moldou-me. Deu-me disciplina, exigência, mentalidade competitiva e forma de encarar o futebol e a vida. É uma parte de mim que levo comigo todos os dias e pela qual tenho muito orgulho.
- Quem mais se destacava e continuas a falar com alguém?
- Continuo a falar com muitos. Passar pelo Sporting cria laços para a vida. Havia jogadores que, mesmo desde miúdos, eram diferenciados e sabia que iam chegar longe, como o Podence e o Francisco Geraldes. Da minha geração de 95, foram muito poucos os que conseguiram chegar a patamares mais elevados.
- Ficou algum sonho por concretizar no Sporting?
- O meu sonho era jogar na equipa principal do Sporting e na Liga. Como qualquer miúdo, a viver dentro da bolha de um grande clube, acreditava que bastava trabalhar, jogar bem e que o meu futuro estava praticamente assegurado, e que as coisas iam acontecer naturalmente. Antes via o futebol de forma muito mais inocente. Claro que fiquei surpreendido quando as coisas não correram como esperava e percebi que nem sempre basta o talento ou o esforço.
- Continuas a acompanhar o futebol português?
- Acompanho sempre que posso. Como aqui temos uma diferença horária de 8 horas, nem sempre é fácil ver os jogos em direto, mas tento acompanhar os jogos do Sporting e Premier League.
- Sempre foi um objetivo teu sair de Portugal para jogar cá fora?
- À medida que fui crescendo, percebi que, para evoluir como jogador e realmente mudar a minha vida, o meu caminho não ia passar por Portugal. A realidade é que em Portugal são poucos os que atingem patamares muito altos. Para transformar o futebol no meu trabalho e ter estabilidade, tive de sair da zona de conforto e procurar oportunidades cá fora.
- Pensas em regressar a Portugal?
- Neste momento, não vejo como um objetivo imediato regressar a Portugal. Para isso teria de surgir um projeto muito interessante, principalmente a nível profissional e financeiro, porque cá fora consigo condições e valorização que em Portugal dificilmente teria. Claro que adorava voltar um dia, jogar no nosso país tem sempre um sabor diferente. Mas hoje penso de forma prática, a oportunidade tem de fazer sentido a todos os níveis para ser a escolha certa.
- Que tipo de jogador e pessoa és hoje, comparando com o Miguel que saiu de Portugal?
- Como jogador, sinto-me mais completo, seguro das minhas qualidades e mais decidido dentro de campo. Sei o que mereço e consigo perceber rapidamente aquilo com que não me identifico. Sem dúvida que sou muito melhor jogador hoje do que há 10 anos, e o meu foco é evoluir constantemente. Como pessoa, sou mais resiliente. Já passei por situações difíceis, mas hoje estou bem. Isso dá-me estabilidade e clareza sobre o que quero para a minha carreira e para a minha vida.
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