Mundial
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Mundial 2026: perfis dos jogadores de Cabo Verde
1. JOSIMAR DIAS «VOZINHA»
Data de nascimento: 3 de junho de 1986
Clube: Chaves
Posição: Guarda-redes
Tesouro nacional
Uma das lendas vivas do futebol cabo-verdiano e, a par de Ryan Mendes, o único jogador a alinhar em todas as grandes competições em que Cabo Verde marcou presença, Vozinha é um tesouro nacional. Porventura o futebolista mais querido do país, só deixou a sua terra natal aos 25 anos, tornando-se profissional ao assinar pelos angolanos do Progresso do Sambizanga. Seis meses mais tarde, estreou-se por Cabo Verde numa vitória por 2-0 frente aos Camarões, que ajudou a carimbar o inédito apuramento do país para a CAN de 2013. «No primeiro jogo que ele fez, eu estava assustado porque não sabia do que ele era capaz», confessou ao The Guardian Fernando Neves, capitão e defesa-central dos Tubarões Azuis nesse dia. «Mas, após 10 minutos, o medo passou. Para mim, é o melhor guarda-redes da história de Cabo Verde». Agora, Vozinha vai estrear-se num Mundial precisamente uma semana após celebrar o 40.º aniversário.
23. CARLOS «CJ» DOS SANTOS
Data de nascimento: 24 de agosto de 2000
Clube: San Diego FC
Posição: Guarda-redes
Apesar de o número de cabo-verdianos a residir nos Estados Unidos superar o daqueles que vivem nas ilhas, o guarda-redes CJ Dos Santos é o único jogador da equipa nascido em solo americano e, caso se estreie no Mundial, tornar-se-á apenas o segundo futebolista nascido nos EUA a representar os Tubarões Azuis. Nascido em Filadélfia, o guardião passou pela academia do Benfica antes de se juntar ao Inter Miami. O ano passado, mudou-se para o novo franchising da MLS, o San Diego FC, onde sobressaiu na época de estreia do clube, que fixou vários recordes. Nos playoffs, sofreu uma fratura no nariz que o obriga agora a usar uma máscara protetora, valendo-lhe a alcunha de «Batman». O potencial de Dos Santos entusiasmou tanto os responsáveis cabo-verdianos que o guardião foi convocado para os particulares de março antes mesmo de a sua mudança de nacionalidade ter sido oficialmente aprovada.
12. MÁRCIO DA ROSA
Data de nascimento: 23 de fevereiro de 1997
Clube: PFC Montana
Posição: Guarda-redes
A vítima do sucesso e da longevidade de Vozinha. Apesar de ser um guarda-redes seguro desde que brilhou num jogo de sub-19 contra Portugal, disputado sob uma tempestade tropical, Rosa nunca teve uma verdadeira oportunidade na seleção principal. Formou-se na EPIF, uma das academias de futebol mais prestigiadas de Cabo Verde, mas sentiu dificuldades quando se mudou para Portugal, em 2015. Após saltar por vários clubes dos escalões secundários lusos, encontrou estabilidade na Bulgária, ao serviço do PFC Montana. Com a emergência de CJ dos Santos, e mesmo quando Vozinha se retirar após o Mundial, Rosa poderá ter dificuldades em reclamar a camisola número 1 de que é herdeiro há quase uma década.
22. STEVEN MOREIRA
Data de nascimento: 13 de agosto de 1994
Clube: Columbus Crew
Posição: Defesa
Sem papas na língua
Antigo internacional jovem francês encara este Mundial como um regresso a casa. Desde que assinou pelo Columbus Crew, em 2021, tem sido um dos defesas mais consistentes da MLS. Em 2023, conquistou a MLS Cup com o Crew e, uma temporada mais tarde, foi eleito o Defesa do Ano. O lateral-direito titular de Cabo Verde terá de esperar que os Tubarões Azuis não se cruzem com a Escócia no Mundial. O jogador de 31 anos foi visto nas bancadas quando o Rangers bateu o Celtic por 3-1, num resultado que ditou o despedimento do seu antigo treinador, Wilfried Nancy. Moreira tornou-se o inimigo público número 1 após o encontro ao defender Nancy: «Acho sinceramente que a MLS é muito, mas muito melhor do que a Liga escocesa. Fiquei muito surpreendido com o quão má era. É apenas a minha opinião.»
