Pedro Proença refugiou-se num comunicado — Foto: IMAGO
Pedro Proença refugiou-se num comunicado — Foto: IMAGO

Proença é isto mesmo

O cliché vale para o futebol português e para aquele que devia liderá-lo e não miná-lo com os seus jogos de influência e conversas que, longe do público, escapam ao politicamente correto

A mancha já ninguém a tira. Foi o que aconteceu em todos os casos anteriores, graves, em que alguém, de forma errada, sim, decidiu publicamente expor uma conversa privada. Os portugueses gostam disto e muito, sabemo-lo há décadas. No entanto, tal como sei que nunca deixo de ser jornalista, mesmo que não esteja em exercício da função e queira estar anónimo naquele momento, também qualquer jogador, treinador ou dirigente tem de perceber que será, perante o tribunal da opinião pública, sempre aquilo por que é reconhecido. Seja na condição de presidente da Liga, candidato à presidência da Federação, presidente no ativo ou até ex-presidente, perante má ou boa-fé.

Protegido pela capa da ilegalidade, que existe, e da má-fé, idem, Pedro Proença nada justificou. Não confirmou, nem desmentiu, que é o mesmo de confirmar, como diz o ditado. E, para mim, pior, não deu a cara, nem que fosse para poder usar a palavra «cobardia» com que acusou (com razão) quem publicou os áudios com outra propriedade. Refugiou-se num comunicado, quando deveria ter aparecido perante os jornalistas, reconhecendo a gravidade do tema, e explicado o que lhe passou pela cabeça para dizer o que disse, contextualizado ou não. Porque por muito que se contextualize, todas aquelas palavras são demasiado más vindas de quem deveria defender o futebol português com unhas e dentes. Ainda por cima de um ex-árbitro, eleito por larga maioria, que tem todo o poder para poder mudar o que está de errado... no que critica. Pelo contrário, criou fissuras talvez irreparáveis nos próximos anos.

Não posso deixar também passar que Proença se acha «competentíssimo» — julgo que foi isso que quis dizer — quando se comparou a um membro da sua direção (e eventualmente ao resto do mundo). Está errado, aliás está tudo errado. Em quase ano e meio, o atual presidente da Federação pairou simplesmente, como costuma fazer, sobre o futebol português. Que está e onde estará tudo na mesma. Os mesmos problemas e as mesmas falhas nas soluções, apesar de a máquina de propaganda que montou querer sempre vender uma imagem que talvez ainda engane uns quantos mais distraídos.

Mesmo que não tenha grande esperança em Proença, como escrevi aqui, reconheço-lhe um desafio. Já se percebeu que a amante ferida vai expô-lo o mais que puder, porém precisa de se descolar da imagem que todos os que não gostavam dele já tinham: qual é a surpresa? Proença é isto mesmo. Como o futebol no cliché.

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