Pedro Acosta é apontado à Ducati depois de ter sido desejado pela Honda. IMAGO
Pedro Acosta é apontado à Ducati depois de ter sido desejado pela Honda. IMAGO

«É um piloto corajoso, mas continua a fumar charros»

Depois de ter sido apontado à Honda e agora se desenhar uma possível ida para a Ducati na próxima temporada, o espanhol da KTM continua debaixo de fogo, mesmo depois de ter vencido pela primeira vez uma corrida sprint no Mundial de MotoGP, na Tailândia, no primeiro GP da temporada

Alberto Puig, diretor da equipa Honda HRC, não poupou nas palavras ao comentar a provável ida de Pedro Acosta para a Ducati em 2027, recuperando uma polémica antiga ao reafirmar que o jovem piloto é um «fumador de charros».

Numa entrevista à revista AS, à margem do Grande Prémio da Tailândia de 2026, o tema principal foi o mercado de pilotos para 2027. Embora ainda não haja confirmação oficial, os rumores apontam para a mudança de Pedro Acosta para a Ducati Lenovo, onde faria equipa com Marc Márquez. Puig comentou a decisão do jovem murciano, que terá preterido uma oferta financeiramente superior da Honda.

«Acosta é um piloto fantástico, e compreendo que queira medir-se com os melhores e estar em pé de igualdade. Tem todo o direito a isso», afirmou Puig, reconhecendo a lógica desportiva da escolha. «Ele privilegiou a competitividade da mota, e isso é totalmente respeitável. Cada um sabe o que quer, e não há nada de errado nisso.»

O diretor da Honda elogiou a audácia da decisão: «Demonstrou coragem e tomou uma decisão ousada. Ao mesmo tempo, procurou garantir os serviços de uma máquina performante como a Ducati, pelo menos no papel. Veremos como a mota se comportará no próximo ano. O futuro dirá se fez a escolha certa, mas é um piloto corajoso.»

Apesar do tom diplomático, Puig não deixou de lançar uma farpa. Quando o jornalista Mela Chércoles o recordou de uma declaração de 2024, na qual tinha chamado a Acosta «fumador de charros», o diretor da Honda não hesitou: «Continuo a pensar o mesmo.»

Esta afirmação recupera tensões passadas e mostra que, apesar de reconhecer o talento de Acosta, Puig não esquece a sua recusa. A expressão, segundo o artigo original, não se refere ao consumo de substâncias, mas é uma gíria usada por Puig, diz este, para descrever um piloto «nas nuvens», com uma mentalidade e uma abordagem à competição fora do normal.

Recorde-se que a Honda tentou contratar Acosta, mas o piloto preferiu a competitividade da Ducati e a oportunidade de correr ao lado de Márquez. Puig, fiel ao seu estilo direto e provocador, respeita a escolha desportiva, mas deixa claro que não perdoa a decisão, antevendo-se já um clima de tensão para a temporada de 2027.