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Como seria um Mundial sem seleções europeias?
A UEFA declarou que irá boicotar o Campeonato do Mundo caso os planos de Gianni Infantino para privatizar as competições da FIFA sejam aprovados. A decisão foi anunciada após uma reunião de emergência realizada na quinta-feira, colocando uma enorme pressão sobre o organismo que rege o futebol mundial.
Num comunicado oficial, a UEFA foi inequívoca quanto à sua posição: «Nenhuma seleção da UEFA participará em qualquer competição da FIFA enquanto estas propostas se mantiverem, a menos que esta proposta seja totalmente abandonada e que sejam dadas garantias vinculativas de que a FIFA nunca mais abrirá a sua governação ou competições a propriedade privada.»
A ausência das equipas europeias teria um impacto devastador no Campeonato do Mundo. Recorde-se que, no último Mundial, seis dos oito quartos de finalistas e três dos quatro semifinalistas eram seleções europeias. Desde 1966, cinco dos sete vencedores do torneio foram europeus: Inglaterra, Alemanha, Itália, França e Espanha, sendo Argentina e Brasil as exceções.
A ameaça de boicote surge numa altura em que o Mundial 2030, coorganizado por Portugal, Espanha e Marrocos, já está no horizonte. Com 16 das 48 equipas participantes no último torneio a serem oriundas da Europa, a concretização deste boicote alteraria drasticamente a face da competição.
A UEFA detém um poder negocial significativo, pois um Mundial sem nações europeias de peso comprometeria os planos de Infantino de maximizar as receitas do evento. O presidente da FIFA tem defendido as suas propostas com o argumento de que estas trarão mais dinheiro para os 211 membros da organização.
O conflito poderá também afetar o Mundial Feminino do próximo ano, no Brasil. A Espanha é a atual detentora do título e a Inglaterra, campeã europeia e vice-campeã mundial em 2023, representa um enorme interesse comercial.
Ainda não se sabe se a FIFA avançaria com um Mundial de 48 equipas sem a presença europeia, especialmente considerando que Infantino já sugeriu a possibilidade de expandir o torneio para 64 equipas em 2030. Permanece também a incerteza sobre se outras federações, como as da Ásia e da América do Norte, seguiriam o exemplo da UEFA.
Como seria um Mundial sem seleções europeias? Confira um cenário meramente especulativo:
Grupo A: Argentina, Equador, Jordânia e Mali
Grupo B: Uruguai, Austrália, Cabo Verde e Burkina Faso
Grupo C: Paraguai, Panamá, Gana e Honduras
Grupo D: Marrocos, Egito, Curaçau e Emirados Árabes Unidos
Grupo E: Coreia do Sul, África do Sul, Peru e Uganda
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