Do sangue na cara à piada: «No Barcelona chamavam-me empregado do McDonald's»
Pau Cubarsí jamais esquecerá o jogo da UEFA Champions League contra o Estrela Vermelha no Marakana, em Belgrado, no qual sofreu um corte profundo no rosto num duelo com Uros Spajic. Em entrevista ao L'Équipe, o jogador do Barcelona recorda o período difícil que atravessou, e que o obrigou a usar proteção, embora até tenha acabado por rir com a situação.
«Num lance, baixei a cabeça, o jogador adversário levantou a perna e acertou-me na cara. Vi o sangue a começar a escorrer, os meus colegas ficaram preocupados e chamaram o médico», começou por contextualizar, referindo-se ao episódio registado no jogo de 6 de novembro de 2024, que os catalães acabariam por vencer por 5-2.
«Ao intervalo, o médico disse-me que teria de levar pontos. Primeiro, pedi-lhe para me deixar tirar uma selfie, para enviar à minha mãe e dizer-lhe que estava bem, mas também para guardar a recordação [risos]. Para poder jogar contra a Real Sociedad alguns dias depois, tive de usar uma proteção que me fazia parecer um funcionário do McDonald's. Os meus colegas chamavam-me o empregado do McDonald's», contou.
Kubarsi, o carpinteiro entre patos e galinhas
Na entrevista, partilhou a infância na Catalunha: «Venho de Estanyol, uma aldeia muito pequena com menos de 200 habitantes, perto de Girona. Não conheço todos, mas quase todos. Lá há casas rústicas, isoladas no meio dos campos, animais, é muito tranquilo. Antigamente, o caminho pela aldeia era de terra batida, agora está asfaltado. Não há escola, apenas a carpintaria do meu pai e a igreja. Por isso, os meus pais levavam-me todas as manhãs, por volta das 7h30, para a aldeia vizinha onde vivem os meus avós. Tomava o pequeno-almoço com os meus primos e depois íamos todos a pé para a escola.»
«Na casa dos meus pais há ovelhas, dois cães, galinhas, patos... As ovelhas pastam a erva, e nós comemos ovos frescos que as nossas galinhas põem. Quando volto lá, desligo-me completamente. O meu bisavô já possuía essa oficina. O meu avô ficou com ela, e depois o meu pai e o meu tio. Na aldeia, somos conhecidos como os carpinteiros. Para uma criança, o cheiro da madeira, a serradura, as máquinas, as tábuas... Tudo isso é impressionante. Faz parte da minha identidade», acrescentou.