2. IANIQUE TAVARES «STOPIRA»
Data de nascimento: 20 de maio de 1988
Clube: Torreense
Posição: Defesa
Lenda viva
Filho querido da Praia, Ianique dos Santos Tavares nasceu e cresceu no bairro da Achada de Santo António, na capital do país. Depois de se destacar no Sporting da Praia, mudou-se para Portugal antes de passar uma década no Fehérvár, na Hungria, país do qual possui agora nacionalidade. Batizado em homenagem ao futebolista francês Yannick Stopyra, o lateral-esquerdo de cabelo ruivo acompanha os Tubarões Azuis há quase duas décadas. Chegou a retirar-se do futebol internacional em junho de 2024, mas foi convencido a regressar para a campanha de qualificação do Mundial. «Mesmo que não jogue, o Stopira é um dos jogadores mais importantes desta equipa», revelou o diretor técnico, Rui Costa, ao The Guardian. Stopira sublinhou essa importância ao apontar o terceiro golo na vitória por 3-0 de Cabo Verde sobre o Essuatíni, selando o apuramento precisamente na sua cidade natal.
4. ROBERTO «PICO» LOPES
Data de nascimento: 17 de junho de 1992
Clube: Shamrock Rovers
Posição: Defesa
Camisola por dentro
Haverá certamente muitos irlandeses a apoiar Cabo Verde no Mundial, tudo graças ao rapaz de Crumlin com raízes em São Nicolau. Roberto «Pico» Lopes nasceu e cresceu em Dublin, mas foi convocado para os Tubarões Azuis pela primeira vez através do... LinkedIn. «Não percebi. Achei que era só uma mensagem de boas-vindas... por isso ignorei», contou Pico à CNN em 2024. O defesa do Shamrock Rovers acabou por colocar a mensagem em português no Google Tradutor nove meses mais tarde e nunca mais olhou para trás após estrear-se internacionalmente em 2019. O central de estilo clássico, sempre de camisola por dentro e sem rodriguinhos, tornou-se desde então uma peça basilar no coração da defesa cabo-verdiana, disputando as CAN de 2021 e 2023. É uma ascensão notável para o jogador de 34 anos que, há uma década, trabalhava como consultor de crédito à habitação enquanto jogava futebol em regime de part-time. Apesar de não falar português e de estar a aprender crioulo aos poucos, Pico é um dos favoritos dos adeptos e, como revelou um dos vice-presidentes da federação ao The Guardian, «um futuro capitão» dos Tubarões Azuis.
8. JOÃO PAULO FERNANDES
Data de nascimento: 26 de maio de 1998
Clube: FCSB
Posição: Defesa
Nascido na Cidade Velha, na ilha de Santiago, a história de Fernandes é um exemplo clássico dos desafios para se ser futebolista profissional em Cabo Verde. Desde o pai eletricista, que sacrificava horas diárias para o levar à Praia para treinar, em miúdo, até ao falhanço inicial na mudança para Portugal devido a problemas com o visto de trabalho. O lateral-esquerdo, que também pode alinhar no meio-campo, joga agora na Roménia ao serviço do FCSB. João Paulo é de tal forma popular no clube que, quando se deparou inicialmente com entraves no visto de trabalho, o proprietário do clube e antigo eurodeputado Gigi Becali atirou: «Terei de intervir eu, como parlamentar, para escrever uma carta oficial a exigir o seu visto de trabalho.»
