Cristiano Ronaldo com Cédric no Euro 2016
Cristiano Ronaldo com Cédric no Euro 2016

«Ninguém pode colocar em causa a importância de Cristiano Ronaldo na Seleção»

Cédric, campeão da Europa por Portugal em 2016, saiu em defesa de CR7 e anteviu duelo com Espanha

Campeão europeu por Portugal em 2016, Cédric Soares vive agora o Mundial 2026 como um adepto, a partir do Brasil, onde representa o Sao Paulo. Em entrevista à Marca, o lateral, nascido na Alemanha em 1991, antecipou o duelo dos oitavos de final frente à Espanha, confessando que preferia que o encontro acontecesse noutra fase da competição.

Apesar da distância, Cédric tem acompanhado o percurso da Seleção e desvaloriza as dificuldades sentidas. «Um Mundial nunca é fácil. A fase de grupos é sempre complicada e, claro, tudo se complica se não se ganha o primeiro jogo», afirmou, sublinhando que «não existem jogos fáceis» em grandes competições. «As seleções teoricamente mais pequenas tornam-se mais fortes e obrigam sempre a sofrer», acrescentou.

O jogador recordou que Portugal superou a fase de grupos e, posteriormente, a Croácia, que considera «outra seleção muito forte». Sobre o embate com a Espanha, descreve-o como «um duelo precioso, um jogo para desfrutar». Para Cédric, o equilíbrio é a nota dominante no futebol atual: «Hoje em dia, todas as seleções são muito mais competitivas. Além disso, quando se trata de um Mundial ou de um Europeu, a motivação é diferente. É uma sensação incrível. Todas as equipas crescem, unem-se mais, correm mais, dão um esforço extra e, por isso, os jogos tornam-se ainda mais difíceis.»

Questionado sobre a elevada expectativa em torno daquela que é considerada por muitos a melhor geração de sempre do futebol português, com nomes como Cristiano Ronaldo, Vitinha, João Neves e Nuno Mendes, Cédric reconhece que a exigência aumenta. «Nos países latinos, essa exigência costuma ser maior. Quando as expectativas são altas, a pressão também aumenta», admitiu. No entanto, vê este fenómeno de forma positiva: «Essa expectativa existe porque Portugal tem vindo a crescer nos últimos anos. Pouco a pouco, entrou nesse grupo muito reduzido de seleções que podem aspirar a ganhar grandes títulos.»

O lateral lembrou as conquistas da Liga das Nações e do Euro 2016 como provas da evolução da equipa das quinas. «Tudo isso permitiu que hoje se possa dizer que Portugal também luta para estar entre as melhores seleções do mundo», defendeu, acrescentando que esta valorização se estende aos jogadores. «Agora, o jogador português também tem esse reconhecimento», notou.

Cédric considera que o jogo contra a Croácia foi um exemplo da capacidade de superação da equipa. «Na primeira parte, Portugal dominou mais o encontro. Na segunda, a Croácia saiu muito bem e teve 15 a 20 minutos muito bons», analisou, destacando as intervenções de Diogo Costa. O golo português mudou o rumo dos acontecimentos e, apesar do sofrimento final, a vitória foi alcançada. «Foi um jogo muito bonito», resumiu.

Sobre Cristiano Ronaldo, com quem partilhou o balneário na seleção, Cédric foi perentório quanto à sua importância, independentemente das críticas ou elogios. «É um jogador com muita experiência. É incrível. Ninguém pode pode colocar em causa a sua qualidade ou a sua importância na Seleção. Para mim, sem dúvida, continua a ser um jogador muito importante para o grupo e para toda esta geração de jogadores portugueses. É uma pena que ainda haja quem duvide dele, porque continua a demonstrar que é um talento incrível», defendeu.

«O golo do empate [marcado por Ronaldo] foi crucial. Naquele momento, Portugal estava praticamente fora do Mundial 2026, e aquele golo recolocou a equipa na discussão. Ronaldo sabe perfeitamente o que significa jogar sob esse tipo de pressão. Aliás, acho que gosta disso. Sempre que se encontra nessas situações, reage da melhor maneira possível. Essa pressão também o força a exigir mais de si mesmo, a trabalhar com ainda mais entusiasmo a cada dia. Sempre surge a dúvida se ele ainda é tão bom quanto antes e ele responde em campo ao provar que continua a ser um jogador incrível», acrescentou.

A força do coletivo, um tema frequentemente abordado por Roberto Martínez, é vista como crucial. A entrada de jogadores como Gonçalo Ramos contra a Croácia ilustra a necessidade de todos os 26 convocados estarem preparados para competir. Esta situação é comparada à do Euro 2016, onde, após um início de prova menos conseguido e com críticas externas, a união do grupo foi fundamental para dar uma «resposta imediata» e reconquistar o apoio dos adeptos.

A experiência de começar como suplente e acabar como titular, como aconteceu no Euro 2016, serve de lição. «Não joguei nos primeiros encontros, mas quando chegou a minha oportunidade estava preparado e correu-me bem. Não há nenhum segredo». A chave, segundo o ex-Sporting, passa por treinar sempre no máximo e manter uma atitude positiva, apoiando os colegas que estão a jogar: «Quando ganha a equipa, ganhamos todos.»

Um dos grandes atrativos do próximo jogo será a reedição do duelo entre Nuno Mendes e Lamine Yamal.

«Depende muito do tipo de lateral que és. Nuno Mendes, por exemplo, gosta muito de duelos individuais. Ele gosta de saber quem é seu adversário e encará-lo de frente. Também tem atributos físicos extraordinários: é muito rápido, muito forte e também muito poderoso quando se junta ao ataque. Lamine, por outro lado, pensa o jogo muito rápido. Tecnicamente, é talvez o melhor jogador da sua geração. Faz coisas incríveis e ainda é muito jovem. Com certeza será um grande duelo», rematou Cédric.

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