Neemias no último 'court', primeiro nos Estado Unidos, que o homenageia       Fotografia Brianna Robinson/@eyeofbri
Neemias no último 'court', primeiro nos Estado Unidos, que o homenageia Fotografia Brianna Robinson/@eyeofbri

Neemias Queta na inauguração do 'seu court': «Vai ser um ano desafiante»

Poste português dos Celtics teve um duro treino na abertura do 'playground' em Boston que o homenageia, esteve mais de hora e meia a dar autógrafos numa festa que durou cerca de três horas e que foi a conclusão de um campo que serve a comunidade e uma escola. Pelo meios falou do que tem feito, da saída de Jaylen Brown, da convivência com Joe Mazzulla e da vitória de Portugal contra Espanha

No passado sábado, Neemias Queta inaugurou em Cambridge, nos arredores de Boston e localidade com forte implementação da comunidade luso-americana, o aguardado playground que não só serve que vive na quela zona como a King Open School. Um momento de festa no qual além dos produtos dos patrocinadores [Delta e Sumol/Compal], não faltaram pastéis de nata. Bolo que os Celtics há muito aprenderam como colocar um sorriso no seu jogador e que este não se esqueceu de levar uma caixa para casa.

A remodelação do campo, que teve na base o projeto da Hoopers e um design dedicado ao poste português dos Celtics concebido pelos designers João Varela, Martim Diniz e Sam Peterson, e que em cada lado tem a famosa frase de Martin Luhter King Jr.: «I have a dream» («Eu tenho um sonho»), levou ao local mais de três centenas de pessoas, que o obrigaram a mais de hora e meia só para atender quem desejava tirar uma fotografia com o internacional português ou pedir um autógrafo.

A fila de fãs à espera para poderem ter um autógrafo do poste dos Celtics Fotografia Brianna Robinson/@eyeofbri

No local, Neemy deu entrevistas a vários órgãos de informação de Boston, incluindo o The Garden Report, associado aos Celtics. Falou sobre a pré-época da equipa, as chegadas de Paul George, Mitchell Robinson e Mike Conley, assim como a saída do amigo Jaylen Brown, e nem ficou de fora a vitória da Seleção sobre a Espanha na qualificação para o Mundial Qatar-2027.

Apesar de o campo não ter a imagem de Queta, como acontece na serra de Monsanto, em Lisboa, onde está ao lado de Ticha Penicheiro, noutro no Barreiro e no do Vale da Amoreira, o basquetebolista não escondeu a Bobby Manning que havia contribuído muito pouco para o design, que conta com a sua camisola 88 dos Celtics. «Costumamos deixar os artistas trabalhar livremente e eles fizeram um excelente trabalho desta vez. Está vibrante e cheio de cor, tal como queríamos. O objetivo é servir de ponte entre as pessoas através da arte e do desporto, algo que a Hoopers faz muito bem», esclareceu.

Fotografia Hoopers/Project Backboard

Sobre o verão atarefado entre treinos dos Celtics, a participação na Seleção e o seu campo, quiseram também saber como tem sido para Neemias adaptar-se ao maior reconhecimento das pessoas. «Tem sido desafiante, mas faz parte de ter 2,13 m. Não dá para passar despercebido com esta altura, por isso é aceitar a situação, estar confortável com isso e sentir-me grato pela posição onde me encontro», respondeu.

No que se refere à histórica primeira vitória de Portugal em jogos oficiais face a Espanha, contou que foi «uma das melhores experiências que tive com a Seleção. Ir a Espanha, jogar perante aquele público e conseguir essa vitória foi fantástico para nós. Demonstra a todos em Portugal que, quando estamos focados, conseguimos ser muito competitivos. O basquetebol português está claramente em ascensão», completou.

Fotografia Brianna Robinson/@eyeofbri

A prorrogação do contrato com os Celtics até 2030/31 por 49 milhões de euros também foi tema incontornável. «Pode parecer um cliché, mas a consistência é a grande chave nesta liga. Os jogadores que se destacam são os que conseguem estar em campo de forma consistente e manter a confiança dos colegas e treinadores. Tivemos uma boa fase regular e bons momentos nos play-offs — onde estivemos a vencer por 3-1 e infelizmente não fechámos a série —, por isso a consistência será determinante», considera quem terá de jogar pela primeira vez após três épocas em Boston sem a ajuda de Jaylen Brown, por este ter sido trocado para os 76'ers.

«É difícil ver o Jaylen sair, pois era um grande colega de equipa, mas estamos prontos para receber o Paul George, o Mitchell Robinson, o Mike Conley e os rookies de braços abertos. Vai ser um ano desafiante para aprender a jogar juntos, mas temos bastante experiência no balneário, espírito competitivo e a liderança do treinador Joe Mazzulla», completou.

Mazzulla que passou por Portugal para conhecer onde Queta cresceu, amigos, família e os clubes onde jogou antes de rumar aos Estados Unidos. «Foi um bom verão. Estivemos juntos em Las Vegas [Liga de Verão da NBA], em Portugal e em Boston. Até joguei um pouco de futebol com ele num dos dias. Joga como um defesa rijo que dá sempre tudo em campo. Tem sido ótimo conversar sobre como a equipa pode evoluir e melhorar para a nova época.»

Fotografia Brianna Robinson/@eyeofbri

Noutra entrevista, neste caso ao Boston Globe, Neemias também não quis dar demasiada a Jaylen Brown ter deixado os Celtics. «Faz parte do negócio, sabes?», afirmou. «É difícil ver um dos teus colegas de equipa e amigos partir. No final do dia, faz parte do negócio e temos de nos manter focados no que podemos controlar e em receber bem os novos colegas.»

Questionado sobre como a chegada de Mitchell Robinson poderá afetar o seu papel na equipa, onde na passada temporada integrou o cinco inicial em 75 dos 76 jogos que disputou na fase regular, diz não estar preocupado. «Isso é algo que o Joe [Mazzulla] tem de resolver. Estou apenas aqui para receber os meus novos colegas de braços abertos. O Mitchell será uma grande adição para nós. Estou extremamente feliz por não ter de o defrontar mais, porque ele costumava ganhar todos aqueles ressaltos, por isso vai ser bom tê-lo do nosso lado.»

Fotografias Hoopers/Project Backboard

Sobre o que tem trabalhado no defeso para continuar a evoluir, não acrescentou muito mais do que revelara a A BOLA em julho, durante o seu Neemias Queta Training Camp em Carcavelos. «Tenho trabalhado em diferentes facetas do jogo, para ser mais versátil ofensivamente, mais completo. Tomar boas decisões com a bola, seja um passe ou ser capaz de criar o meu próprio lançamento.»

«Defensivamente, ser capaz de estar nos sítios certos mais cedo e comunicar um pouco mais. São as coisas de sempre. Espaçar o campo também, ser capaz de lançar. Tem sido uma boa pré-época de trabalho e tenho trabalhado em praticamente tudo», concluiu o internacional português.

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