5. LOGAN COSTA
Data de nascimento: 1 de abril de 2001
Clube: Villarreal
Posição: Defesa
Defesa de elite
Numa equipa repleta de talentosos operários, Logan Costa é, porventura, o único jogador de elite de Cabo Verde. O defesa-central nascido em França (e primo de Dailon Livramento) despontou no Toulouse, onde marcou dois golos na final da histórica conquista da Taça de França, antes de rumar ao Villarreal. O possante defesa, dotado de excelente qualidade de saída de bola, é o único cabo-verdiano a atuar numa das cinco principais ligas europeias e assume-se como o jogador mais importante da nação, formando uma dupla sólida com Pico Lopes. «Ele tem todos os ingredientes necessários para se tornar ainda mais forte do que já é», atesta o antigo Tubarão Azul e atual observador do West Ham, Georges Santos. «O Villarreal é uma excelente equipa, mas consigo perfeitamente vê-lo a jogar no Barça, Real Madrid ou Atlético, pois é um jogador rápido, inteligente e sabe defender». Sofreu uma rotura de ligamentos cruzados durante a pré-época, regressando aos relvados apenas no penúltimo jogo da temporada do Villarreal. A sua condição física deverá ditar o sucesso ou o insucesso dos Tubarões Azuis na América do Norte.
3. «DINEY» BORGES
Data de nascimento: 17 de janeiro de 1995
Clube: Al Bataeh
Posição: Defesa
Apesar de ter passado mais de uma década em Portugal, no último Mundial Borges teve de torcer contra os lusos, apoiando em contrapartida a sua nação adotiva, Marrocos. O agressivo e combativo defesa-central desfrutava de uma etapa surpreendente no clube marroquino ASFAR Rabat, onde viveu quatro anos de sucesso. Borges acompanha Cabo Verde há nove anos, mas só nos últimos 12 meses conseguiu uma sequência regular na equipa. A grave lesão de Logan Costa empurrou Borges para a titularidade e este agarrou a oportunidade. Desenvolveu uma parceria sólida com Pico Lopes e, na qualificação para o Mundial, apenas Dailon Livramento marcou mais golos do que ele pelos Tubarões Azuis. Se Costa regressar ao onze, Borges considerar-se-á um homem de muita pouca sorte.
24. WAGNER PINA
Data de nascimento: 3 de novembro de 2002
Clube: Trabzonspor
Posição: Defesa
«Quem apostou nele como jogador de corredor direito fez uma aposta ganha», revelou o seu antigo treinador de formação, Márcio Moreira, ao jornal A BOLA, depois de o jogador nascido em Lisboa ter sido transformado de médio em lateral. Moreira foi mais longe e vaticinou audazmente que Pina se mudaria para um dos grandes de Portugal. Porém, o agora lateral em atividade na Turquia tinha outros planos. Em declarações ao ZeroZero, no ano passado, confessou: «Quero chegar à Premier League e jogar uma competição internacional por Cabo Verde». Com o nome de Pina fortemente associado ao Fulham para o mercado de verão, o jogador está a caminho de concretizar ambos os objetivos no espaço de dois meses.
13. SIDNY LOPES CABRAL
Data de nascimento: 18 de setembro de 2002
Clube: Benfica
Posição: Defesa
Um nome para o futuro
Há três anos, Cabral alinhava no quinto escalão do futebol alemão. Há três meses, estreou-se na Liga dos Campeões diante do Real Madrid. Tem sido uma caminhada notável. Nascido em Roterdão, Cabral já passou pelos Países Baixos, Suécia e Alemanha antes de explodir como estrela no Estrela da Amadora, de onde José Mourinho o resgatou para o Benfica em dezembro. Embora atue predominantemente como lateral-esquerdo em Cabo Verde, é capaz de desempenhar qualquer função em ambos os corredores e é totalmente ambidestro. Após faturar com os dois pés num hat-trick apontado esta temporada, quando lhe perguntaram qual era o seu pé preferido, encolheu os ombros e respondeu: «Isso não importa.»
