Luís Guilherme dem ação diante do Casa Pia - Foto: Miguel Nunes
Luís Guilherme dem ação diante do Casa Pia - Foto: Miguel Nunes

Sporting: «Luís Guilherme é de direita ou de centro, não de esquerda»

A BOLA revela a 'ideologia' do extremo canhoto. Já foi 10, mas joga melhor de pé trocado

«Sou meio Veiga, meio Dudu», apresentava-se Luís Guilherme, aos 16 anos, quando a imprensa do Brasil queria saber quem era o moleque que Abel Ferreira chamara para treinar com o plantel principal.

Veiga, entretanto transferido do verdão, é um clássico camisa 10, técnico, organizador, que se sente em casa no centro. Já Dudu, que também já não joga de alviverde, é um ponta destro rápido que prefere partir da esquerda. O jogador do Sporting, que abriu o marcador com o Aves SAD, é, pois, uma espécie de médio ofensivo universal, mas com preferências, de acordo com as opiniões de quem o conhece desde sempre.

«O Luís Guilherme era camisa 10 até aos sub-20 do Palmeiras», lembra Eduardo Rodrigues, jornalista do Globo Esporte (GE) que segue há anos o verdão, das camadas jovens à equipa profissional. «Ele foi modificado pelo Abel Ferreira já no plantel profissional para jogar mais aberto pela direita, para fletir e chutar, porque tem a finalização de fora como uma das principais características e até fez um golo parecido com o aquele ao Aves SAD na Taça de Portugal na Libertadores, só que mais longe, na casa do Independiente Del Valle», recordou.

«Ele tem um desempenho muito superior ainda como 10 do que como ponta, não só à esquerda, onde não é tão determinante, mas até mesmo à direita, onde já rende muito bem», conclui.

Então, de origem, Luís Guilherme é um armador de jogo, posição onde muita gente o prefere ver atuar. No entanto, essa posição atrás do ponta de lança, como organizador, já tinha dono no Palmeiras, Veiga, o que levou Abel a considerá-lo na posição de onde ele arrancou para se estrear de leão ao peito.

Luís Guilherme e Pedro Lima atentos a Abel Ferreira - Foto: Palmeiras

Comparado com... Usain Bolt

Acresce que a jogar no meio, Luís Guilherme não pode fazer tanto uso de uma das características mais impressionantes: a velocidade. O brasileiro até já foi comparado a... Usain Bolt.

«Na final da Copa do Brasil sub-17, ele atingiu 36,4 km/h, o ex-velocista jamaicano alcançava perto de 44 km/h, Gareth Bale, o mais rápido do mundo, segundo estudo da FIFA de 2015, atingiu 36,9%», escreveu Felipe Zito no GE.

A solução de compromisso entre um 10 bom rematador de média distância com o pé esquerdo que corre como uma chita, é então colocá-lo à direita? «Sim», responde Paulo Vinícius Coelho, colunista do UOL, acrescentando: «O Luís Guilherme é melhor da direita para dentro num 4x2x3x1 como o de Rui Borges, jogando como uma espécie de meia ponta, entrando e deixando o lateral subir. Com o pé esquerdo entrando para dentro ele toma as melhores decisões, jogava mais à direita no West Ham, mas, na verdade, lá quase não jogou e esse é um dos problemas do futebol brasileiro: descobre jogadores extraordinários que vão para a Europa muito cedo, mas não se desenvolvem porque não jogam».

Talhado para render Quenda

O conselho de quem conhece melhor o rápido e talentoso médio ofensivo de 19 anos, para o treinador do Sporting é claro: a ideologia futebolística é centro ou direita, ou centro-direita ou, mais precisamente até, direita-centro, jamais esquerda, para usar termos adequados à quadra eleitoral.

É, desta forma, um jogador à medida para render Quenda, que em 2026/2027 ruma ao Chelsea.