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Pintam-se bandeiras de Cabo Verde no Brasil: uma história com mais de 200 anos
Eis o exemplo de como o futebol tem o poder de aproximar a história. Graças ao facto de Cabo Verde se ter qualificado pela primeira vez para um Mundial, um modesto município do estado de Minas Gerais tem vindo a estudar mais a fundo um país que até agora lhes era desconhecido. Motivo: a cidade tem o nome homónimo.
Tal como mostra uma reportagem do globoesporte, a população local tem vindo a pintar bandeiras da seleção dos Tubarões Azuis nas ruas, ao lado das do Brasil. «Vamos torcer pelos dois países», afirmou Laís Podestá, empresária responsável pela iniciativa.
O tema tem sido debatido nas escolas do município, destacando-se a surpresa das crianças pelo facto de o português falado neste país dos PALOP ser «muito parecido com o português de Portugal».
«O futebol tem esse enorme valor de aproximar os povos, e já estamos a sentir o calor humano dos brasileiros em relação à nossa seleção», afirmou, àquela reportagem, o embaixador de Cabo Verde, José Pedro Máximo.
Não é assumido nem garantido que o nome deste Cabo Verde de 14 mil habitantes se deve à ex-colónia portuguesa, mas uma investigadora ouvida pelo Globoesporte recorda que documentos dos séculos XVIII e XIX não deixam dúvidas sobre a presença, naquele local, de uma grande população negra, escravizada ou já libertada, a que se chamava «preto Cabo Verde», mesmo que a sua origem não fosse do atual país de 525 mil habitantes. Era, portanto, uma expressão utilizada em referência a pessoas escravizadas vindas de África.
Separado por 4880 quilómetros, e apesar da diferença no sotaque, a seleção liderada por Bubista já sabe que nesta segunda-feira terá ainda mais adeptos a torcer à distância na estreia no Mundial, frente a Espanha, em Atlanta.