25. KELVIN PIRES
Data de nascimento: 5 de junho de 2000
Clube: SJK
Posição: Defesa
Pires causou enorme burburinho em 2019, quando foi convocado para os Tubarões Azuis enquanto ainda representava o Batuque FC, em Cabo Verde. Nenhum cabo-verdiano representava a seleção nacional a atuar no campeonato local há mais de seis anos. Um ano depois, o defesa-central trocou as praias de São Vicente pelos vales montanhosos da Eslováquia, onde passou quatro anos antes de rumar à Finlândia, onde joga atualmente no Seinäjoen Jalkapallokerho. Ironicamente, o único golo de Pires por Cabo Verde aconteceu precisamente contra a Finlândia em março, quando as duas seleções se defrontaram na FIFA Series.
10. JAMIRO MONTEIRO
Data de nascimento: 23 de novembro de 1993
Clube: PEC Zwolle
Posição: Médio
O motor criativo
É mais um dos internacionais que regressa «a casa» nos EUA, onde passou cinco temporadas de sucesso divididas entre o Philadelphia Union e o San Jose Earthquakes. Capaz de jogar em posições mais recuadas no miolo ou como número 10, Monteiro é combativo e exímio no transporte de bola, mas atribui a sua evolução em termos ofensivos ao homem que lhe deu a estreia profissional no Cambuur, Arne Slot. «Ele percebeu que a recuperação de bola era um dos meus pontos fortes e aliou isso a um jogo mais vertical. Foi assim que cresci como jogador», revelou à Voetbal International.
6. KEVIN LENINI PINA
Data de nascimento: 27 de janeiro de 1997
Clube: Krasnodar
Posição: Médio
Pulmão do meio-campo
Nascido e criado na Praia, Pina julgou que qualquer esperança de fazer carreira no futebol tinha terminado quando emigrou para os Estados Unidos. Mas um encontro fortuito com o antigo capitão dos Tubarões Azuis, Carlos «Caló» Morais, alterou o rumo dos acontecimentos. «Vi-o a jogar num jogo de rua em Brockton e fui falar com o pai dele para o convencer a regressar a Cabo Verde», contou Caló ao The Guardian. Após seis meses, Pina reprovou em testes no Casa Pia e no Benfica antes de assinar pelo Chaves. É agora campeão russo ao serviço do Krasnodar e o pulmão do meio-campo de Cabo Verde. «Ainda guardo a carta do Benfica a dizer que ele não tinha qualidade suficiente», diz Caló, entre risos.
15. LAROS DUARTE
Data de nascimento: 28 de fevereiro de 1997
Clube: Puskás Akadémia
Posição: Médio
«Ele é um dos meus melhores amigos. Desde miúdos que sonhávamos ser profissionais e agora conseguimos e jogamos um contra o outro. É sem dúvida especial», referiu Laros Duarte aos meios de comunicação do Sparta Roterdão, quando defrontou o seu irmão mais novo, Deroy, pela primeira vez, no duelo entre o PSV Jong e o Jong Sparta, há oito anos. Agora, os médios vão juntos ao Mundial. Laros abriu as portas ao irmão na academia do Sparta Roterdão, onde entrou com apenas cinco anos. Os irmãos são inseparáveis, algo bem demonstrado quando a dupla terminou o jogo de qualificação para o Mundial contra o Essuatíni junta no miolo do terreno. «Isto é um sonho de infância, viver coisas destas juntos. Um Mundial com Cabo Verde, é algo verdadeiramente indescritível», confessou Laros à NOS.
