Era uma vez a águia e o galo…
O Benfica, em 49 jogos com o Gil Vicente para o Campeonato Nacional, perdeu, ao longo dos anos, 24 pontos, decorrentes de seis empates e quatro derrotas. E haverá ainda alguém que se lembre do mais dramático Benfica-Gil Vicente de todos? Muito poucos, creio.
Na temporada anterior (2012/13), sob o comando de Jorge Jesus, que terminava contrato, os encarnados tiveram o mais penoso fim de época da sua história, perdendo o Campeonato para o FC Porto, com o golo de Kelvyn, a final da Liga Europa, em Amesterdão, para o Chelsea de Rafa Benitez, que chegou ao triunfo graças a uma cabeçada de Ivanovic ao minuto 89, e a Taça de Portugal, às mãos do Vitória de Guimarães de Rui Vitória. Quando este mundo e o outro tinham por certo que Luís Filipe Vieira não ia renovar o contrato com o atual selecionador nacional, o presidente do Benfica fez um daqueles «quero, posso e mando» que era a sua imagem de marca e manteve JJ em 2013/14.
Apesar desse Campeonato ter sido o primeiro do único tetra dos encarnados, e da equipa da Luz ter terminado a prova com mais sete pontos que o Sporting, segundo classificado, a verdade é que Jorge Jesus começou a temporada muito fragilizado, sendo olhado pelo Terceiro Anel com tolerância zero. Quis o sorteio que o primeiro jogo do Benfica fosse nos Barreiros, e o destino que os verde-rubros ganhassem por 2-1. O que estava mal, passou a pior, e era dado por certo em todos os círculos que, ou a equipa de Jorge Jesus derrotava o Gil Vicente, na Luz, na segunda jornada, ou Luís Filipe Vieira tinha de dar o braço a torcer e ir à procura de outro treinador.
A 25 de agosto de 2013, o Gil Vicente, treinado por João de Deus (que é há muitos anos braço-direito de Jesus, que acompanhou no Brasil, na Arábia, no Benfica e na Seleção Nacional) estava a ganhar no anfiteatro encarnado por 0-1, graças a um golo de Diogo Viana aos 69 minutos. Jorge Jesus parecia ter os dias contados no banco benfiquista quando Lazar Markovic, aos 90+1, fez o 1-1. E não é que um minuto depois Lima consumou a ‘cambalhota’, assinando o 2-1 e projetando o Benfica para a gesta do tetra?
Para o Benfica, nenhum momento é bom para perder pontos, em casa ou fora, com equipas que não jogam para o título (contra os rivais diretos, embora também não possa falar-se em bons momentos, há, contudo, uma margem de tolerância maior), como é o caso do Gil Vicente, e a verdade é que, como se viu, perdeu 24. E ontem não voltou a perder pontos, porque Marco Silva fez apelo a toda a carne que tinha para colocar no assador, e acabou por sair-se airosamente. Com uma agravante: se, para o Benfica, não derrotar, especialmente em casa, o Gil Vicente, é mau, isso acontecer-lhe antes de se deslocar ao Dragão podia redundar num caso muito sério, de difícil resolução.
Faltam muitas jornadas, é certo, para terminar o Campeonato, mas há momentos que marcam épocas e, se calhar, a ‘virada’ perante a turma de Barcelos de ontem poderá ter tanta importância como aquela que Jorge Jesus conseguiu, em 2013, quando andávamos entregues à ‘troika’. Se calhar até vai ter influência na escolha do onze que defrontará o AC Milan de Ruben Amorim no Meazza, depois de amanhã…
CARTAS
ÁS
Petit
O Santa Clara está a rubricar um início de temporada fulgurante e creio que já é mais do que tempo para dar mérito ao técnico insular, Petit, que é muito mais que alguém de quem os clubes se lembram apenas quando sentem a casa a arder. Francamente, gostava de ver o antigo médio com outros meios.
ÁS
Carlos Carvalhal
O início de época estava a ser difícil, e apesar dos poucos quilómetros que separam Braga de Famalicão, Carlos Carvalhal não estava ter o impacto positivo que esperava. O empate frente ao Sporting, conseguido ao cair do pano, pode ter funcionado como desbloqueador e detonador…
DUQUE
Michael Carrick
Os males do Manchester United são profundos e não há varinha mágica (mesmo carregada de milhões de libras) que os resolva. Enquanto o clube de Old Trafford não assumir que os problemas por que passa há vários anos têm sobretudo a ver com a estrutura e os meios, nada feito.
FOTOLEGENDA
VUELTA
Depois de três segundos lugares e de um terceiro, finalmente o lugar mais alto do pódio da Vuelta, uma corrida brutal, onde as montanhas, o calor e o vento (e este ano até o granizo!) fazem a diferença, para Enric Más. É certo que o ciclista espanhol beneficiou da queda que tirou Pogaçar da prova e daquele que parecia um mais do que certo triunfo, mas a forma como, depois de respeitar o campeão esloveno caído, soube orientar a sua corrida, com sucessivas demonstrações de classe e frieza, transformou Más num vencedor que pode olhar a camisola vermelha e sentir-se orgulhoso pelo que fez. Quanto a João Almeida, o terceiro lugar no contrarrelógio foi uma janela de esperança que se abriu para os seus admiradores.
CAPA
Limites de género? Que limites?
Saffie Orborne, 23 anos, que já teve de pedir intervenção policial para colocar ponto final nos insultos que recebia por se notabilizar em eventos tradicionalmente feudo dos homens, tornou-se na primeir amulher a vencer uma competição equestre do British Classic, cortando em primeiro lugar, montando o Highwayman, a linha de meta em St-Leger, onde se corre desde 1776 naquele que é o mais antigo dos clássicos britânicos. Parabéns à jockey.