14. DEROY DUARTE
Data de nascimento: 4 de julho de 1999
Clube: Ludogorets Razgrad
Posição: Médio
Âncora do meio-campo
Deroy é o mais jovem dos dois irmãos Duarte, mas também o mais bem-sucedido. Foi convocado dois anos antes de Laros e estabeleceu-se como titular ao lado de Kevin Pina no coração do meio-campo dos Tubarões Azuis. Um médio-defensivo possante, que se sente confortável a cobrir as costas para deixar Pina e Jamiro Monteiro subirem no terreno, Duarte é uma das peças-chave da equipa de Bubista. Mas, apesar de o irmão mais novo apresentar um trajeto superior, Deroy olha para ambos como um pacote indivisível na seleção. «A verdade é que nunca pensei por um segundo na possibilidade de não sermos selecionados», disse Deroy à ESPN após o apuramento. «O selecionador nacional de certeza que não faria isso, pois não? Chamar um de nós e deixar o outro de fora?»
18. TELMO ARCANJO
Data de nascimento: 21 de junho de 2001
Clube: Vitória de Guimarães
Posição: Médio
Irreverente
Integrante da longa lista de jogadores de Cabo Verde cujos familiares também representaram os Tubarões Azuis, Telmo Arcanjo seguiu as pisadas do seu irmão mais velho, Fábio. Porém, ao contrário do irmão, Telmo tornou-se fulcral para Cabo Verde, apesar de ter sofrido uma rotura de ligamentos cruzados em maio de 2023. Descreveu o período de recuperação como «14 meses de imensa dor, sacrifício e uma enorme ânsia de voltar a pisar o relvado». O médio-ofensivo nascido em Lisboa ajudou o Vitória de Guimarães a conquistar a Taça da Liga esta temporada, o terceiro troféu da história do clube. Em Portugal, Arcanjo é muito conhecido por um momento em outubro, quando se preparava para saltar do banco contra o Famalicão com o telemóvel na mão. Havia, contudo, uma explicação: estava à conversa com o treinador principal, Luís Pinto, que se encontrava nas bancadas por ter sido expulso no jogo anterior.
16. YANNICK SEMEDO
Data de nascimento: 29 de dezembro de 1995
Clube: Farense
Posição: Médio
«É incrível [vê-lo jogar por Cabo Verde]», salienta Leovigildo Ribeiro, o homem que descobriu Semedo quando este era criança. «Foi muito emotivo. Sou como um pai para ele». Semedo, cujo pai biológico faleceu quando ainda era rapaz, foi referenciado num jogo de jovens na sua Cidade Velha natal por Ribeiro, que levou o combativo médio para a Praia, para jogar no Celtic da Praia (clube da família de Ribeiro, cujo nome foi inspirado nos Lisbon Lions de Jock Stein). Originalmente defesa-central, Semedo joga agora como médio-centro após uma carreira construída nos escalões secundários de Portugal. Agora, Semedo poderá bater-se com Rodri, Pedri e companhia no Mundial. «É um sonho [ver o Semedo num Mundial]», diz Ribeiro. «Vou estar nos Estados Unidos para ver o Semedo e a Seleção jogarem.»
20. RYAN MENDES
Data de nascimento: 8 de janeiro de 1990
Clube: Igdir
Posição: Avançado
Capitão e GOAT
O maior de todos os tempos (GOAT - Greatest Of All Time), Ryan Mendes é sinónimo de Tubarões Azuis. É o capitão da nação, o melhor marcador de sempre, o jogador com mais internacionalizações e, no Mundial, poderá tornar-se o primeiro futebolista na história de Cabo Verde a atingir os 100 jogos. O extremo-direito era um talento explosivo, formado na prestigiada academia do Le Havre, onde despontou ao lado de Paul Pogba, Benjamin Mendy e, mais tarde, Riyad Mahrez. Aliás, era em Mendes que o Leicester estava de olho quando o observador-chefe Steve Walsh visitou o Le Havre em 2012. Um membro da claque oficial do Le Havre recordou à BBC: «O Ryan Mendes era, sem dúvida, o melhor jogador. Esperávamos que atingisse um nível mais alto do que o Riyad. O Ryan era um jogador fantástico, mas sofreu uma lesão grave». Esse problema no tornozelo travou a carreira de Mendes a nível de clubes, mas o avançado de 36 anos nunca falhou ao seu país e capitaneará a nação no seu primeiro Mundial.
11. GARRY RODRIGUES
Data de nascimento: 27 de novembro de 1990
Clube: Apollon Limassol
Posição: Avançado
Antigo carteiro
Há mais jogadores nascidos em Roterdão do que em qualquer outra cidade na comitiva de Cabo Verde e Rodrigues é o decano do grupo, tornando-se o primeiro futebolista nascido nos Países Baixos a representar os Tubarões Azuis, em 2013. Mas, para o irreverente extremo, só existia uma nação que desejava representar. «O meu pai esteve sempre lá para mim no futebol e era um sonho para ele que eu jogasse pela seleção de Cabo Verde», revelou à FourFourTwo, em 2024. Apesar de ter passado pela prestigiada academia Varkenoord do Feyenoord, não conseguiu garantir um contrato profissional durante quase quatro anos após ser dispensado. Jogou futebol amador nos Países Baixos enquanto fazia turnos da noite nos serviços postais holandeses. Dezasseis anos depois, ostenta uma carreira que o levou a clubes como Galatasaray, Fenerbahçe e Olympiacos, acumulando mais de 60 internacionalizações por Cabo Verde.
17. WILLY SEMEDO
Data de nascimento: 27 de abril de 1994
Clube: Omonia Nicosia
Posição: Avançado
Pura energia
Semedo escolheu o caminho menos trilhado. Apesar de ter nascido e crescido nos subúrbios de Paris, as oportunidades de Semedo no futebol eram extremamente escassas. Após falhar o ingresso no futebol profissional em França, tomou a audaz decisão de se mudar para Chipre para jogar no Alki Oroklini, da quarta divisão. Em quatro temporadas no clube, alcançou três promoções. Após percursos por vários pontos da Europa e pela Arábia Saudita, o veloz extremo regressou a Chipre para representar o Omonia Nicosia, que conduziu ao primeiro título em quatro anos. É, sem dúvida, o jogador cabo-verdiano em melhor forma a nível de clubes. Foi eleito o Jogador do Ano pelos jornalistas desportivos de Chipre em 2025 e, esta temporada, tornou-se o primeiro jogador na história da primeira divisão cipriota a registar dois dígitos tanto em golos como em assistências.
7. JOVANE CABRAL
Data de nascimento: 14 de junho de 1998
Clube: Estrela da Amadora
Posição: Avançado
Desequilibrador
Nascido na ilha de Santiago, Jovane mudou-se para Portugal aos 14 anos para integrar a academia do Sporting, onde passou uma década. Foi uma peça importante na equipa de Ruben Amorim que quebrou o jejum de 19 anos sem títulos do clube, com o antigo treinador do Manchester United a descrevê-lo assim: «Talvez o jogador mais importante [no clube] quando chegámos». O sucesso em Portugal levou-o a rejeitar uma convocatória de Cabo Verde (tendo alinhado apenas num amigável), na esperança de se naturalizar português para jogar ao lado de Cristiano Ronaldo e companhia. Uma sucessão de lesões e a consequente perda de forma descarrilaram a sua carreira, tanto no clube como na seleção. O extremo acabou por regressar aos Tubarões Azuis e parte para o Mundial sem clube, após terminar a sua ligação ao Estrela da Amadora.
9. GILSON «BENCHIMOL» TAVARES
Data de nascimento: 29 de dezembro de 2001
Clube: Akron Tolyatti
Posição: Avançado
Antigo lateral-direito
Nascido na Praia, Tavares mudou-se para Portugal em criança, alinhando por vários clubes locais de Lisboa como lateral-direito. Só quando assinou pelo Estoril é que foi adiantado no terreno para jogar como avançado, já aos 19 anos. O arranque prometedor no Estoril valeu-lhe abordagens de vários clubes europeus, incluindo Nice, Mónaco, Milan e Juventus. Acabou por assinar pelo Benfica por empréstimo antes da mudança surpreendente para os russos do Akron Tolyatti em 2024. Apesar da escolha de carreira invulgar, Benchimol tem sido um elemento fixo nas escolhas de Bubista. Em março de 2022, tornou-se o primeiro e único jogador a apontar um hat-trick pelos Tubarões Azuis, ao marcar três golos ao Liechtenstein num particular.
19. DAILON LIVRAMENTO
Data de nascimento: 4 de maio de 2001
Clube: Casa Pia
Posição: Avançado
A grande promessa
Há quem esteja destinado ao sucesso e Livramento é um desses casos. Filho do ícone da música cabo-verdiana Marizia do Rosário, Livramento estreou-se nas cantorias com apenas um ano, quando os seus balbucios foram incluídos na canção Daily, que Marizia lhe dedicou. O próprio avançado canta e o seu irmão Jerzy integra o grupo de hip-hop holandês Broederliefde. Apesar de só ter sido convocado pela primeira vez em 2024, já faturou por sete vezes pelos Tubarões Azuis, quatro das quais cruciais na qualificação — incluindo os golos que carimbaram o passaporte de Cabo Verde para o Mundial frente aos Camarões e ao Essuatíni. «Quando marquei, apontei para o meu pulso», explicou ao The Guardian após o jogo sobre a sua celebração que já se tornou uma imagem de marca. «Está na hora de ir ao Mundial.» Em Daily, Marizia descreve Livramento como o seu «tudo no mundo»; mal sabia ela que ele passaria a significar exatamente o mesmo para o resto da sua pequena pátria insular.
21. NUNO DA COSTA
Data de nascimento: 10 de fevereiro de 1991
Clube: Basaksehir
Posição: Avançado
Outro caso de explosão tardia em Cabo Verde, Da Costa só se tornou profissional aos 24 anos. O polivalente avançado conciliava os estudos universitários com os jogos no Sporting Aubagne, do quinto escalão francês, antes de assinar o seu primeiro contrato profissional com o Valenciennes. Em França, viu-se no centro de uma polémica quando o comentador da beIN Sports e antigo internacional francês Daniel Bravo descreveu, de forma inacreditável, um golo de Da Costa pelo Estrasburgo como «nada mau para um preto». Um ano mais tarde, em 2020, o avançado capaz de atuar em qualquer posição da frente de ataque de Cabo Verde assinou pelo Nottingham Forest, mas deixou o clube 10 meses depois. Mais tarde, acusou o Forest de ser um clube que «movimenta os jogadores e os substitui como se fossem objetos».
26. HÉLIO VARELA
Data de nascimento: 3 de maio de 2002
Clube: Maccabi Telavive
Posição: Avançado
Não é a primeira vez que Varela é convocado para uma grande competição internacional por Cabo Verde, mas o extremo esperará que esta corra de forma diferente face à CAN de 2023. Tendo-se estreado pelos Tubarões Azuis escassos meses antes da prova, foi incluído na comitiva mas acabou por recusar viajar, optando por permanecer no seu clube de então, o Portimonense. A decisão transformou Varela e o emblema algarvio em inimigos públicos do presidente da Federação Cabo-Verdiana de Futebol, Mário Semedo, que apelidou a postura do clube e do treinador Paulo Sérgio de «mesquinha» por pressionarem Varela a não ir à CAN. «Exerceram uma pressão enorme sobre ele para não se juntar à seleção nacional», acusou. Felizmente para o extremo-esquerdo, que joga de pé direito, tudo parece ter sido perdoado.
Textos de Alasdair Howorth, para o the Guardian. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.